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Investimento estrangeiro

O que fez o México tornar-se o mais novo “queridinho” da América Latina

Elevados custos salariais e baixa estabilidade monetária, somados ao protecionismo e intervencionismo do governo brasileiro, são apontados como causas para a mudança de foco

  • Cíntia Junges
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Depois de cair nas graças dos investidores mundiais após a crise de 2008, o Brasil experimenta agora uma posição bem menos confortável no mercado mundial, marcada por uma projeção de crescimento bastante tímida e pelo enfraquecimento do seu protagonismo na América Latina diante da ascensão do México. A mudança de posições entre os dois países é tema da análise "Brasil ou México?", divulgada no final de julho pelo banco suíço UBS.

Segundo o estudo da entidade financeira, o ano de 2010 foi o grande divisor de águas. Enquanto o Brasil desfrutava do status de queridinho dos investidores – com amplo destaque na mídia internacional, que salientava a Copa do Mundo e as Olimpíadas, e com bons índices de classificação nas agências de risco – o México amargava sérias dificuldades econômicas devido à proximidade e dependência do mercado norte-americano, afetado pela crise.

De lá pra cá, o fraco desempenho da economia brasileira fez com que o otimismo dos investidores ficasse pelo meio do caminho. Com uma performance econômica melhor que a brasileira, o México atraiu a atenção do mercado mundial. Em 2011, a economia mexicana cresceu 3,9%, enquanto a brasileira não passou dos 2,7%. Neste ano, as projeções apontam um crescimento de 4% e 2%, respectivamente.

Embora possuam condições de partida bastante semelhantes em diversos aspectos, o UBS elenca cinco grandes motivos para a mudança de foco dos investidores e explica porque o "México vem roubando o status de queridinho do Brasil": competitividade relativa, política monetária e inflação, sistema financeiro, poupança e investimentos, além da política comercial (veja os detalhes ao lado).

Desde o fim do ano passado, o governo tomou medidas que distanciaram o país da posição de "queridinho": o sucessivo corte nos juros e a política de desvalorização do câmbio para beneficiar a indústria nacional mostram que o governo deixou de priorizar dois dos três pilares da estabilidade econômica brasileira: o regime de metas de inflação e o câmbio flutuante. Resta apenas o último pilar, que é a meta do superávit primário, explica Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria.

"A soma desses fatores monta um cenário bastante incerto para os investidores, que vão em busca de maior estabilidade para aplicar seu dinheiro". Um exemplo de que o México está mais atrativo é o risco país, indicador que tenta mensurar o grau de instabilidade econômica e perigo para os investidores nos países emergentes. Em 1.° de agosto, o México registrava 136 pontos diante dos 173 do Brasil.

Na visão de Celso Grisi, economista e presidente do Instituto de Pesquisas Fractal, além das diferenças elencadas pelo relatório, o Brasil possui uma carga tributária extremamente excessiva. O México, por outro lado, acaba de eleger um presidente liberal, que tem tomado medidas favoráveis à segurança dos investimentos estrangeiros e está estimulado a competitividade da indústria local, defende.

Para Grisi, o Brasil perdeu a oportunidade de inserir as empresas brasileiras no cenário mundial, desenvolvendo a indústria nacional e tornando-a competitiva. "Não houve excesso de otimismo em 2010. Simplesmente não crescemos porque investimos pouco".

O impasse da indústria automotiva

Enquanto o México tem apostado no livre comércio para estimular a competitividade da indústria local, o Brasil vem seguindo o caminho oposto, incentivando a competitividade por meio da desvalorização do câmbio e das desonerações. O exemplo mais claro desse descompasso ocorreu no início deste ano, quando o Brasil precisou pedir revisão do acordo automotivo com o México depois que as exportações de carros produzidos pela indústria mexicana cresceram 70% em 2011.

Antes do acordo, a concorrência acirrada entre as duas maiores economias da América Latina estava chegando a níveis insustentáveis, com a utilização excessiva de medidas protecionistas para garantir a participação no mercado. No ano passado, as exportações de veículos mexicanos para o mercado brasileiro somaram R$ 2,4 bilhões de dólares. Além disso, os custos salariais elevados oneraravam a indústria brasileira, que perdia competitividade na hora de exportar seus produtos.

O novo acordo automotivo firmado entre autoridades dos dois países tem prazo de três anos, com a previsão de que as exportações mexicanas para o mercado brasileiro cresçam ano a ano: US$ 1,45 bilhão neste ano, US$ 1,56 bilhão em 2013, e US$ 1,64 bilhão em 2014. A partir de 2015, México e Brasil poderão retornar ao sistema de livre comércio de automóveis.

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