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Docência e pesquisa

Eles não querem sair da "facul"

Quem escolhe a carreira acadêmica deve estar preparado para muito estudo e empenho para manter-se atualizado e em destaque

  • Adriana Czelusniak
Aos 47 anos, o engenheiro biomédico e professor universitário José Carlos da Cunha acabou de concluir o doutorado |
Aos 47 anos, o engenheiro biomédico e professor universitário José Carlos da Cunha acabou de concluir o doutorado
 
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Enquanto grande parte dos estudantes conta os dias para que a formatura chegue logo para sair da faculdade, há um grupo de alunos que não abandonará os laboratórios e as cadeiras universitárias tão cedo. São aqueles que decidiram seguir a vida acadêmica.

Mais do que dar aulas, a carreira docente envolve atividades relacionadas à pesquisa, criação de novas tecnologias, inovação e projetos que contribuem para o desenvolvimento do país. Entre as graduações que mais formam futuros professores e pesquisadores, além das licenciaturas, estão Direito, Educação, Administração, Saúde e Engenharia, especialmente a de Produção, de acordo com Daniella Forster, coordenadora do PUC Talentos e coach executivo.

Cursar uma pós-graduação stricto sensu é a escolha padrão para quem quer investir na carreira acadêmica. Quanto mais avançada a titulação, melhores as chances de ascensão na estrutura de cargos e salários das universidades. Após a graduação, há quem ingresse diretamente em um mestrado, que conduz à produção de uma dissertação em cerca de dois anos. O passo seguinte é o doutorado, que exige aproximadamente quatro anos de pesquisa e resulta em uma tese, cujo grau de ineditismo é maior do que o esperado no mestrado.

O pós-doutorado, ou pós-doc, não conta como um nível formal de titulação, segundo o assessor de pós-graduação da Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Alexandre Moeckel. “O pós-doc acaba surgindo naturalmente ao longo dos anos em função da necessidade de se especializar em determinado tema de pesquisa ou para estimular trabalhos conjuntos com instituições e grupos de pesquisa já consolidados”, conta.

Trajetória

A escolha entre engatar mestrado e doutorado à graduação e seguir para o pós-doc logo depois – o que poderia levar pelo menos 12 anos de estudo – ou fazer intervalos entre os cursos é pessoal e, segundo os especialistas, não há uma fórmula a ser seguida. Segundo Cláudia Quadros, professora do programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná, há quem prefira fazer tudo direto por achar que “já está no pique”.

Mas vale considerar que é preciso tempo para mergulhar em pesquisas, o que significa ter menos tempo para lazer, família e amigos. “A vida acadêmica não é fácil. A pessoa tem de abrir mão de muita coisa. Ao fazer o mestrado, a gente se bate muito, pois está aprendendo a metodologia científica. No doutorado, já se tem mais tempo e experiência, mas a exigência é maior”, afirma.

Para Moeckel, essas dificuldades e o perfil do aluno devem ser levados em conta antes de decidir se vale a pena investir na carreira acadêmica. Segundo ele, não é difícil ingressar no mestrado, difícil é elaborar um trabalho que possa ser facilmente defendido perante uma banca de críticos com vasto conhecimento na área. “Iniciar um mestrado ou doutorado e não conseguir concluir é frustrante para o aluno e para o orientador. Então, é válido buscar algo com que se tenha afinidade realmente para que se possa enfrentar esse caminho cheio de pedras e etapas para cumprir”, diz.

Cuidados necessários

Cursar um mestrado, um doutorado ou ter vaga em uma sala de aula na universidade não é o suficiente para quem está na carreira acadêmica. Confira alguns cuidados que precisam ser tomados para garantir um currículo exemplar:

>> Se o inglês já está bem encaminhado, não deixe de aprimorá-lo ou de buscar outra língua. Idiomas estrangeiros contam pontos para a vida acadêmica e podem ajudar mais à frente, se houver o desejo de uma experiência internacional.

>> Quando a intenção é assumir o papel de professor, vale investir na prática da docência em sala de aula ainda como estagiário, para poder adquirir experiência e buscar aprimoramentos específicos.

>> Informe-se sobre as possibilidades de conseguir bolsas em órgãos de fomento como Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação Araucária. Verifique também se sua universidade tem convênios com instituições estrangeiras.

>> Há quem diga que a diferença entre os doutores está no número de publicações de cada um. De fato, é fundamental buscar a publicação de artigos em revistas de alto reconhecimento no meio acadêmico para ser credenciado como bom pesquisador perante a comunidade científica.

>> Se a intenção é ingressar em um mestrado, o primeiro passo é definir bem a área e o objetivo de estudo. É preciso produzir novos conhecimentos. Encontrar o professor orientador certo também é importante para crescer profissionalmente. No meio, dizem que bons orientadores formam bons pesquisadores.

>> Ter o currículo atualizado na plataforma Lattes (www.lattes.cnpq.br) é uma exigência para programas de mestrado e doutorado. É lá que se registram informações sobre a produção intelectual, como artigos apresentados e publicados; estágios e cursos concluídos. A dica é atualizá-la ao menos uma vez por ano ou toda vez que terminar um curso ou conseguir alguma publicação.

>> Pode-se começar a investir na carreira docente ainda no ensino médio. Há uma tendência de ver com bons olhos os estudantes que participam de projetos como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr) ou que fez iniciação científica durante a graduação.

>> Participar de grupos de pesquisa, da universidade ou de outras instituições, é importante para manter-se atualizado, conhecer opiniões sobre o próprio trabalho e avançar na pesquisa. Os grupos são registrados pelo CNPq e, geralmente, têm encontros mensais.

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