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Londrina

Valmor Venturine: IPTU progressivo e a democratização do espaço público

O candidato do PSol encerra a série de entrevistas da Gazeta do Povo com os candidatos a prefeito de Londrina

13/09/2012 | 03:06 |
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A revisão da Planta de Valores, o IPTU progressivo e a democratização do espaço público da cidade com a construção de moradias populares na Gleba Palhano são algumas das propostas defendidas pelo candidato do PSol à Prefeitura de Londrina, o servidor público Valmor Venturini. Franco atirador na disputa eleitoral, o candidato da coligação Frente de Esquerda não foge às polêmicas. Discorda que falta gestão na saúde: “O problema é financeiro. Falta dinheiro”. E afirma não ser contra o ensino integral, mas antes “é preciso garantir a escolaridade”, com mais escolas, professores e qualidade de ensino. “Isso vai demandar um investimento imenso. Até o ano passado, tinha 4 mil crianças na fila de espera, em Londrina”, diz.


Qual é sua opinião sobe a Planta de Valores de Londrina. A administração tentou mexer na Planta de Valores houve clamor público. O que senhor pretende fazer isso?

Clamor público leia-se Gleba Palhano. Nós defendemos a revisão da Planta e, principalmente, nos mais de 20 mil terrenos vazios de Londrina. Segundo dados dos companheiros da dengue são mais de 20 mil. Eu estava vindo da Zona Norte e numa mesma quadra tinha quatro terrenos vazios. O que acontece com o terreno vazio? Todos chamam atenção na segurança; na dengue, o pessoal não limpa; e é só especulação. Nós defendemos o imposto progressivo. A esquerda sempre defendeu isso historicamente. O Estatuto da Cidade tem essa prerrogativa. Não é nenhuma revolução. Nós vamos debater com as pessoas. Por que a pessoa tem um terreno que só serve para especular? Faz uma casa e não põe no mercado? Em Londrina, o preço do imóvel é absurdo. Não tem sentido um apartamento de 45 metros, 50 metros custar R$ 300 mil em Londrina. E o preço é esse aí hoje. Por exemplo, eu não sabia, mas tem prédio no calçadão, prédio de sete andares, abandonado. Não estou dizendo que tem que ir lá e tomar conta. Não estou dizendo nada disso. Estou dizendo que tem que colocar na rota. Em todo o Brasil tem o debate da reforma urbana, aliás, que se discute muito pouco. A reforma urbana prega exatamente isso: fim dos vazios urbanos, fim da especulação imobiliária e vida no centro. Não é o pessoal abandonando o centro e indo morar lá nos condomínios, longe. Isso tem custo. Quando eu falo em moradias, falo tanto para elite quanto como para os pobres. A gente não é contra o Minha Casa, Minha Vida. Mas não precisa ser lá no fundão. Entre o Vista Bela e a Avenida Saul Elkind tem um terreno imenso e, por coincidência, é de um deputado federal e comprou muito antes de ter Minha Casa, Minha Vida. Com informações privilegiadas você forma vazios urbanos. Quando Belinati criou os Cinco Conjuntos –
eu não estava em Londrina nessa época, como diz o Barbosa, eu sou novo aqui, tenho 20 anos de Londrina – esse vazio urbano [entre os bairros e o centro] não foi por que Deus quis. Outra coisa impressionante também: quando fizeram o shopping. Eu pensei que tudo era do shopping. Não, entre o shopping e a rodovia ficava um vazio. Eu levei um susto. Isso aí tinha dono e não éramos nós, obviamente. E a pressão sobre o Plano Diretor e o Uso e Ocupação do solo é em cima disso. São pessoas que pensam no lucro, na especulação imobiliária. Acho que a cidade tem que ser uma cidade legal para todos, não vai ser uma cidade boa só para alguns. Não temos medo de falar “eu não conheço a Planta de Valores”. Não sei o valor. Eu sei quanto eu pago. A gente não consegue entrar na Prefeitura e ver esses dados. Esses dados são confidenciais. Gostaria que fosse colocado abertamente isso. A questão da Gleba Palhano, até onde eu sei, são valores muito baixos, mas não tenho esses dados na mão. Acho que foi mal encaminhado o processo, não teve debate. Precisa participação popular da cidade e tal, não dá para chegar de surpresa na Câmara com um projeto aumentando a Planta de Valores. Não é assim que vai ser. Vai ser um amplo debate, incluindo o Conselho da Cidade. Não é de um dia para o outro. O Valmor levanta de mal com a elite e manda para a Câmara “vai lá e aumenta em 500% o valor do IPTU”. Não vai ser assim. Não tem de ser surpresa. Eu defendo o IPTU progressivo e de quem mora em áreas mais valorizadas. É um debate incipiente que a gente está fazendo. É um debate difícil. Reforma urbana, a gente reconhece, é um debate difícil.


