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Bônus, ações e carros: veja os benefícios recebidos por executivos mesmo na crise

Consultorias indicam aumento nos incentivos de remuneração em ações. Por outro lado, menos executivos estão recebendo bônus de retenção

Porcentagem de executivos de corporações brasileiras que recebem remuneração em ações mais que dobrou: 7% em 2015 contra 15% em 2016. |
Porcentagem de executivos de corporações brasileiras que recebem remuneração em ações mais que dobrou: 7% em 2015 contra 15% em 2016.
 
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Na crise ou fora dela, não são apenas os altos salários que atraem bons executivos para as empresas. Em um momento no qual as companhias estão atrás dos melhores profissionais, é preciso oferecer mais. Não é à toa, por exemplo, que os pacotes de benefícios já fazem parte do universo corporativo.

Veja os principais benefícios oferecidos aos executivos

Apesar da crise, salários dos executivos seguem estáveis

Segundo a Pesquisa de Remuneração Page Executive 2016-2017, 45% dos executivos em empresas brasileiras e 50% daqueles em multinacionais afirmam possuir os chamados incentivos de longo prazo, como bônus de retenção, remuneração em ações e preferência de compra acionária.

“Como mais empresas nacionais têm contratado [profissionais] de multinacionais, o executivo negocia o pacote atrelado aos incentivos de longo prazo. Com o tempo, esse dado deve se equiparar”, destaca Leandro Muniz, diretor da Page Executive.

Crise intensifica substituição “cirúrgica” de profissionais nas empresas

Benesses

Além da remuneração variável, os executivos vêm recebendo basicamente os mesmos benefícios nesta última década. De 2013 a 2016, a maioria dos executivos recebem desde itens tradicionalmente oferecidos aos trabalhadores de “menor escalão”, como plano de saúde, seguro de vida e previdência privada, até “mimos” exclusivos como carro, blindagem automotiva, aluguel e escola para os filhos. Estes dois últimos são pagos geralmente a profissionais transferidos de uma cidade para outra.

O item de maior destaque, contudo, é o crescimento da previdência, segundo Muniz. Em 2015, 36% dos executivos tinham acesso ao benefício corporativo. No ano seguinte, já eram 40%. “É um movimento importante, ligado à retenção: quanto mais o executivo ficar na empresa, maior será a contribuição realizada tanto pela companhia quanto pelo executivo. Outro motivo é a preocupação com a previdência tradicional (INSS), que está mais restritiva”, indica o diretor da Page Executive.

Diretor geral da Hays  Executive no Brasil, o britânico Jonathan Sampson concorda com o colega. “É de alta importância para a segurança do futuro”, afirma. E vai além: “No Brasil, o pacote – que inclui seguro saúde e de vida, estacionamento, entre outros benefícios [do governo] como FGTS – tornam os benefícios muito atrativos, em todos os níveis, não apenas no executivo”. Segundo ele, comparado a outros países, os benefícios oferecidos no Brasil são “extremamente generosos”.

Como houve redução no quadro de diretores por conta da crise econômica, os que sobraram ficaram mais importantes. Com [pagamentos em] ações, eles ficam mais alinhados aos objetivos de longo prazo, buscados pelos acionistas”

Leandro Muniz, diretor da Page Executive.

Risco compartilhado

Sampson, da Hays Executive afirma que existe uma disposição dos empresários para que os pacotes salariais sejam completados especialmente por opções acionárias. “São acréscimos não fixos ao salário que surgem como opção e que têm importância para estruturar o pacote executivo”, afirma.

O levantamento da Page Executive indica que a porcentagem de executivos de corporações brasileiras que recebem remuneração em ações mais que dobrou: 7% em 2015 contra 15% em 2016. Em estrangeiras, passou de 34% para 30%. Em compensação, quanto ao benefício de opção de compra, essas companhias aumentaram a oferta de 38% para 42%.

Segundo Muniz, essa tendência de maximizar os incentivos de longo prazo acontece para compartilhar o risco com o profissional. “Como houve redução no quadro de diretores por conta da crise econômica, os que sobraram ficaram mais importantes. Com [pagamentos em] ações, eles ficam mais alinhados aos objetivos de longo prazo, buscados pelos acionistas”, reforça o diretor da Page Executive.

Por outro lado, menos pessoas em cargos de direção vêm recebendo o chamado bônus de retenção, conforme a Pesquisa de Remuneração. Em 2015, 44% das empresas brasileiras dispuseram deste tipo de benefício à diretoria. Já em 2016, o número caiu para 35%. Em multinacionais o índice de bônus ficou estável, em 28%.

Pré-crise

Há quatro anos, os executivos tinham mais incentivos de longo prazo. Na Pesquisa de Remuneração Page Executive 2013, respectivamente, 63% e 66% dos diretores de companhias nacionais e estrangeiras entrevistados afirmavam receber esse tipo de benefícios. Ainda assim, segundo Muniz, “em nossas pesquisas qualitativas reforçamos a tendência no aumento dos incentivos especialmente em ações”.

Comparados os anos de 2013 e 2016, a porcentagem de executivos do alto escalão com carteira de trabalho assinada nas empresas brasileiras reduziu: 37 para 33%. As “gringas” seguiram outra tendência, crescendo os registros de 66% para 70%. “É uma questão cultural. As multinacionais buscam menores riscos trabalhistas”, informa o especialista. Outras modalidades de contratação são os serviços de pessoa jurídica, diretor estatutário e empregado com responsabilidades estatutárias.

Pacote de benesses

Conforme a Pesquisa de Remuneração Page Executive 2016-2017, os executivos de alta-gestão recebem:

Plano de Saúde – 90%

Seguro de Vida – 77%

Carro – 64%

Previdência Privada – 40%

Blindagem Automotiva – 11%

Aluguel Residencial – 8%

Escola para Filhos – 5%

Apesar da crise, salários dos executivos seguem estáveis

A Pesquisa de Remuneração Page Executive 2016-2017 indica que, em relação à remuneração fixa, os salários não tiveram grande diferença entre os anos de 2015 e 2016. Somente alguns cargos como CEO e Diretor Financeiro receberam aumentos significativos, dependendo do porte da empresa.

Além disso, os salários médios de executivos de empresas nacionais são superiores aos de multinacionais. Há dois motivos para isso, segundo Leandro Muniz, da Page Executive. “Geralmente os executivos preferem as multinacionais, então, as brasileiras têm de oferecer um prêmio maior”, afirma. Outra explicação, segundo Muniz, é o nível de exposição. “Aqui os executivos estão menos protegidos, enquanto quenas empresas internacionais há mais decisões colegiadas em níveis globais”, explica.

Outro levantamento, realizado pela consultoria Hays, mostra que, apesar do crescente índice de desemprego, não estão ocorrendo quedas de salário, segundo o diretor da consultoria,Jonathan Sampson. “Verificamos aumentos no pacote salarial. Nem tanto nos salários fixos, mas sim nos variáveis”, afirma ele, reforçando a tendência dos pacotes de benefícios, como, por exemplo, agregar as opções acionárias aos executivos.

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