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Ponta Grossa

Melhorar saúde pública é desafio para próximo prefeito

Cidade tem estrutura enxuta para atender Ponta Grossa e a região, abrangendo um público de 800 mil pessoas

25/08/2012 | 01:02
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Com o filho Fábio, de 12 anos, com crise estomacal, a dona de casa Adriane Serzoski teve que esperar oito horas por uma consulta médica em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Com a senha de atendimento em mãos, ela foi para casa, a 30 minutos de ônibus da unidade de atendimento, e voltou após o almoço. O caso de Fábio era simples, mas não havia médico disponível para fazer o atendimento imediato. O caso de Adriane ilustra parte dos problemas enfrentados na área de saúde pública em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. A cidade tem os piores indicadores entre os municípios de mesmo porte do estado.

Ponta Grossa tem 311 mil habitantes, mas atende perto de 800 mil pessoas ao envolver os municípios da região que dependem dos serviços existentes na cidade. O município tem nove hospitais públicos e filantrópicos, 50 postos de saúde e várias clínicas particulares, mas encontra na atenção primária seu principal gargalo.

Confira as principais propostas dos prefeituráveis de Ponta Grossa para a área de saúde:

Márcio Pauliki (PDT)

- Compra de cinco ambulâncias e uma UTI móvel; - Criar o Ônibus da Cidadania – clínica móvel nas áreas de odontologia e medicina preventiva; - Buscar apoio do governo federal para a criação da terceira Unidade de Pronto Atendimento (UPA); - Mais Vida: um programa voltado à qualidade de vida das pessoas com mais de 60 anos de idade; - Clínica dos Olhos: vai congregar consultórios, centro de diagnóstico e área cirúrgica;

Péricles Mello (PT)

- Capacitar os profissionais de saúde e garantir acesso a diagnóstico e tratamento para os usuários dos postos de saúde; - Ampliar as equipes de saúde com fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, assistentes sociais e educadores físicos; - Reorganizar o sistema de saúde local conforme as diretrizes do Ministério da Saúde; - Implantar o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), a Rede Cegonha, a rede de atenção à saúde mental e na dependência química; - Apoiar o Conselho Municipal de Saúde com maior inclusão dos conselheiros nos projetos e ações da prefeitura;

Marcelo Rangel (PPS)

- Criar em cada distrito uma Administração Distrital de Saúde equipada com Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Samu, Farmácia da Família, Centro de Saúde Preventiva, Centro de Especialidade Odontológica e Núcleo de Apoio à Saúde da Família; - Implantar Farmácias da Família para fornecimento de remédios com baixo custo; - Implantar centros de especialidades odontológicas; - Melhorar o atendimento do pré-natal à consulta puerperal; - Melhorar o atendimento nas áreas de saúde do adolescente, da mulher, do homem, do idoso e do trabalhador;

Leandro Santos Dias (PSOL)

- Abrir postos de saúde na periferia; - Extinguir a terceirização na saúde; - Realizar concursos públicos na saúde; - Contratar agentes comunitários do próprio bairro; - Reabrir os Caps;

Krystofer Bannach (PCB)

- Humanização do atendimento; - Ampliar o programa de saúde bucal; - Otimizar os programas de atenção ao idoso; de combate ao tabagismo e prevenção da gravidez precoce; - Descentralizar e ampliar a oferta de consultas especializadas; - Valorizar os profissionais que atuam na saúde.

Dos 50 postos, 40 têm equipes do Programa Saúde da Família. Os postos normais fecham às 13 horas e os do programa federal seguem abertos até as 16 horas. Quem fica doente a partir deste horário precisa procurar os centros de atenção à saúde (CAS), que atendem até as 21 horas. Há quatro deles no município, localizados próximo aos terminais de transporte coletivo municipal. De madrugada, os hospitais são a alternativa.

A dona de casa Adriane conta que prefere ir diretamente aos CAS porque no posto de saúde do bairro é preciso marcar consulta com antecedência. “Eu estava precisando e só consegui marcar para duas semanas depois que estive pela primeira vez no posto”, acrescenta. Para pegar a senha para ser atendido no mesmo dia é preciso chegar no final da madrugada ao posto e retornar no horário de atendimento médico.

