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Estudantes Pela Liberdade desafia hegemonia da esquerda

Grupo cresceu rapidamente e possui projetos ambiciosos, mas também tem de lidar com dissidentes

Logomarca do EPL: trajetória ascendente  | Divulgação
Logomarca do EPL: trajetória ascendente  Divulgação
 
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Durante muitos anos, pertencer ao movimento estudantil era sinônimo de ser de esquerda. Aos poucos, entretanto, essa regra vai sendo quebrada. Um dos responsáveis pela mudança é o EPL (Estudantes Pela Liberdade), assumidamente liberal, que faz um contraponto ao pensamento dominante nas universidades. 

A entidade surgiu em 2010. “O objetivo inicial era levar uma discussão diferenciada às universidades e falar de liberdades individuais e do livre mercado”, conta Débora Gois Torres, diretora de captações e operações do EPL. “O ensino no Brasil é direcionado para ideias socialistas e populistas”, completa.

Hoje, são 11 pessoas trabalhando na sede da organização, em Belo Horizonte (MG), e pelo menos 3.300 alunos Brasil afora envolvidos com a entidade.

Se, no começo, o objetivo principal era formar estudantes capazes de enfrentar os grupos de esquerda inclusive na política estudantil, o papel atual do EPL é diferente. Segundo Débora, a nova meta da sigla é “desenvolver a educação e formar indivíduos atuantes”. Um dos objetivos é atingir, até dezembro, cinco mil jovens com um portfólio de cursos que variam de finanças pessoais à filosofia objetivista. “Acreditamos ter contribuído muito para que as sementes fossem plantadas. O EPL já foi uma organização de estudantes para estudantes. Hoje, somos uma organização profissional que desenvolve produtos e programas para eles”, diz.

Os Estudantes Pela Liberdade também tem pela frente projetos como o Festival da Liberdade, ainda sem data, com dois dias de programação dedicada à disseminação de ideias liberais, escolas de empreendedorismo e workshops de negociação, entre outros assuntos. 

Com estilo semelhante ao do Ted Talks, o projeto EPLX também deve sair da gaveta em breve: o EPL prevê seis meses de eventos com temas definidos e palestrantes especialistas nos temas, com a mesma finalidade do Festival, mas que serão divulgados de forma diluída nas universidades. 

O Estudantes Pela Liberdade sobrevive da ajuda de empresas privadas, organizações internacionais e de pessoas físicas, conforme  auditoria publicada no site oficial. Débora nega que haja auxílio por parte da matriz norte-americana do Students for Liberty, que inspirou o projeto do EPL. “Acreditamos que devemos atuar de forma independente, mas nos inspiramos muito nos treinamentos da Atlas Network”, diz ela, em referência à rede internacional de organizações liberais.

Oposição à diretoria da UNE (União Nacional dos Estudantes), o EPL também atua nacionalmente como concorrente na venda de carteiras de estudantes. “Queremos acabar com o monopólio oferecendo uma opção. Ao contrário da UNE, não temos vínculos partidários e não queremos ter”, finaliza.  

Relação com o MBL 

Discreto, o EPL está na origem de uma entidade bem mais famosa: o MBL (Movimento Brasil Livre), cujo porta-voz, Kim Kataguiri, é membro do Estudantes Pela Liberdade e realiza palestras em eventos apoiados pela sigla. 

Com a inquietação dos integrantes do EPL perante as manifestações que começaram a ocorrer após a reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, o grupo queria levar adiante um projeto mais incisivo que o anterior. 

Problema: apoiado à época por entidades norte-americanas como a Atlas Network e o Students for Liberty, o EPL não podia assumir em manifestações seu engajamento, devido à restrição da receita dos EUA de ajudar financeiramente ativistas políticos. “A gente resolveu criar uma marca”, disse Juliano Torres, diretor executivo do EPL, em entrevista datada de 2015 à Agência Pública. “Era só para aparecer nas manifestações como Movimento Brasil Livre. Então juntou eu, Fábio [Ostermann, cientista político que concorreu à prefeitura de Porto Alegre em 2016], Luiz Felipe França e mais umas quatro ou cinco pessoas. E aí acabaram as manifestações, acabou o projeto”. 

À procura de alguém que tocasse a sigla, que já acumulava mais de 10 mil curtidas no Facebook em 2014, Torres encontrou em Kataguiri e Renan Santos os nomes ideais para a tarefa. Com um aceno aos descontentes com o governo, o MBL foi peça fundamental no processo que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff, pouco menos de dois anos depois. 

ATUALIZAÇÃO: O Movimento Brasil Livre procurou a reportagem da Gazeta do Povo para se pronunciar a respeito do tema. Segundo o comunicado, a única relação entre os dois grupos foi o uso de uma antiga página do Facebook criada pelo EPL, que estava abandonada, para divulgar manifestações contra o governo Dilma. 

Na versão do MBL, a primeira manifestação do grupo ocorreu quando a organização não tinha sequer nome formal, em novembro de 2014. Então eles buscaram uma página de Facebook que estivesse sem uso e que servisse para divulgar as atividades do movimento. “Acaba aí a relação do MBL com o EPL. O EPL jamais participou da organização de qualqeur ação do MBL”, diz o comunicado.

Students for Liberty Brazil 

Sem ligação com o EPL e uma instituição afiliada ao SFL norte-americano, o Students for Liberty Brasil surgiu como um “spin-off” da organização, segundo o diretor executivo Fernando Miranda. “Nossa última seleção teve 1.800 líderes inscritos. Desses, mais de 1.000 são novos. Temos líderes em todos os estados brasileiros”, conta ele, que define como objetivo primordial da organização educar, desenvolver e encorajar as lideranças ligadas à sigla. 

Sobre a atual situação dos meios acadêmicos, Miranda assume uma postura mais crítica que Débora Gois. “Ou você é de esquerda, ou é obrigado a ficar calado para não sofrer represália, principalmente em cursos mais aparelhados como alguns das ciências humanas”, afirma. “Acredito que os jovens brasileiros são inteligentes o bastante para reconhecer o que é ou não opinião do professor. Mas, a partir do momento que você não pode oferecer uma visão distinta por medo de sofrer algum tipo de represália, nós temos um problema que precisa ser combatido”, prossegue.

O EPL e o SFL Brasil podem ter objetivos idênticos, mas não falam a mesma língua: na origem do SFL Brasil, está um desentendimento interno do EPL. No ano passado, membros do SFL Brasil acusaram integrantes do EPL de má gestão. O EPL negou as acusações enfaticamente, e prometeu agir contra as “tentativas de sabotagem”

A divergência talvez seja um sinal de que o movimento estudantil liberal tem se aproximado da esquerda não só no tamanho da influência, mas também nas divisões internas.

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