Uma das questões que a atual administração colocou foi o da Educação em tempo integral. Se eleito, qual seu projeto para essa questão?

No Plano Nacional de Educação 2011-2020, que eu acompanhei bem, ninguém é contra a educação em período integral. Mas antes de chegar lá tem que garantir a escolaridade, aliás, nos últimos índices deu para ver que Londrina conseguiu recuar. Temos de garantir a escolaridade, uma boa educação nessas 4 horas, uma escola boa, respeitando a hora atividade dos professores, alimentação escolar – não terceirizada e não superfaturada. O que acontece hoje aqui em Londrina, no Brasil inteiro na verdade, começou com os Caic, lá do Collor. A ideia de educação integral é do Darci Ribeiro que é um cara que eu respeito muito, o Brizola comprou a ideia do Darci para o PDT e o Collor, quando ganhou a eleição, fez dois em Londrina inclusive. São áreas imensas, tem toda uma área de lazer, multiavitidades. Todos os professores são unânimes em falar o seguinte: o bom é chegar de manhã e ter atividades intercaladas de matemática, português, e as lúdicas, teatro, educação física, artes, dança. Como é que é hoje? De manhã tem aula e a tarde contraturno. Em Londrina hoje essa é muito mais uma política de segurança, não de educação. Porque os pais, eles se sentem mais seguros com as crianças na escola do que na rua. Muitas vezes não têm opção. Eu tenho as minhas dúvidas. Gostaria que as crianças estivessem na rua, empinando pipa, jogando burquinha, correndo, jogando bola, muito mais feliz. No bairro tem de ter um campinho. Melhor do que ficar preso em uma estrutura o dia inteiro. Eu sonho com isso para a minha cidade, que as pessoas se divirtam. Vamos brincar, vamos para rua, ser feliz. Não necessariamente ficar fechado em um paredão. O que foi feito em Londrina foi pior ainda. Construíram um tanto de escolas e todas as escolas estão cheias. Para ter tempo integral tem que ter 100% de vagas a mais. E o que foi feito? Pegaram espaços vazios no Maria Cecília, no Greminho e puseram período integral. Foi uma improvisação total. A educação tem um sentido mais amplo, não precisa de manhã uma coisa, de tarde outra. O aprender é em conjunto. Eu não sou absolutamente nada contra a educação em tempo integral, muito pelo contrário. É o tipo da política pública que não dá para improvisar. Na educação não se improvisa. E outra coisa, essa bobagem de ensinar empreendedorismo nas escolas. Isso vou parar nos primeiros dias. Uma criança de 9 anos não tem que aprender empreendedorismo. Tem que aprender a cooperar, viver com solidariedade, aprender os valores da vida, não competir. Ela tem a vida inteira para competir depois. Trouxeram uma secretária, que nem professora era, achando que tinha que formar um monte de empresários de 7 anos. Os valores que a gente quer passar são os da solidariedade, da cooperação, da civilização, não de competição.


O senhor vai preferir investir em mais professores, melhor qualidade de ensino, do que manter como está hoje?

Exatamente. É uma luta do Brasil garantir a escola para todo mundo a partir do primeiro ano. Isso é um mérito para o Brasil como um todo, não é de um governo ou de outro. E de melhor qualidade. Há 10 anos se falava em garantir a criança na sala de aula, hoje está garantido. O grande problema está dos 6 meses aos 5 anos. O Plano Nacional de Educação diz que todas as crianças, dos 3 aos 5 anos, têm que estar nas escolas até 2016. Essa pergunta é fundamental para o próximo prefeito. É nesses 4 anos que tem que garantir escola para milhares de crianças em Londrina. Até o ano passado tinha 4 mil crianças na fila de espera. Isso vai demandar um investimento imenso, defendemos que seja escola pública, de qualidade, próximo da casa. Nada de convênio com igreja, nada disso. Esses convênios acabam fazendo o que o Estado não faz. Isso demanda muito recurso. Pode até ter alguns problemas de gestão. Os dois últimos secretários foram um fracasso total e deve ter tido problema de gestão. O problema da educação é como o problema saúde, é financiamento. Explicar isso claramente para a população: é importante todas as crianças de 3 a 5 anos estarem em sala de aula e para isso vai gastar tanto no orçamento, muito mais que os 25% que a lei obriga. Educação é basicamente isso.


