Sábado, 31/07/2010
Valterci Santos/Gazeta do Povo
Mauro Munhoz: Secretaria de Estado da Educação tem 120 dias para entregar um plano de ação
Estudo feito por 29 tribunais de contas indica que não há planejamento nem acompanhamento das ações realizadas
06/10/2009 | 00:11 | Paola Carriel - educacao@gazetadopovo.com.brEsta é a primeira Auditoria Operacional (AOP) de abrangência nacional feita pelos Tribunais. A iniciativa é do Programa de Modernização do Controle Externo dos Estados e Municípios (Promoex). O resultado do trabalho foi transformado em uma cartilha para facilitar o uso pelos gestores. No Brasil, a publicação aponta as 12 principais conclusões sobre a formação de professores. O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE) elaborou também 13 recomendações específicas para o estado (veja box).
Falta na formação dos professores a união entre a teoria e a prática. Essa é o opinião do professor da Universidade de Brasília e consultor da Unesco no Brasil Célio da Cunha. Ele diz que embora as universidades tenham um grande conhecimento e ofereçam cursos de capacitação, eles não estão adequados à realidade que os docentes encontram na sala de aula. “Precisamos ajustar esses dois mundos. O ensino tem de estar conectado com o dia a dia. Nenhuma reforma avança sem um bom professor e um bom salário.”
Coordenadora do curso de Pedagogia da Unicamp, Maria Márcia Sigrist Malavasi argumenta que é preciso um conjunto de ações para que o professor tenha uma boa formação. Em primeiro lugar a graduação precisa ter qualidade e é aí que começam as falhas. Depois, o docente tem de se atualizar sempre e ter boas condições de trabalho. “Não é uma ação, são várias. É necessário abordar novos conteúdos e tecnologias. Senão, é o dinheiro público sendo gasto inutilmente.” (PC)
Os auditores avaliaram três questões principais. A primeira indagava se o planejamento e a implementação das ações apresentavam vulnerabilidades. Em seguida, verificavam se há um sistema de controle orçamentário eficaz e por fim se as medidas tomadas tiveram impacto real na sala de aula. No Paraná, os técnicos investigaram a formação que os professores tiveram entre os anos de 2004 e 2007. Foram 17.791 entrevistados, entre eles 12.328 estudantes, 4.059 docentes e 1.404 gestores de escolas, incluindo os 32 responsáveis pelos Núcleos Regionais de Educação.
O relatório aponta que mesmo com a exigência legal de se investir na formação docente, esta não é a realidade da maioria dos estados no Brasil. Os técnicos dizem que “o que se observou foi que a Pedagogia, o interesse da instituição e a equidade não são critérios preponderantes nesse processo.” Eles encontraram a ausência de metas e elaboração de planos decenais. As ações são genéricas e a contrapartida de estados e municípios frente aos recursos federais é baixa. Outro grave problema é que em muitos casos os professores não são liberados para frequentar os cursos, não há substitutos e nem a dispensa do ponto.
Outra fragilidade levantada é que além de não haver um estudo sobre a demanda, ou seja, a área que o professor tem mais dificuldades, não existe um acompanhamento sobre o impacto da formação na sala de aula. Os gestores não sabem quais docentes participaram das iniciativas e nem os acompanham após a conclusão dos cursos. Além disso, relataram desconhecimento sobre o orçamento destinado ao setor e ausência de autonomia para geri-lo.
Plano de ação
Diretor de contas estaduais do TCE, Mauro Munhoz afirma que a iniciativa do estudo surgiu por ser uma das maiores demandas da educação nacional. Ele diz que entre as constatações está o fato de que se investe somente o exigido pela Constituição e que este montante não é suficiente. “Não sabemos qual é o retorno para o aluno em sala de aula. Falta planejamento.” Munhoz, que também é coordenador estadual do Promoex, afirma que a Secretaria de Estado da Educação (Seed) tem um prazo de 120 dias para entregar um plano de ação. Se os gestores não cumprirem as recomendações, poderão ter suas contas reprovadas.
A secretaria informou que está elaborando um plano para atender as recomendações do TCE. A assessora de formação da superintendência de educação Maria de Fátima Navarro Lins Paul diz que a secretaria elabora seus diagnósticos com base em resultados como os índices de aprendizagem, aprovação e evasão. Maria de Fátima confirma os pontos frágeis levantados pelo órgão. “Precisamos articular nossos núcleos regionais e ver as especificidades de cada local, por exemplo.” As principais ações do Paraná nesta área hoje são o Plano de Desenvolvimento da Educação, que consiste em uma espécie de mestrado prático ofertado aos professores, além de simpósios e cursos que abordam questões como violência e uso de drogas.
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