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Didática

O desafio de avaliar (bem) os professores

Adotar sistemas para mensurar o desempenho dos docentes em aula é o caminho para melhorar a qualidade do ensino, mas, sem feedback adequado, processo não passa de formalidade

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Avaliar o desempenho de docentes nas universidades traz benefícios inegáveis para o processo de ensino-aprendizagem. Contudo, por mais que existam vários instrumentos de acompanhamento, nem sempre eles são aplicados de maneira adequada. O feedback é uma etapa essencial para que o processo seja eficiente, o que não ocorre na grande maioria das instituições, segundo especialistas.

Os mecanismos de avaliação de ensino mais comuns em universidades públicas e privadas contam com a participação de alunos, pares e do professor avaliado (na autoavaliação). Independentemente do método, o feedback deve fazer parte do sistema. O empresário Bill Gates, que financia diversos estudos para desenvolver um melhor sistema de avaliação do ensino, defendeu, em artigo publicado no The New York Times, que os testes devem ser usados para que o professor receba um feedback e entenda os aspectos positivos e as deficiências de sua aula.

Sem devolutivas, as avaliações tornam-se uma formalidade e deixam de surtir efeito sobre o aprimoramento do professor. O retorno não pode ser limitado para que a eficácia não se perca. O feedback deve ser informativo. “Apenas entregar o resultado para o professor não é suficiente. É preciso ter alguém que trabalhe exclusivamente com esse processo para interpretar os resultados e passá-los para o professor de forma construtiva, para que ele possa aproveitá-los para melhorar o seu desempenho”, pondera o vice-presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave), Robert Verhein.

Para Verhein, a falta de feedback adequado é o principal problema para melhorar o ensino no Brasil. Ele lembra que no exterior, como nos Estados Unidos, há centros específicos nas universidades que dão auxílio e oferecem recursos didáticos para ajudar no aprimoramento no professor. “Se o resultado não chegar ao professor de forma que promova esse aprimoramento, não serve para nada”, afirma o especialista em Avaliações Métricas Educacionais e diretor-geral do instituo de avaliação Primeira Escolha, Tadeu Da Ponte.

Dificuldades

Apesar da exigência, dar e receber feedback não é tarefa fácil. Necessita preparo e acompanhamento. Da Ponte cita como exemplo o programa de observação de aulas por pares promovido pelo Insper, em São Paulo, desde 2005. “Para que o programa fosse bem sucedido, no começo, preparamos os professores sobre dar e receber feedback. Depois que eles receberam a ferramenta e a preparação, o programa deslanchou, ficou muito mais fácil.”

Boa postura em sala de aula conta pontos

No Centro Universitário Cesumar (Unicesumar), em Maringá, os professores e o processo de ensino são avaliados por um método “instantâneo”, aplicado há quatro anos na instituição. Nesse sistema, professores e alunos são avaliados pela postura que adotam durante a aula.

Duas vezes por mês, os coordenadores de curso fiscalizam as salas de aula a partir de uma observação a distância. “É uma avaliação muito rápida, por isso instantânea. Ele não entra na sala, apenas analisa a postura pelo vidro [das portas]”, explica o reitor Wilson de Matos Silva. Durante a avaliação, todos devem estar em estado de alerta, que, segundo Silva, é o estado de aprendizagem. “Como aprender é um processo cognitivo, o aluno deve estar em estado de alerta. Quando o corpo está ativo, o cérebro também está. E o professor deve estar em posição de ensino.”

Os alunos devem estar sentados com musculatura ereta, apoiados no encosto da cadeira e com os dois pés no chão. O professor deve estar em pé, circulando pela sala e se comunicando. O coordenador avalia a aula pelos itens bom, médio e ruim e, quando há persistência do estado ruim, o professor é chamado para um treinamento.

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