O senhor falou da saúde. A saúde enfrentou um caos nessa administração. O que senhor pretende fazer se eleito?

Eu vou começar pela gestão, de novo. O Brasil tem mais de 5 mil municípios, a saúde está um caos em todos. Será que não tem nenhum gestor eficiente para tocar a saúde? Então dá para ver que o problema não é de gestão, o problema é financeiro, não tem dinheiro, é pouco – 15% do município, 12% do Estado, o Beto Richa só aplicou 6% no último ano. Falta dinheiro. Então, isso é uma questão mais geral do que de recurso. Queremos reverter o modelo que hoje está centrado no hospital, no remédio e no médico. As pessoas só lembram da saúde quando precisam de médico, hospital e remédio. Esse modelo está falido, é enxugar gelo, não resolve. Pode fazer uma UPA em cada esquina, pode fazer PAM, PAI, Zona Norte, Zona Sul. Não tinha Zona Norte e Zona Sul há uns anos atrás. Melhorou o atendimento? Necas, vai acontecer a mesma coisa. Por quê? Porque as pessoas vão lá porque sabem que tem médico lá. Nós defendemos a reforma sanitária que é anterior a Constituição de 98. Um trabalho precário, uma moradia sem condições, não acesso à educação, não acesso ao lazer, não acesso à cultura, não acesso ao esporte. Isso pira qualquer um. É para ficar doente mesmo. A maioria das doenças são crônicas, não são agudas e ninguém fica doente de uma hora para outra. Defendemos uma UBS aberta, bonita, que seja a porta de entrada do sistema e que tenha resolutibilidade. Todos os estudos mostram que as UBS resolvem 80% dos casos. Por que os sistemas secundários e terciários estão lotados? Porque não resolve lá embaixo. E como é que resolve? Com essa visão holística, ampla, de evitar que os problemas ocorram e com uma equipe multidisciplinar. Não é só médico, é enfermeira, técnico de enfermagem, é dentista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo. E outra é a intersetorialidade. A saúde não dá conta de todos os problemas, tem problemas que são da educação, da assistência social, da cultura. Tem que trabalhar junto.


Então o senhor quer fortalecer a atenção primária, mas voltada também para o ambiente onde a família está inserida...

Belíssima palavra, ambiente. Eu moro na zona sul. Tem várias empresas poluidoras de ar, toda hora tem toda reclamação no jornal e no rádio. Isso não é só problema de meio ambiente, quando incomoda as pessoas é problema de saúde. A população tem que conhecer o território, quais os problemas que existem ali. Londrina não é tão homogênea assim, cada território tem uma realidade, e o trabalhador da saúde vai entender isso e conversar. Hoje se conversa muito pouco entre os setores. Além da atenção primária, um bom médico, um bom hospital e medicamento que funcione são essenciais. Por que ninguém nunca reclama que falta educador físico nas UBS? Nesse processo, ter educador físico, nutricionista é importante. Não tenho nada contra contratar mais médico, a questão é de visão de saúde, que é atenção primária, que é principalmente a promoção e a prevenção. Que é muito mais barato.


Qual será a sua política para a Guarda Municipal?