Em casos mais graves, que precisam recorrer à internação, a população conta a sorte de haver médicos de plantão. No Hospital Municipal, por exemplo, a discussão da manutenção entre o convênio de atendimento firmado entre a prefeitura e a fundação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) tem deixado pacientes sem atendimento. Na noite do último dia 17 o hospital cessou o pronto-atendimento porque não havia médicos. Quando se trata de necessidade de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os pacientes mais debilitados têm prioridade, já que a cidade possui 64 leitos na rede pública para atender o município e a região.

Casos mais complexos, principalmente na área de oncologia, são direcionados à Curitiba. Todos os dias saem ônibus e carros mantidos pela prefeitura para o atendimento em hospitais especializados na capital. O Hospital Regional, que congregaria a maioria das clínicas de especialidades e leitos de internamento, foi inaugurado em 2009 sem estar concluído e precisou de adaptações. Hoje, somente 20% da estrutura funciona com total capacidade.

Abaixo da média

Ponta Grossa tem mais casas envoltas com esgoto a céu aberto, menos recursos investidos em média por habitantes, menos leitos de UTI e um índice abaixo da média das demais cidades de mesmo porte no quesito saúde medido pelo Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM).
Dos 94,8 mil domicílios de Ponta Grossa, 6,7 mil têm esgoto sem tratamento em seu entorno, ou seja, 7%. Maringá tem o menor índice: 0,05%. Em Curitiba, o esgoto corre a céu aberto no entorno de 2,5% dos domicílios.

O secretário municipal de Saúde, Edson Alves, informa que o orçamento municipal para a pasta oscila de 21% a 22%, ou seja, superior aos 15% estipulados pela legislação. Porém, conforme o levantamento referente a 2009, disponibilizado no site do Datasus, do Ministério da Saúde, em Ponta Grossa são investidos em média R$ 206,83 por ano por habitante. O maior investimento é aplicado pelo município de Londrina, com R$ 501,04.

Há na cidade 64 leitos de UTI na rede pública para atender o município e a região. O número só é superior ao registrado em Foz do Iguaçu, que possui 42 leitos.

O IFDM de 2011, que teve como ano-base o ano de 2009, demonstra que Ponta Grossa apresentou índice de 0,8759 na área de saúde. O índice é considerado satisfatório por ser superior a 0,8, porém, está abaixo dos outros grandes municípios do interior, ficando acima apenas de Foz do Iguaçu, que apresentou a pontuação 0,8494.

“As dificuldades encontradas em Ponta Grossa são as mesmas de todo o Brasil”, opina o secretário Alves. Ele considera que, para a próxima gestão, os principais desafios estão na regulação do sistema de urgência e emergência do município, na abertura de mais leitos gerais e de UTI e na contratação de mais especialistas. O secretário aponta que um problema a ser administrado pela futura gestão é a escassez de recursos. “Os municípios estão sufocados porque fazem mais do que podem”, comenta.

Mais especialistas e melhorias nos postos de saúde

Embora as propostas dos candidatos à prefeitura de Ponta Grossa sejam bem abrangentes, a opção pela contratação por mais especialistas e a otimização do funcionamento dos postos de saúde já agradaria pelo menos ao Conselho Municipal de Saúde e à promotoria de saúde pública do Ministério Público. Conforme o presidente do Conselho, Jefferson Leandro Gomes Palhão, e o promotor Fuad Faraj, os principais desafios da saúde no município são a melhoria da atenção primária e a oferta de mais especialistas para reduzir a fila pelas consultas.

“Outro abacaxi é o Hospital Municipal e o Hospital da Criança, que eram do estado. O município tem um custo de R$ 2 bilhões por ano com eles e poderia estar investindo esse dinheiro no Programa Saúde da Família”, aponta Palhão. A cidade tem 40 equipes do programa espalhadas pelos principais bairros, no entanto, há regiões populosas, como o Núcleo Santa Paula, que ainda não possui nenhuma equipe.

O promotor Faraj concorda e acrescenta que é preciso investir na atenção básica. “O Programa Saúde da Família deveria ser ampliado para atender a toda a população, pois isso iria fortalecer a atenção básica que é muito deficitária em nosso município”, opina. Em relação às especialidades médicas, o promotor acrescenta que é necessário também ampliar o acesso a exames. “Melhorar não só a oferta de especialistas, mas a de exames requisitados por esses médicos”, diz.

Apesar de a falta de recursos se apresentar como uma justificativa da prefeitura, Palhão julga que o problema é de gestão. Faraj adianta que já solicitou uma auditoria do Ministério da Saúde para apontar se o mínimo de 15% é aplicado na saúde.

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