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Professor herói: os desafios de ensinar nas escolas públicas

De falta de estrutura nas escolas a lacunas na formação, são muitos os obstáculos a serem contornados pelos educadores na busca por um ensino de qualidade

  • Sharon Abdalla
 | Henry Milleo/Arquivo Gazeta do Povo
Henry Milleo/Arquivo Gazeta do Povo
 
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Peça-chave no processo de ensino-aprendizagem, muito se espera e se cobra do professor – ainda mais na rede pública de ensino. O que muitos se esquecem, no entanto, é de que ele não responde sozinho pelos bons resultados em sala de aula. Para que os alunos aprendam, é necessário que um conjunto de fatores funcione e se una na receita que resulta em uma educação bem-sucedida.

A participação ativa das famílias e o cumprimento das atribuições do estado são alguns dos ingredientes que deveriam compor tal receita. Como muitas vezes eles são deficitários, cabe ao professor assumir o papel de “herói”, enfrentar os obstáculos do dia a dia e levar adiante sua missão de educar.

Conheça alguns dos obstáculos que os professores do ensino público enfrentam na sala de aula.

Estrutura precária

A falta de estrutura das escolas públicas é um dos primeiros e mais evidentes entraves para o pleno desenvolvimento da educação. E ela não diz respeito somente à estrutura física dos prédios, cuja falta de manutenção é muitas vezes visível, mas também à falta de mobiliário e até de cortinas para bloquear a luminosidade e proporcionar o conforto necessário para que os estudantes possam se concentrar na aula. “O aluno entra no sexto ano com uma altura e estuda até o nono [ou até o final do ensino médio] na mesma carteira, que não cresce junto com ele. Isso causa desconforto, que é um dos fatores que geram indisciplina”, ilustra o professor, diretor e mestre em educação profissional, Adão Aparecido Xavier.

Deficiências na formação

Muito discutida entre os especialistas, as deficiências na formação profissional são lacunas que os professores precisam preencher no dia a dia em sala de aula. No ensino superior, a queixa é a de que a teoria e a didática ensinadas na academia estão distantes da realidade das escolas. Já na formação continuada oferecida pelo estado, a crítica dirige-se ao modelo das atividades propostas. Segundo os professores, as discussões estão descoladas da formação de que eles precisam para melhorar a prática de ensino e a troca de experiência entre os colegas.

Sistema de ensino antiquado

A forma como o ensino está estruturado (currículo e metodologia) e as deficiências de aprendizado acumuladas nas etapas anteriores são outros desafios à qualidade da educação. Os professores argumentam que a escola de hoje é a mesma da de décadas atrás, organizada em um sistema ordenado de carteiras enfileiradas e pouca correlação entre as disciplinas, o que resulta em um tipo de aula que não é o mais adequado para esta geração. “Fazer uma aula mais dinâmica, nas quais os estudantes possam se posicionar e refletir, é impossível em uma sala com 30 alunos. Do modo como o sistema é construído, você não consegue dar uma aula que os envolva e fuja daquele modelo no qual o professor detém o conhecimento e simplesmente o transmite aos alunos”, avalia a professora Sarah Roeder.

Falta de materiais

A falta de materiais é outro obstáculo a ser superado em sala de aula. De acordo com os professores, são comuns os casos de profissionais que pagam do próprio bolso a impressão de provas ou a compra de equipamentos para que possam realizar as avaliações ou tornar as aulas mais atrativas. “Eu já aluguei filmes e imprimi textos, pois as escolas costumam ter limites de folhas para impressão”, conta o professor Fernando Melo. Outra dificuldade refere-se à utilização de equipamentos eletrônicos (como projetores) que, ou não estão presentes em todas as escolas, ou precisam ser reservados com antecedência (quando estão funcionando). “Assim, o professor acaba tendo que trabalhar com os recursos imediatos, que são a voz, o giz e o livro didático”, resume Xavier.

Sem reconhecimento

A postura de indiferença dos estudantes perante a figura do professor e a falta de participação ativa das famílias no processo de ensino-aprendizagem também estão entre os pontos que pesam sobre a rotina escolar. De acordo com Melo, as questões socioeconômicas das famílias fazem com que, muitas vezes, os professores acabem assumindo papéis que não lhes cabem, como o de pais ou psicólogos, ou que os estudantes não tenham noções de respeito e educação, que devem partir de casa. Sarah acrescenta que, no geral, quando os pais se mostram ativos, o fazem no sentido de culpar os professores sobre o baixo desempenho do filho, ao invés de cobrar do filho que cumpra com a sua parte no processo. “O fator externo é uma perna do tripé formado pela escola, a sociedade e o estado. Se um deles falta, ou os outros suportam o peso ou também não vão bem, e esta deficiência se reflete no aluno”, completa Xavier.

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