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Diretora de faculdade descreve pessoas como “lixo branco” nas redes sociais

Orientadora acadêmica da Universidade Yale se dizia defensora da “sensibilidade cultural”, mas distribuía ofensas e preconceito no Yelp

  • The Washington Post
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Como diretora do Pierson College, da universidade Yale, June Chu é responsável por dar assistência a cerca de 500 estudantes e fomentar um “ambiente residencial familiar e confortável”, condizente com o sistema de residência universitária da instituição.

Sua biografia diz que Chu tem PhD em psicologia social e que ao longo de muitos anos de vida profissional vem procurando “ajudar estudantes a alcançar o êxito acadêmico, além de fomentar sua experiência acadêmica holística e identidades multifacetadas”.

Mas a persona pública aparentemente solidária e culturalmente sensível da administradora foi prejudicada quando estudantes de Yale se depararam com sua conta no Yelp. O problema não foi tanto o que ela disse a respeito dos restaurantes e empresas de New Haven que avaliou no site, mas seus comentários sobre os frequentadores desses estabelecimentos.

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Seus posts publicados nos últimos anos descrevem fregueses dos estabelecimentos como “white trash” (“lixo branco”: brancos pobres e ignorantes) e “gente de baixa classe” e descrevem alguns de seus funcionários como “imbecis quase analfabetos”.

“Se você é ‘white trash’, essa é uma opção perfeita de noitada para você!”, escreveu Chu em uma avaliação de um restaurante japonês ao qual, segundo ela, falta autenticidade, mas que seria perfeito para “o tipo de gente de classe baixa que pensa que essa é uma opção bacana para sair à noite”.

Em uma crítica escrita em 2015, Chu descreveu os funcionários de um cinema como “imbecis praticamente analfabetos que se esforçam para dar conta de pedidos de lanches para fregueses obesos e conseguir somar US$ 7 mais US$ 7”.

As críticas atraíram uma reação negativa de estudantes atuais e passados de Yale, que descreveram os posts como ofensivos, elitistas e humilhantes.

Pedido de desculpas

Chu deletou sua conta no Yelp e mandou por e-mail um pedido de desculpas aos alunos do Pierson College, a maior faculdade residencial de Yale.

“Este semestre aprendi muito sobre o poder das palavras e sobre a responsabilidade que temos uns perante os outros”, ela escreveu. “Minhas observações foram equivocadas. Não há como negar. Não apenas demonstraram insensibilidade em questões ligadas a classe social e raça, como amesquinham os valores pelos quais eu me pauto e que ofereço como membro desta comunidade.”

O diretor do Yale College, Jonathan Holloway, disse ao “Yale Daily News” que não pediu a renúncia de Chu e que acredita que ela esteja “profundamente arrependida”.

Alguns estudantes disseram ao “Yale Daily News” que ficaram chocados ao ler os comentários depreciativos de Chu, dizendo que já tiveram muitas interações positivas com ela e apreciaram seus conselhos acadêmicos e de carreira. Outros –incluindo alunos atuais e passados da universidade e pessoas de fora da comunidade de Yale—se disseram decepcionados com o pedido de desculpas feito por Chu. Nas redes sociais, algumas pessoas opinaram que ela deveria pedir desculpas aos empresários e funcionários de estabelecimentos de New Haven que ofendeu com suas avaliações.

“Ela pede desculpas aos alunos de Yale, mas não às pessoas que insultou?”, tuitou Mark Oppenheimer, articulista do “Los Angeles Times” que estudou e lecionou em Yale e hoje vive em New Haven.

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Faça o que eu digo, não o que eu faço

No Twitter, outras pessoas chamaram a atenção para um artigo que Chu escreveu para o “Insider Higher Ed” sobre a importância da sensibilidade cultural. “Muitos estudos continuam a indicar diferenças entre estudantes universitários americanos brancos e os de grupos étnicos minoritários”, ela escreveu. “Assim, quando nós, orientadores, advogamos apenas que o estudante siga aquilo que o mobiliza, precisamos nos perguntar se somos microagressores, dizendo aos estudantes que essa é a única maneira certa de se engajar na educação.”

A maioria dos posts que está circulando foi publicada após junho de 2016, depois de Chu ter sido nomeada diretora.

Em um post recente, Chu elogiou um cinema pela falta de “frequentadores suspeitos, apesar de estar localizado em New Haven”. Em outro, ela usou um termo chulo ao criticar um funcionário de uma empresa de jardinagem. Em 2015 Chu escreveu sobre um funcionário de uma academia: “Falando a sério, não me importo se você ‘perderia seu emprego’ (tenho certeza que o McDonald’s o contrataria)”. Ela disse que uma instrutora da academia “parecia totalmente fora de forma”.

De acordo com sua biografia, Chu já deu aulas de psicologia na universidade da Califórnia-Davis e lecionou no Programa de Estudos Asiático-Americanos e na Escola de Economia da universidade da Pensilvânia, onde durante sete anos foi diretora da Casa Comunitária Pan-Asiático-Americana. Além disso, foi diretora assistente de estudantes de graduação no Dartmouth College.

Fundada e construída em 1933, Pierson College é uma das 12 faculdades residenciais de Yale. Cada uma tem seu próprio reitor e diretor, ambos membros do corpo docente de Yale, que vivem na faculdade com suas famílias e fazem suas refeições com os estudantes na cantina, segundo o site de Yale na internet.

A diretora da faculdade atua como orientadora acadêmica e pessoal dos estudantes.

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