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Ex-líder do Vem Pra Rua agora vai para a política. E mira alto: quer ser governador

Recém-filiado ao Partido Novo e pré-candidato ao governo de São Paulo, Rogério Chequer aposta na pauta da renovação para emplacar uma campanha sem os recursos do Fundo Partidário

  • Giulia Fontes, especial para a Gazeta do Povo
  • Atualizado em às
Atualmente empresário do ramo da comunicação, Rogério Chequer nunca havia cogitado ser candidato até que começou a ser procurado por “alguns partidos” | Facebook
Atualmente empresário do ramo da comunicação, Rogério Chequer nunca havia cogitado ser candidato até que começou a ser procurado por “alguns partidos” Facebook
 
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Depois de liderar manifestações contra a então presidente Dilma Rousseff, a partir de 2014, Rogério Chequer se afastou do movimento Vem Pra Rua. O motivo é o que o grupo classifica como um “conflito de interesses”: quatro anos depois de iniciar as mobilizações contra a petista, ele decidiu se lançar como candidato nas eleições de 2018.

“Ao longo de 2017 recebi vários convites de alguns partidos e comecei a cogitar a candidatura, que nunca tinha passado pela minha cabeça”, conta Chequer. Entre as legendas que o procuraram – as quais Chequer não enumera –, o escolhido foi o Novo. Fundado por João Amoêdo, pré-candidato à Presidente, o Partido Novo foi o único que atraiu o ex-líder dos manifestantes de verde e amarelo. “O convite que eu realmente considerei foi o do Novo por ser uma proposta de fazer política de um modo diferente, separando o interesse público do privado.”

Para a primeira candidatura, o engenheiro de produção formado pela USP (Universidade de São Paulo), que hoje trabalha como publicitário, resolveu ousar. Logo de cara sairá candidato ao governo do estado de São Paulo, numa tentativa de ingressar na vida pública sem escalas no Poder Legislativo.

LEIA TAMBÉM: “Irmão” do Vem Pra Rua nos protestos anti-Dilma, MBL admite que é um partido político

O critério foi o “ fator de impacto” dos cargos disputados em eleições majoritárias. “As possibilidades de fazer a diferença no Poder Executivo são muito maiores do que em funções disputadas nas eleições proporcionais [para deputado]. Acredito que mudar a forma de fazer gestão pública no estado de São Paulo pode mostrar para a população que é possível fazer política de um jeito diferente”, afirma.

Entre os obstáculos, bolsos vazios

A ousadia, entretanto, parece ter poucas chances de sucesso diante de alguns fatos inegáveis da realidade. Chequer terá de se impor, sem utilizar recursos do Fundo Partidário, em um cenário com campanhas políticas caras e extremamente profissionalizadas. A restrição vem de cima: contrário ao financiamento público para os partidos, o Novo está mantendo o dinheiro do Fundo parado no banco.

O pré-candidato, que trabalhou por anos no mercado financeiro, parece não se incomodar. Ao contrário, aplaude o posicionamento do partido. “Sempre fui contra o financiamento público, mesmo antes de me filiar. Acho que isso desvirtua a representação política e obriga os cidadãos a dar dinheiro para partidos com os quais eles não concordam.”

Para driblar a inicial escassez de dinheiro, Chequer deve recorrer a doações de apoiadores. Sobre as consequências de uma campanha mais barata, o que consistiria em uma desvantagem logo de início, ele é otimista – e, talvez, excessivamente romântico.

“Eu acredito que, mesmo com menos dinheiro, vamos fazer uma campanha eficiente, que toque os eleitores ao falar a verdade. O povo não quer mais campanhas caras que estão mancomunadas com grupos de interesse. O anseio, agora, é por candidatos que gastem menos dinheiro e que estejam voltados exclusivamente aos serviços prestados à população”, diagnostica.

Programa do Novo tem pontos nebulosos, mas privatizações são certas

Outros posicionamentos do partido do ex-líder do Vem Pra Rua, entretanto, são nebulosos. Em uma seção de dúvidas frequentes em seu site, o Novo responde, por exemplo, que “não acredita que rótulos antigos sejam uma boa definição de sua ideologia”. Chequer assina embaixo. “Existe uma distorção de conceitos como direita e esquerda, o que torna perigoso tentar rotular qualquer um”, diz.

Na mesma linha, o Novo afirma não se posicionar sobre assuntos como a legalização do aborto ou o uso de drogas, por considerar que são questões “que devem ser discutidas pela sociedade enquanto atuamos em outras prioridades para o país”. Uma rápida consulta ao que o partido coloca como seus principais valores, entretanto, evidencia princípios típicos de uma agenda liberal. “Somos a favor das liberdades individuais e contra a interferência do Estado nas escolhas pessoais de cada um”, resume Chequer.

Os princípios do Novo se traduzem em um programa de governo baseado em privatizações. Saúde, educação, infraestrutura e transporte são algumas das áreas que, de acordo com o pré-candidato, deveriam ter setores passados à iniciativa privada ou tocados por empresas particulares em parceria com o setor público.

SAIBA MAIS: Candidato do Novo à Presidência defende privatização de todas as estatais e fala de temas como sobre desarmamento, casamento gay, aborto e drogas

Por enquanto, além disso, Chequer bate na tecla da renovação. “A gestão pública tem que estar voltada para a população e não para a perpetuação do poder. O modelo atual visa lotear o governo para a manutenção do poder nas eleições seguintes. Precisamos quebrar estes velhos hábitos.”

Se eleito, contudo, Chequer pode enfrentar um cenário em que os “velhos políticos”, que tanto critica, sejam peças-chave para a concretização de suas decisões – a não ser que a bandeira da renovação cole entre os eleitores, também, nas eleições para parlamentares federais e estaduais. Se a pauta não vingar na escolha dos deputados, a aposta do pré-candidato será o diálogo. “É preciso debater com a sociedade e com a Assembleia Legislativa antes de chegar à conclusão de que não há outra forma de fazer”, diz.

Só as urnas dirão se o doce cenário que ele prevê se tornará realidade.

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