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Renda fixa

Poupança já rende mais que fundo em aplicação de curto prazo

Com a redução nos juros básicos, o rendimento líquido da caderneta bate investimentos referenciados pelo CDI, que têm tributação de IR

Texto publicado na edição impressa de 13 de março de 2012

A caderneta de poupança já está mais vantajosa do que os fundos de renda fixa para investimentos de curto prazo. Em aplicações de até seis meses em fundos DI, só os raros fundos com taxa de administração inferior a 0,50% ao ano, rendem mais que a poupança. Entre seis meses e um ano de aplicação, os fundos com taxa superior a 1,50% anuais também perdem para a caderneta.

A maior atratividade da poupança se deu por causa da redução de 0,75 ponto porcentual feita na taxa básica de juros (Se­­lic) na última quarta-feira, o que impacta a rentabilidade dos fundos. Como os fundos têm incidência de Imposto de Renda e taxa de administração, a redução do ganho líquido com a nova Selic (9,75% ao ano), dá vantagem à tradicional caderneta, que é isenta de IR e de outros custos.

Segundo cálculos da Asso­ciação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), quando a Selic chegar a 9% ao ano, a caderneta será mais vantajosa em todas as comparações com os fundos de renda fixa. O cenário pode ser alcançado na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, marcada para dia 18 de abril.

Enquanto a Selic cai, ferindo os ganhos da renda fixa em geral, a rentabilidade da poupança se mantém. A lei garante que ela será de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais taxa referencial (TR) de juros. Assim, o piso de 6,17% só é atingido quando a TR cai a zero, algo que já ocorreu cinco vezes desde o início de fevereiro. "Se o governo não alterar a fórmula que calcula essa rentabilidade, o investidor deve fazer a conta antes de escolher entre renda fixa, ou mesmo outros fundos, e caderneta", diz Rogério Bastos, sócio da consultoria FinPlan.

A maior competitividade da poupança sobre outras aplicações pode provocar saída massiva de investidores dos fundos rumo à poupança. Para Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, como há perspectiva de novas quedas na Selic daqui em diante, a alteração das regras da caderneta poderá ser apressada pelo governo. Entre possíveis mudanças, diz Oliveira, está tributar o investimento na caderneta ou atrelar o rendimento da modalidade ao juro (assim como ocorre nos fundos).

Em 2009, com a Selic em 8,75% ao ano, o governo já tentou cobrar imposto sobre poupanças com mais de R$ 50 mil, mas desistiu por pressões políticas e porque a taxa de juros voltou a subir logo depois. "Desta vez o governo não tem alternativa. Para manter o equilíbrio do mercado, é importante que a poupança tenha uma nova fórmula de cálculo", considera o matemático José Dutra Vieira So­­­brinho. "Nos próximos 90 dias, no máximo, o governo tem de apresentar um plano", diz, se referindo ao prazo para os próximos cortes esperados nos juros.

Mesmo com a Selic acima de 10% que vigorou até a última quarta-feira, os fundos que têm como referência o CDI (cujo rendimento é sempre muito próximo da Selic) e cobram taxa superior a 2% ao ano já estavam em desvantagem, segundo André Oda, professor de Finanças da Fun­­dação Instituto de Admi­nistração (FIA).

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