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Mesada

Pequenos poupadores

Esqueça a velha mesada. Para ensinar as crianças a organizarem suas finanças, o ideal, segundo especialistas, é apostar na semanada, colocar as contas na ponta do lápis e dar bom exemplo. Veja quais são os erros e acertos comuns dos pais na hora de d

  • Rafaela Bortolin
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Muito diálogo, planejamento das contas, bom exemplo e até alguns “nãos” de vez em quando. Segundo os especialistas, esta fórmula não faz mágicas, mas ajuda muito na hora de os pais ensinarem as crianças a organizarem suas finanças, a lidarem com dinheiro de maneira saudável e a fugirem do consumismo descontrolado.

O ideal, segundo Bernadette Vilhena, educadora financeira infantil e colunista do site Dinhei­­rama, é investir na semanada, quando os pais fracionam o valor e entregam uma quantia por semana.

“Como a noção de tempo da criança é diferente da do adulto, ela não consegue compreender que, na mesada, precisaria se organizar para passar trinta dias com aquele valor. Então é mais fácil reduzir esse intervalo e criar um ‘dia da semanada’, para conversar sobre os gastos e entregar o valor definido para aquele período”, explica.

O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR) Carlos Magno Andrioli Bittencourt concorda com a semanada, mas ressalta que não adianta somente dar o dinheiro na data combinada. “Os pais precisam conversar sobre o valor das moedas e notas, deixar claro o planejamento dos gastos e ajudar a criança a controlar e a anotar todas as suas despesas, de maneira que ela saiba exatamente o quanto pode gastar”, diz ele.

E o economista garante: nos primeiros anos, o valor da semanada é o que menos importa. “Em geral, ela quer gastar com doces, sorvetes, lanches e brinquedos pequenos. Assim, R$ 10 por semana para um adulto pode parecer pouco, mas, para uma criança, tem um poder de compra incrível.”

Incentivo

Oferecer dinheiro para que o filho ajude nas tarefas domésticas ou tire notas boas na escola, é proibido, mas há um jeito bastante educativo de os pais ensinarem os pequenos a serem empreendedores – e ainda ganharem uma grana extra. “Não são raras as crianças que se propõe a montar pequenas bijuterias ou preparar biscoitos e bolos para vender para os familiares, vizinhos e amigos. Isso é ótimo e deve ser incentivado”, explica Bittencourt. A única ressalva é ficar de olho no comportamento dos filhos. “Se eles deixam de estudar, brincar e se divertir só para produzir mais e ganhar mais dinheiro, está na hora de conversar e reduzir o tempo dessa atividade”, diz Bernadette.

Nada melhor que o velho cofrinho para aprender a poupar.

Certo

O ideal é ter um cofrinho onde ela possa guardar seu dinheiro e separar a quantia em envelopes coloridos etiquetados conforme o seu uso. Assim, mesmo que não saiba ler, ela pode identificar que o envelope amarelo contém o que ela deve gastar com o lanche da escola e o azul é para o que ela poupou na semana anterior.

O valor da semanada depende do planejamento de pais e filhos.

Certo

O ideal é que, semanalmente, pais e filhos façam uma lista e ponham na ponta do lápis todos os gastos da criança que devem ser pagos com a semanada, tudo de valor que ela planeja comprar em breve. Os adultos podem interferir perguntando se ela precisa mesmo daquele brinquedo ou roupa, e se não vale mais a pena investir em outras coisas. Pode-se começar aos poucos, incluindo somente o valor do lanche da escola, a compra de um doce no fim do dia e uma sobra que será poupada, e, conforme a criança for se sentindo segura, acrescentar gastos com idas ao cinema, passeios e saídas com os amigos.

Para as crianças, semanada é melhor que mesada.

Certo

Como a noção de tempo da criança é diferente da do adulto, ela não consegue compreender que, na mesada, precisa se organizar para passar trinta dias com aquele valor. Então é mais fácil reduzir esse intervalo e criar um “dia da semanada”, para conversar sobre os gastos e entregar o valor definido para aquele período.

Não tem problema dar dinheiro toda vez que a criança pede.

Errado

Se o combinado é que a criança receba R$ 10 para lanchar na escola durante toda a semana e ela gastou tudo no primeiro dia com guloseimas, os pais não podem recompensá-la com mais dinheiro, pois seria uma forma de incentivar o descontrole. Neste caso, explique porque o que ela fez foi errado, ressalte que ela só receberá a próxima semanada na data estipulada anteriormente e faça ela levar lanche de casa nos próximos dias.

Somente mais velha a criança pode começar a receber dinheiro.

Errado

Com 3 ou 4 anos, os pais podem dar um valor simbólico ou moedinhas de troco no fim do dia e incentivar a criança a poupar. A partir do período de alfabetização, entre os 6 e 7 anos, a semanada é bem-vinda.

Dar o dinheiro periodicamente é suficiente para educar financeiramente.

Errado

É importante conversar sobre o valor das moedas e notas, deixar claro o planejamento dos gastos e ajudar a criança a controlar e a anotar todas as suas despesas, de maneira que ela saiba exatamente o quanto pode gastar.

Exemplo é fundamental.

Certo

Não adianta os pais quererem ensinar os filhos a serem econômicos se vivem endividados. Os adultos precisam manter as contas sempre equilibradas e garantir um diálogo aberto e tranquilo sobre dinheiro, sem gritos e ameaças.

Se a criança se comporta mal e tira notas baixas na escola, os pais podem reduzir ou cortar a semanada.

Errado

O melhor é conversar, entender o motivo e, se preciso, reduzir o tempo no computador ou no videogame. Cortar a semanada, não, a menos que a família realmente não tenha condições de pagar. Também é ilusão achar que não tem problema os pais atrasarem o pagamento ou darem um valor diferente do combinado. Como todo acordo, a semanada deve ser cumprida à risca.

Negociação e lista de compras evitam estresse na hora de ir ao supermercado ou ao shopping.

Certo

Para evitar birra, peça que a criança ajude a montar a lista de compras e incentive-a a fazer pesquisa de preços, comparando os valores dos produtos que quer comprar. Se no supermercado o filho pede por algo que não estava combinado ou quer o item mais caro, os pais devem explicar que não podem levar porque ele não está na lista ou porque há outras opções iguais, mas mais em conta. Se a criança insistir, é possível negociar: ela pode até levar o produto escolhido, mas terá que pagar aos pais por ele, seja com o dinheiro da semanada atual ou com desconto nas próximas.

Filhos de idades diferentes devem receber a mesma quantia, para não gerar ciúmes.

Errado

Os pais devem calcular as despesas de cada filho e dar o valor condizente com os gastos de cada um. Eles devem explicar para ambos o porquê dessa diferença e ressaltar para o caçula que o irmão um dia teve a sua idade e ganhava um valor menor, mas que, quando ele crescer, também vai receber um pouco mais.

Fontes: Bernadette Vilhena, pedagoga empresarial e colunista do site especializado Dinheirama. Carlos Magno Andrioli Bittencourt, economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR).

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