Eu defendo Guarda Municipal para cuidar dos próprios municipais e desarmada. Até porque a prefeitura gasta muito dinheiro com vigilância privada. Quem tem que fazer a vigilância patrimonial é a guarda. Estava outro dia no calçadão, passou uma caminhonete com quatro guardas dentro. Pra que serve? Melhor se estivesse na rua, caminhando seria muito mais útil. Armar Guarda Municipal é jogar peso numa visão atrasada de segurança, que acha que colocar 600 policiais armados na rua vai resolver o problema. Isso não resolveu o problema no mundo inteiro. Nós defendemos a segurança social que é garantir um trabalho digno, um espaço, um território de boa qualidade, onde tenha moradia, acesso a educação, a lazer, cultura. Massificar essas questões do lazer, do esporte. Nós somos contra a criminalização da periferia, da pobreza, das minorias. Tem que ter policia, não sou contra a policia, mas Guarda Municipal armada, nunca. Aí faço uma ressalva: no trabalho que eles fazem hoje, de rua, eles têm que estar armados. Porque estão colocando a vida deles em risco. Nós não vamos fazer isso. Somos contra isso.Tem candidato que comete dois barbarismos tem que armar e ir para a periferia. Erra duas vezes: arma e criminaliza a periferia.


Barbosa deixou algumas obras inacabadas – Praça da Juventude, Teatro Municipal. A chuva estragou muita coisa. Como o senhor vai lidar com essas obras inacabadas? Tem projetos para outras obras?

Vamos concluir o que tem investimento público. Concluir, sem nenhum problema, até convidar o Barbosa para quando inaugurar. O Estado que tem mais obra parada é Paraná. Não terminaria obra que liga nada a lugar nenhum. Mas a Praça da juventude, por exemplo, é um lugar muito legal. O cuidar da cidade tem que ser permanente. Não dá para esperar o dia da eleição. A esquerda, nos anos 80, dizia que tem que cuidar das pessoas. Hoje tem um novo conceito, cuidar das pessoas e da cidade. Ter um ambiente urbano bem cuidado e organizado é bom para as pessoas. Uma coisa não anula a outra, tem que fazer as duas coisas. Ter uma Secretaria de Obras muito mais ágil e nos casos de desastre, tem que rapidamente resolver não dá para demorar e tem que ter um fundo para isso. A Defesa Civil tem que ser permanente, bem treinada. Isso é sério. E tem que ter um fundo que resolva isso rapidamente e não esperar do governo estadual e federal. E com R$ 1 bilhão deve ter dinheiro para isso também. E obras também debater com a comunidade. Inverter prioridade. Um viaduto custa quanto? Com o que você gasta com um viaduto, quantas escolas você pode fazer? Não excluir uma obra supernecessária, mas tem coisas urgentes na política pública da saúde, da educação e aquele grande viaduto que vai tirar foto para o Brasil ver, pode esperar um pouquinho. A PR-445 não vai ter viaduto, vai ter trincheiras, acabou a vida para quem mora no Cafezal. Ela faz uma segregação da cidade. Eu quero ver o projeto. Isso existe em várias cidades e absolutamente mata a cidade. Tem que ver o que vai ficar para as pessoas. Tem que ser boa para quem mora ali. E vai ficar a vida inteira ali. E não foi debatido com ninguém esse projeto, como todos. Nos projetos nós temos que reverter a lógica. Vai discutir um projeto, chama a população, chama os servidores, chama todo mundo, abre a conversa. Decidido, chama os melhores técnicos para fazer o melhor projeto. Aí o Ippul vai entrar, não o contrário. Eu defendo o Ippul com 60 arquitetos, mas tem que ter sociólogo, antropólogo, geógrafos, geólogos. Multisetorial. Não só o engenheiro. As obras são importantes porque mesmo que a prefeitura não faça nada a cidade cresce. Qual é o papel do poder público? Dizer para que lado vai e em que velocidade vai. O crescimento não tem nada a ver com o desenvolvimento. Londrina é uma cidade que cresce, mas se desenvolve pouco. Se pegar os dados de Londrina, a cidade sempre está na média nacional, vai dizer que somos ricos, etc. Ideb é um exemplo claro, nós tomamos um vareio de Foz do Iguaçu, uma cidade megaviolenta. O que eles têm de diferente lá? Pelo que vi, nada demais. Participação dos pais, secretária que conversa, professores muito propositivos, têm espaço para conversar, se derem entrevista não vão ser demitidos. E outra coisa que defendo sempre: não ter medo do tal do copia e cola. Se tem uma obra boa, referência em outro município, tem que ir lá ver, tem que debater. A roda e a pólvora inventaram faz tempo.


Subsídio do transporte coletivo. Barbosa implantou. Tem uma previsão para vários anos, chega a R$ 11 milhões por ano. Tem também o passe livre. Qual será sua política sobre isso?

