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As graduações campeãs de desistência

Alguns cursos concentram a maior parte das evasões nas universidades. Entre as causas estão a dificuldade das aulas, a facilidade do ingresso e a falta de vocação

  • Anna Simas
Felipe Batista Lago abandonou o curso de Engenharia Civil em menos de seis meses. Agora, ele faz Educação Física |
Felipe Batista Lago abandonou o curso de Engenharia Civil em menos de seis meses. Agora, ele faz Educação Física
 
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Em média, dois em cada dez estudantes brasileiros desistem do curso superior que iniciaram. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) indicam que as graduações com maior índice de evasão são Processamento da Informação (36%), Marketing (35%) e Ciências da Computação (32%). Porém o ranking dos campeões de desistência não é o mesmo para todo o país, o quadro varia conforme o estado e a universidade.

Embora as instituições de ensino não divulguem os números oficiais, é consenso entre pró­-reitores e coordenadores das faculdades que os cursos que têm mais vagas remanescentes são aqueles com menor procura no processo seletivo. “Nos cursos com baixa demanda, os índices de desistência chegam a 30%”, diz o coordenador ­executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), Maurício Klenke.

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, entre os cursos com maior porcentual de evasão estão Ciências Econômicas, Física e Filosofia, que, além da baixa relação candidato/vaga – entre 2 e 4 –, têm baixas no tas de corte no vestibular. “Nos cursos mais concorridos, em que o estudante precisa se dedicar muito para entrar, a desistência é muito mais baixa. É o que acontece com Medicina, por exemplo”, explica a pró­reitora de Graduação da UFPR, Maria Amélia Sabbag Zanko. De acordo com o Inep, o índice de desistência de Medicina no país é de 4%.

Motivos

Existem outros fatores responsáveis pela desistência, entre eles a dificuldade do curso, os problemas financeiros para o aluno se manter na universidade e a vocação do estudante, que muitas vezes só percebe que fez a escolha errada depois de cursar alguns períodos.

No primeiro caso, cursos de Engenharia, Matemática, Física e outros da área de Exatas são os que mais causam evasão. O motivo é simples: os alunos não conseguem acompanhar disciplinas difíceis do primeiro ano, como Cálculo, e em muitos casos reprovam, o que desestimula a continuar na carreira. Na Unicamp, por exemplo, a taxa de evasão em Engenharia é de 25%.

O estudante Felipe Batista Lago, 23 anos, se enquadra nesse tipo de situação. Desistiu da Engenharia Civil para cursar Educação Física. Além de ter iniciado o curso por pressão familiar, ele teve dificuldades logo no começo, o que o levou à desistência em menos de um semestre. “Era bem puxado, exigia muito. Eu nem cheguei a reprovar, pois era em regime anual e desisti antes”, comenta.

No caso de problemas financeiros, não existe um curso que seja mais afetado. A desistência depende diretamente da condição socioeconômica de cada estudante. Mesmo que universidades públicas tenham políticas de inclusão social e bolsas de auxílio para manter o aluno estudando, a necessidade de trabalhar ou de conciliar o emprego com as aulas também é um complicador. Por isso, um mesmo curso que tenha dois turnos, um diurno e um noturno, geralmente terá mais desistências pela manhã.

A falta de vocação também contribui para o abandono do curso, já que a escolha é feita muito cedo, entre os 16 e 17 anos, e nem sempre o jovem sabe exatamente o que faz a profissão. “Fora isso, tem um problema de estruturação dos cursos, que deixam as disciplinas profissionalizantes, que são as mais atraentes, para o final. O estudante acha que a graduação não é o que queria e desiste”, explica Maria Amélia.

Conte a sua experiência. Você já desistiu de alguma graduação? O que motivou o abandono? Deixe seu comentário.

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