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No laboratório

Energia que vem da universidade

De olho em uma demanda da sociedade contemporânea, professores e estudantes debruçam-se sobre pesquisas em busca de novas fontes de energia renovável

  • Ágatha Déa, especial para Gazeta do Povo
O professor Nathan Mendes é o idealizador de um software usado em todo o país que simula a eficiência energética em edificações. |
O professor Nathan Mendes é o idealizador de um software usado em todo o país que simula a eficiência energética em edificações.
 
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A discussão de uma iminente crise energética no Brasil ganhou força nas últimas semanas devido ao baixo nível de água em reservatórios e ao consumo desenfreado de energia pela população. Em um cenário como esse, encontrar e desenvolver fontes alternativas e renováveis torna-se imprescindível e as universidades desempenham papel importante nesse processo. No Paraná, os setores público e privado têm apostado em estudos acadêmicos em busca de novos caminhos.

E alguns projetos já trazem resultados. É o caso do software Domus-Procel Edifica, desenvolvido na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que possui outros sete projetos na linha de energia. Criado para simular a eficiência energética em edificações, o programa auxilia edifícios a receberem a Etiqueta de Eficiência Energética, concedida por órgãos credenciados pelo Inmetro.

Segundo o idealizador e coordenador do projeto, Nathan Mendes, o objetivo do software é fazer simulações com variáveis de umidade, calor, consumo e demanda de energia a fim de proporcionar o máximo de conforto, evitando o desperdício de eletricidade. “Nos Estados Unidos e na Europa, os softwares de simulação energética de edificações são utilizados desde 1970. Portanto, em vista desse panorama, na década de 1990, resolvemos iniciar o primeiro projeto nessa área no Brasil”, comenta Mendes.

Investimento

O coordenador lembra que faltavam recursos no começo da pesquisa, mas, por meio do apoio de órgãos como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Eletrobras firmou parceria com a instituição e investiu R$ 1,75 milhão no projeto. “É um grande ganho para a PUCPR, para os alunos que participaram e para a sociedade em geral. O Domus é um programa de interface simples inspirado em modelos internacionais, adaptado às necessidades do Brasil. Graças à parceria com a Eletrobras, o software está sendo usado em 26 unidades da federação e já possui reconhecimento internacional”, diz.

Para o mestrando Bruno Miyawaki, envolvido com pesquisas energéticas na Universidade Federal do Paraná (UFPR), mesmo com algumas parcerias, existe grande dificuldade de trabalhar com pesquisa em energias, já que ainda há distanciamento entre universidades e o setor produtivo. “Pesquisas de ponta necessitam de grandes investimentos, tanto em equipamentos como na formação de mão de obra qualificada. As indústrias brasileiras ainda não exploram o grande potencial presente nas instituições de ensino”, aponta.

Na UTFPR, foco é na energia solar

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) também possui projetos relacionados a energias alternativas. De acordo com o professor dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia de Automação Jair Urbanetz Junior, todas as pesquisas visam disseminar tecnologias que envolvem energias alternativas. “Trabalhamos em especial com a energia solar fotovoltaica, responsável em gerar energia elétrica diretamente da luz do sol e mostrar a viabilidade de utilização dessa fonte de energia no estado do Paraná”, diz Urbanetz.

Marcha lenta

Na opinião do pesquisador, os projetos com energias renováveis ainda se desenvolvem de forma tímida no Paraná. “Essas pesquisas trazem retornos baixos, mas acredito que, em curto prazo, o uso de fontes renováveis não convencionais de energia elétrica farão parte do nosso cotidiano. A maior dificuldade é falta de investimentos para que os projetos se desenvolvam com maior velocidade e com os recursos materiais e humanos adequados.”

Urbanetz conta que projetos da UTFPR têm despertado interesse na iniciativa privada e devem resultar em parcerias. “Por enquanto, os recursos ainda são escassos e pontuais”, lamente.

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