Acho que é ampliar um pouco, é a mobilidade urbana, é o direito à cidade. E todo apoio ao transporte público. Londrina é uma cidade que não anda porque tem 300 mil carros. Com essa visão de transporte de massa, que funcione, com ônibus, com mobilidade urbana, com direito à cidade, aí entra o passe livre. É uma política muito maior que simplesmente ter o passe livre. Mas da onde sai o dinheiro? Tem que ver o fôlego do orçamento. Na questão do subsídio, defendo a revisão total da tarifa, o debate por km rodado. Esse é o setor que tem menos técnicos. Não temos engenheiro de tráfego em Londrina, tem que ter no quadro de funcionários. Tem que ter um quadro, formar quadros, isentos, com a visão púbica do transporte coletivo e tem o debate nacional agora que é o da tarifa zero. Que é outro debate que temos que acompanhar. Passe livre quem vai subsidiar no primeiro momento é a prefeitura mesmo e depois tem que ter um debate com as empresas. No contrato de concessão tem que entrar essa questão e não encarecer obviamente a tarifa. O transporte em Londrina não é barato como se fala. Não é porque é mais barato que outros municípios que é barato. Tanto que é mais vantagem andar de carro e não de ônibus em Londrina.


E o subsídio?

Aí é rever a tarifa. Até inclusive baixar mais que o subsídio. Tem muito técnico que defende que o quilômetro rodado seria melhor. Tem que reestudar. Eu defendo os terminais. Um secretário disse uma vez que tinha que virar tudo mercadão popular. Defendo o terminal central, onde ele está mesmo. Pode ser bonito, confortável. Onde ele está, está bem. As pessoas têm mania de querer tirar tudo do centro. Tem que estar no centro. As pessoas têm que ter direito ao centro. Deixa onde está, está bonito. É funcional. Vai jogar aonde? Vai jogar na Warta? Quem dá ideia normalmente não anda de ônibus. O Conselho de Transporte existe, mas é consultivo. Conselho consultivo vão ser todos extintos no primeiro dia de governo. Conselho consultivo não serve para nada. Ou são deliberativos ou não são.


Londrina enfrentou 11 crises políticas em 13 anos. Isso afastou empresários que tinham pretensão de se instalar na cidade. Como o senhor vê essa situação e o que pretende fazer para reverter esse cenário?

Eu não acredito que empresário vai embora da cidade por causa de crise política.


Deixaram de vir...

Londrina tem que ter uma política de atração de empresa, tem a Codel para isso. Não tem de ter chantagem de empresário. Esse empresário que chega em Londrina, dá um voo de helicóptero. Depois vai em Apucarana, Cambé e fica chantageando prefeito. Esse cara não é digno de respeito e confiança. Tudo mundo vai ser recebido. Vamos receber empresários. Tenho minhas dúvidas da questão da instabilidade política. Não vejo toda essa burocracia nos empresários. Londrina não tem que ter vocação, quem tem que ter vocação são as pessoas. Oitenta por cento do PIB de Londrina são serviços, mas pode buscar indústria.


E o senhor já pensou em alguma política de atrativos?

O Fórum Desenvolve Londrina tem um trabalho bom com as pequenas empresas. Cooperativas de autogestão, economia solidária, que as pessoas podem produzir, trabalhar sem ter patrão. Você pode pensar em outras maneiras. Se não combinar crescimento econômico e desenvolvimento social não funciona. Tenho vontade de extinguir a Codel, que só serve para colocar empresário lá para fazer patavina. Mas extinguir a Codel é uma opinião. Não levei para o debate. Como ela funciona hoje não serve para nada. Serve para por empresário, tal não sei o quê. Porque um trabalhador não pode ser presidente da Codel? O problema é a estrutura da Prefeitura. Defendo secretarias diretas. Extinguiram a Secretaria de Serviços Públicos e criaram a Comurb e o Janene fez o que fez. Jamais eles fariam o que fizeram lá se fosse administração direta. Não tem como fazer. Coloca um monte de diretores, ganhando bem. Isso sim, isso (CMTU) vira secretaria no outro dia. Secretaria de Transportes, no lugar da CMTU. A Sema era autarquia virou secretaria. Não tem diferença? Na saúde, defendemos autarquia e não é contraditório porque na saúde é preciso ser autarquia. É diferente comprar remédio e comprar cimento. Autarquia, com poder político e técnico.


