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Tributos

Pobre trabalha duas vezes mais para pagar impostos

A carga tributária para quem está na base da pirâmide chega a quase 54% da renda, contra 29% para os mais ricos, diz Ipea

Valdeci Taborda, que saiu com a família para comprar uma lavadora de roupas: peso tributário impressiona |
Valdeci Taborda, que saiu com a família para comprar uma lavadora de roupas: peso tributário impressiona
 
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Pobre trabalha duas vezes mais para pagar impostos

O valor total dos impostos, taxas e contribuições pagos pelos brasileiros aumentou no ano passado e o maior peso recai sobre os mais pobres. A população de baixa renda precisa trabalhar quase duas vezes mais para pagar impostos do que os mais ricos, aponta um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o levantamento, que toma como base os números de 2008, as famílias que recebem até 2 salários mínimos precisavam trabalhar 197 dias para pagar tributos em 2008. Os que ganham acima de 30 salários mínimos, por outro lado, necessitavam de 106 dias. Dividido ao longo do ano, o peso dos impostos equivalia a 132 dias trabalhados no ano passado.

Todos pagam mais

Entre 2004 e 2008 houve aumento da carga tributária para todas as classes sociais, mas a população de menor aquisitivo continua a sofrer mais. A carga tributária para quem está na base da pirâmide chega a quase 54% da renda, contra 48,8% em 2004. Para quem está no topo ela avançou de 26,3% para 29%. O Ipea estima que a carga tributária bruta (que considera todos os impostos compulsórios pagos no Brasil) foi de 36,2% do PIB.

“O ônus da carga tributária brasileira é muito maior para os pobres do que para os mais ricos, e esse cenário se acentuou nos últimos anos”, disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann. O Ipea, que é um órgão vinculado ao governo federal, condena essa distorção. “Os ricos precisam pagar mais impostos do que os mais pobres, como ocorre em países desenvolvidos.”

De acordo com os técnicos do instituto, essa diferença no peso da carga tributária pode ser explicada pelo perfil de comprometimento da renda entre as classes sociais. “A população de menor poder aquisitivo gasta quase tudo o que ganha com consumo, no qual incidem os chamados impostos indiretos, que têm um peso maior”, afirma. “É o caso, por exemplo dos gastos com alimentação, bebidas, transportes e vestuário”, acrescenta o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral.

Com uma renda de R$ 1 mil, o garçom Valdeci Taborda está no grupo dos brasileiros que pagam mais impostos. Após dois meses de economias, ele saiu ontem com a família para procurar uma máquina de lavar roupas. “Faz algumas semanas que eu estou pesquisando preços. Preciso achar uma lavadora que custe menos de R$ 600.”

Mordida

Uma estimativa do Ipea mostra que, de cada R$ 100 gastos na economia brasileira, R$ 42 vão para o pagamento de impostos indiretos, como ICMS, IPI, PIS e Cofins. Quando informado sobre o tamanho da mordida dos tributos no bolso, Valdeci Taborda ficou impressionado: “Não sabia que era tanto. É tão alta que, se parassem de me cobrar, eu até poderia dizer que estou bem de vida.”

O estudo do Ipea também revelou que o brasileiro precisa de 20 dias e meio de trabalho para bancar os juros da dívida do governo (União, estados e municípios) e de 1,5 dia de trabalho para bancar os recursos do Bolsa Família.* * * * *

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