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São Paulo

Escolas de idiomas dão golpe em escolas públicas

Os alunos recebem material de programas fictícios, como o “Pró-Educação” e o “Brasil Aprendiz” com logotipo que lembra a marca do governo

30/07/2012 | 10:47 |
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Um grupo que envolve redes de escolas de idiomas, cursos profissionalizantes e vendedores treinados está enganando estudantes de escolas públicas de São Paulo ao oferecer bolsas como se fossem do governo federal. Os alunos recebem material de programas fictícios, como o “Pró-Educação” e o “Brasil Aprendiz” com logotipo que lembra a marca do governo.

A identidade visual e os nomes tentam embarcar no programa Universidade Para Todos (ProUni), que dá bolsas em universidades. Até as fotos são retiradas de antigos anúncios do Ministério da Educação (MEC). Apesar do esforço, a pirataria é fácil de ser notada, o que não impediu escolas estaduais de São Paulo de dar autorização para que os cursos fossem apresentados a seus alunos.

O estudante Guilherme Silva Camargo, de 14 anos, ficou empolgado quando foi contemplado com uma bolsa para estudar inglês. Havia passado em uma provinha de seleção, realizada no horário de uma aula de Artes na Escola Estadual Tarcisio Alvares Lobo, no Limão zona norte da capital paulista. “Era uma provinha muito fácil, fiquei até desconfiado. Mas estavam na escola, achei que era sério. E o inglês hoje é essencial para tudo”, disse.

Aprovado, recebeu um papel timbrado do programa “Bolsa Pró-Educação”, apresentado em parceria com o “Brasil Aprendiz” - com cara do governo. Também fazem parte da propaganda enganosa os falsos programas “Inglês Para Todos” e o “Bem Vindo Turista”, cujas marcas figuram no documento.

Havia ali a convocação para a “liberação do crédito” da bolsa, com encontro marcado na própria escola, em um sábado, tudo com a anuência da direção. O vendedor Antonio Camargo, de 44 anos, pai do estudante, disse que no começo a impressão era de que tudo seria sério. Os profissionais estavam de terno e gravata e tinham o respaldo da escola, onde cerca de 300 pais procuravam informações.

“Falaram que a bolsa era de R$ 101, mas era preciso pagar outros R$ 100, que é o custo normal do curso. Percebi que era enganação”, disse. “Vários pais ficaram revoltados. Como uma escola pública deixa isso acontecer?”

De acordo com o vice-diretor da escola, que afirmou que não poderia conceder entrevista e não quis se identificar, nunca houve problemas com essa escola. “Eles dariam bolsa para os alunos, falaram que era um projeto grande”, disse.

Cartão

A oferta para os alunos é de um cartão, que creditaria a bolsa de “R$ 101 mensais para cada aluno”. O benefício seria concedido de acordo com a lei 2208/01. Essa é a legislação para meia entrada, que em nada tem a ver com a concessão de bolsas. O papel dados ao aluno diz que, caso ele não compareça com o pai à escola no dia indicado, poderá sofrer “exclusão definitiva no cadastro de beneficiários do programa Brasil Aprendiz”.

Um dos representantes do “Brasil Aprendiz”, Henrique Gama, contou que este ano eles já estiveram em mais de 30 escolas na cidade de São Paulo. Metade delas na zona norte. “Em um mês, faço 50 carteirinhas. Elas dão vários benefícios com nossos parceiros”, explica ele, sem ver problema em oferecer bolsas questionáveis e usar as marcas parecidas com as de programas oficiais do governo. “Esse logo não é patenteado e até agora ninguém reclamou.”

A abrangência da ação do grupo depende das instituições que entram como parceiras. De acordo com Gama, as escolas transferem R$ 15 para o projeto por cada carteirinha.

Uma delas se chama The Place English School, com uma filial na Casa Verde, zona norte. Na escola, nenhuma informação sobre o “Brasil Aprendiz” ou “Pró-Educação”. “Houve casos de famílias que ficaram endividados porque não conseguem pagar os cursos, achando que a bolsa é integral”, disse a funcionária de uma outra escola na zona norte, que preferiu não se identificar. “Meu neto também foi ‘aprovado’, mas já percebemos que não era sério, não tinha nada de bolsa.”

Crime

O MEC informou que desconhece todos esses programas e que o uso indevido das marcas do governo é caso para a polícia. A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo também repudiou a situação.

Em nota, informou que a pasta “não compactua com a situação ocorrida na Escola Estadual Tarcisio Alvares Lobo”. A secretaria nega que o oferecimento das bolsas tenha se repetido em outras escolas da cidade.

O governo informou que já determinou que a diretoria regional de ensino instaurasse apuração preliminar sobre o caso para que sejam tomadas as medidas cabíveis. “A direção da unidade já registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e o caso será investigado”, ressaltou a pasta.

A secretaria prometeu distribuir comunicado aos pais e estudantes da EETAL para esclarecer que não há relação do governo com a escola de idiomas e os programas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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