Como o senhor pretende montar a equipe?

Equipe tem, o que temos que criar uma nova geração de gestores. Tem servidores muito qualificados para essas funções. Não essas figurinhas carimbadas de sempre, que vai governo vem governo e são sempre os mesmos, tem muita gente capacitada. E convidar pessoas que têm debate e compreensão da participação popular. Pessoas que sabem conversar e aguentar pressão. Em nenhum conselho o secretário vai ser presidente. Tem que ter uma forte compreensão dessa política e uma questão obviamente técnica. Tem que conhecer a área e ser propositivo. Na Prefeitura tem uma piada que corre entre os servidores que quando o secretário aprende, acaba o mandato. As pessoas não têm ideia do que é um diretor, do que é um assessor, um gerente, como funciona. Aí fica nas mãos dos de sempre. Essa burocracia é a mesma há muitos anos. É importante o secretário ser propositivo. Ele tem que conversar para frente e para fora. Ele tem que conhecer os servidores, tem que conhecer os serviços e dialogar. Em Londrina temos universidades, institutos, tem que ser desafiados a trabalhar no serviço público. Nunca pode confundir a vida pública com a privada. Tipo ir de jatinho para Curitiba, vamos de busão e sem cortesia da empresa. Tem que formar e ouvir as pessoas. Eu gosto de estruturas horizontais e a Prefeitura é toda verticalizada. Ninguém fala com ninguém. Secretários, acho que é isso, pessoas que saibam ouvir. Não precisa ser necessariamente um doutor, mas tem que conhecer. Tem que saber. Como vai defender uma política que não sabe o que é.


O senhor não tem experiência de gestão. Acha que isso será uma dificuldade?

Tem um filósofo que diz que experiência é como vela, só ilumina quem carrega. Sempre trabalhei no serviço público, sempre tive interesse em como funciona a máquina, fui diretor, fui gerente. Tem que ter a humildade de reconhecer que precisa aprender. E eu sou fã do Paulo Freire, a gente tá no mundo para aprender. A gente aprende todo dia. Tem cara que tem experiência monstro. O cara tem experiência, mas tem um detalhe, foi cassado no exercício do mandato. Tem princípios que da administração pública que é a transparência, publicidade, que são universais que estão no dia a dia do servidor. E essa questão que administrar precisa de experiência, isso é para reserva de mercado. A elite bota isso na cabeça. Vou fazer reuniões de porta aberta, nada dessa mistura de vida privada e pública. O que é público é público. Não sei porque um prefeito fecha a porta para fazer reunião, porque a imprensa não pode acompanhar uma reunião de prefeito com empresário. Minha porta vai estar aberta. As grandes conversas, os grandes debates têm que ser em locais públicos, abertos e previamente divulgados.


No debate da Tarobá, o senhor fez uma proposta que deixou muita gente assustada: Minha Casa, Minha Vida na Gleba Palhano. É possível?

Por que o pessoal não está encampando isso? Por que as construtoras vão apoiar muitos candidatos e as construtoras, por uma questão de mercado, não vão querer o Minha Casa, Minha Vida lá.. A área está lá, bem localizada. Seria demagógico. Os principais empregados na Gleba são pedreiros e trabalhadores da construção. Eles iam adorar morar ali perto. As senhoras que trabalham como doméstica gostaram muito. Quem não gostou é a elite que se acha, porque mora na Gleba. A gente defende uma proposta muito maior que é o direito à cidade. As pessoas morando junto. Qual o problema ter um conjunto habitacional na Gleba? Não vejo. O que vai fazer com aquela área? Uma pergunta essencial. O Barbosa queria vender e fazer asfalto ou comprar aquele antigo teatro Cine Augustus. Os vereadores tiveram uma ideia brilhante de vender para reconstruir o Ouro Verde. Eu vou fazer casa. Você democratiza o espaço público. Isso é democratizar a cidade. Inclusive Londrina tem poucos espaços públicos. Qual o problema de fazer casas longe Nova Esperança, Vista Bela? Você não tem estrutura e o custo para fazer estrutura fazer escola, UBS é alto. Se tiver estrutura pode morar longe.

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