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AUTISMO

Crianças autistas são mais criativas, mesmo sem estrutura escolar adequada

Estudos mostram que elas podem apresentar grande criatividade para solucionar problemas, mas diagnóstico precoce e estrutura educacional brasileira ainda são barreiras

  • Luiz Kozak, especial para a Gazeta do Povo
Autismo: característica criativa pode ser aproveitada para auxiliar no desenvolvimento escolar. | Pixabay.
Autismo: característica criativa pode ser aproveitada para auxiliar no desenvolvimento escolar. Pixabay.
 
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Estudos promovidos pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Stirling na Escócia apontam que pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) demonstram maior habilidade para apresentar soluções criativas para problemas de difícil resolução. 

A pesquisa analisou 312 indivíduos e os pesquisadores concluíram que os indivíduos com o TEA obtiveram melhores resultados em testes de criatividade, pois apresentavam um número maior de soluções para um mesmo exercício. 

Segundo o psiquiatra Cleverson Higa Kaio, mestre em saúde da criança e do adolescente, crianças com o Transtorno do Autismo podem apresentar vasto conhecimento em áreas específicas, como matemática ou mesmo na memorização de datas históricas, tendo maior dificuldade na comunicação e na relação interpessoal com colegas de classe. 

“O grande déficit desses jovens é na relação em grupo, seja em casa ou na escola”, afirma Higa. 

Criatividade

Essa característica criativa pode ser aproveitada para auxiliar no desenvolvimento escolar, desde que o sistema de ensino esteja preparado para acolher esses estudantes. 

Para Kaio é possível identificar logo na primeira infância os sinais de autismo. “Os sinais podem não ser tão claros, mas são característicos: a falta de contato visual ou quando a criança não reage quando chamada pelo nome são alguns exemplos. E até mesmo quando demora para desenvolver a fala”, pondera. 

“O tratamento para o TEA depende de cada caso, mas geralmente o autista terá um acompanhamento por profissionais como uma fonoaudióloga, uma terapeuta ocupacional e uma psicóloga para o treino da habilidade social”, completa. 

Dificuldades 

A professora de música Adriana Godoy, descobriu que seu filho Victor, na época com apenas três anos, havia sido diagnosticado com o autismo. Hoje com 14 anos, ele foi recusado oito vezes pelo ensino público paulista, até ser acolhido por uma escola no bairro Vila Mariana, em São Paulo. 

“Fomos até Sorocaba em busca de escolas que disponibilizassem a estrutura que o ele precisava. Associações especializadas têm lista de espera para auxiliar nesses casos, mas é um processo complicado. Ele ficou oito meses sem estudar”, relembra Adriana. 

Após sentir na pele as dificuldades que pais de autistas sofrem, Adriana Godoy e seu marido, Neimer Gianvechio, criaram o Projeto Integrar, promovendo cursos e disseminando o método de desenhos roteirizados (recurso de apoio visual que ajuda na socialização). 

“As pessoas com autismo, apesar das dificuldades, têm as mesmas vontades que qualquer um: elas querem brincar, interagir, querem participar de grupos, gostam do que toda criança gosta”, afirma. 

Bons exemplos

Na Rede Municipal de Ensino de Curitiba, alunos com o Transtorno do Espectro Autista têm o acompanhamento de profissionais disponibilizados pela Secretaria de Educação, como fonoterapeuta, psicóloga, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta. Segundo levantamento da Prefeitura em 2016, a capital paranaense conta com mais de 350 alunos com autismo atendidos pelas escolas municipais. 

Um exemplo no ensino público é o da Escola Municipal dos Vinhedos, no bairro Santa Felicidade. Lá, foi desenvolvido o programa "Somos todos diferentes, mas temos algo em comum", que conta com salas de apoio para o desenvolvimento dos alunos com o TEA. O projeto conta com a participação de pais, professores e colegas de classe. 

Outro exemplo, mas na rede privada, é do colégio Tistu; a partir da iniciativa da escola e da Associação Miraflores, que reúne pais, amigos e professores de crianças com necessidades educativas especiais, surgiu o PAE (Programa de Atendimento Especial). 

Segundo Cláudia Costa, coordenadora do projeto, a iniciativa conta atualmente com doze funcionários contratados pelo PAE e pelo próprio Colégio Tistu, que promovem um apoio paralelo à sala de aula, disponibilizando materiais próprios que auxiliam as crianças na organização sensorial e no acompanhamento terapêutico de cada aluno. 

“A ideia é desenvolver esses alunos, promovendo uma interação mais próxima possível com os colegas de classe, mas respeitando as características de cada um”, conclui. 

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