Sábado, 31/07/2010
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
A diretora Sandra e as mães Neuza , Noêmia e Claide com os filhos que estudam na Escola Dona Branca: participação intensa dos pais
Quanto tempo você tem destinado para acompanhar as atividades escolares de seu filho? Participar ativamente pode ser decisivo no desenvolvimento dentro e fora da sala de aula
20/01/2010 | 00:05 | Ana Carolina Nery“Há muitos pais que não participam desse processo e isso é um problema sério que as escolas enfrentam”, afirma o pedagogo Benjamin Perez Maia, professor da UniBrasil, que atuou por oito anos como diretor de escola. Segundo ele, geralmente a desculpa dos pais gira em torno da falta de tempo por causa de compromissos profissionais. “A maioria faz somente a matrícula e deixa o filho na escola para ela sozinha ser a educadora. A escola nunca será totalmente boa se os pais não participarem para valer.”
Albari Rosa/Gazeta do Povo
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Marcia Mascarenhas dá mais autonomia ao filho Gustavo, de 14 anos,mas ainda monitora o desempenho dele pelo boletim escolar
Fique por dentro do calendário 2010 das escolas das redes pública e particular de ensino do Paraná.
Estaduais
Início: 8 de fevereiro
Férias: 19 de julho a 15 de agosto
Término: 22 de dezembro
Municipais
Início: 9 de fevereiro
Férias: 12 a 26 de julho
Término: 11 de dezembro
Particulares
Início: 8 de fevereiro
Férias: 5 a 23 de julho
Término: 10 de dezembro
Fontes: Secretaria de Estado da Educação, Secretaria Municipal da Educação de Curitiba e Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe/PR).
Como pai e mãe podem contribuir para o desenvolvimento dos filhos:
Educação infantil
Pergunte o nome das professoras e amiguinhos próximos.
Questione o que mais gostou de fazer no dia.
Incentive a contar quais brincadeiras aconteceram.
Observe o comportamento quando o filho chega e sai da instituição.
Veja as produções e o material que ele leva da escola para casa.
Ensino fundamental e médio
Cultive o hábito da leitura em casa.
Converse com ele sobre o noticiário da televisão, jornais e revistas.
Garanta uma rotina de estudo, com horário fixo e local com privacidade.
Acompanhe a frequência às aulas e sua participação nas atividades escolares.
Visite a escola sempre que puder.
Observe o humor dele.
Fale com outros pais sobre o que observam na escola.
Converse com os professores sobre dificuldades e habilidades do seu filho e peça orientação.
Leia bilhetes que a escola manda e responda quando necessário.
Acompanhe as lições de casa.
Participe das atividades escolares e compareça às reuniões da escola.
Participe do Conselho Escolar.
Prefira monitorar em vez de controlar.
Fontes: Ministério da Educação (MEC) e Mônica Luna, professora de Psicologia Escolar das Faculdades Dom Bosco e Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).
Quanto mais cedo o incentivo, melhores os resultados, de acordo com a psicóloga Mônica Luna, professora da disciplina de Psicologia Escolar das Faculdades Dom Bosco e Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Segundo ela, quando os pais se fazem presentes, a tendência é que o interesse pelos estudos aconteça com mais naturalidade. “Os filhos tomam consciência da importância do aprender e passam a querer estudar porque gostam e não apenas para tirar nota e prestar conta aos pais.”
A maior presença de pai e mãe na educação fica evidente no comportamento dos alunos, segundo a professora Sandra Costa Ulsan, diretora da Escola Estadual Dona Branca do Nascimento Miranda, que tem 1,7 mil alunos nos ensinos fundamental e médio. “Percebemos que são mais educados, têm mais interesse pelas matérias e respeito pelos professores”. Ela conta que há muita dificuldade, principalmente no que diz respeito às relações pessoais, quando se trata de filhos de pais que acham que somente a escola é quem deve educar. “Esses jovens são mais retraídos, sentem-se abandonados pelos pais e o desenvolvimento é menor.”
A Escola Dona Branca é uma das mais procuradas da região do bairro Tingui desde que Sandra assumiu a direção, há oito anos, justamente por ter como prioridade a participação intensa dos pais. “Temos um grupo muito atuante de mães voluntárias para desenvolver esse trabalho. Isso traz segurança aos outros pais, que se interessam cada vez mais pela escola e conhecem melhor os professores”. Além de serem orientados a fazerem um acompanhamento em casa, estão constantemente na escola. “No caso daqueles alunos que identificamos terem mais dificuldades, o trabalho com a família é intensificado desde o começo do ano, com conversas e orientações a cada 15 ou 30 dias.”
O que fazer
Em um primeiro momento, após realizar a matrícula, os pais devem tomar consciência do projeto político-pedagógico da escola, do regimento escolar e do planejamento das aulas, para fazer um acompanhamento, além de atender ao chamado para a primeira reunião pedagógica. “A escola é um local onde o aluno passará pelo menos cinco horas do seu dia, por quase uma década. A personalidade da criança é construída também dentro da escola, não só em família, então é preciso saber tudo o que está acontecendo”, diz a psicóloga Mônica.
Em todas as fases de aprendizagem é importante que os familiares mantenham o diálogo. O ideal é que se procure saber sempre como foi o dia dos filhos na escola e o que tem acontecido quando está lá, tanto em relação ao aprendizado quanto sobre professores e colegas. “O jovem precisa saber que os pais estão interessados nele e que querem o melhor para ele. São 15, 20 minutos que podem mudar uma vida”, afirma o pedagogo Benjamin Maia. Pai e mãe devem dividir essa tarefa, para que não se crie uma figura de terror para nenhum dos dois, como orienta a psicóloga Mônica. “Se for uma ocasião informal, sem ar de cobrança, eles não se incomodarão.”
A partir dos 7 anos é importante começar a monitorar os estudos, para garantir o hábito. “É importante fixar um horário para realizar as tarefas solicitadas pela escola, em um ambiente adequado, silencioso”, diz Mônica. A estudante Isadora Gutierrez Garcia Francisco, de 10 anos, que vai ingressar este ano na 5.ª série do Colégio Medianeira, tem o acompanhamento de perto dos pais, mesmo com pai e mãe morando em casas diferentes. A menina conta que eles sempre perguntam sobre a escola e orientam sobre como agir em determinadas situações. Ela prefere assim. “Do contrário não me sentiria à vontade para falar sobre problemas, pedir ajuda ou contar como foi divertido o dia na escola. Tenho sorte”. O pai, o engenheiro civil e empresário Antonio Garcia Matias Francisco, que reveza os compromissos da escola com a mãe da menina, procura criar um ambiente de estudo com pouca distração, mas não conseguiu estipular um horário fixo para as tarefas. “A rotina, às vezes, não permite que a acompanhe o tempo todo, mas, como estamos de olho, ela é consciente de que em determinado horário do dia tem que se dedicar.”
Chegado o fim do ensino fundamental, a dica é compartilhar os conhecimentos adquiridos em sala de aula, acompanhar notas e frequência e participar de reuniões na escola. “A certa altura os jovens estão mais independentes e o monitoramento se dá mais em escutar o jovem”, afirma a psicóloga Mônica. É o que acontece atualmente com o estudante Gustavo Mascarenhas, 14, que vai começar o ensino médio no Colégio e Faculdade Modelo, como conta a mãe, a professora de Artes Visuais Marcia Anderson Mascarenhas. “No trajeto diário para a escola conversamos. Já desde a 5.ª série procuro dar uma certa autonomia e pelas notas monitoro o que está acontecendo. Ele sabe que estou em cima porque sempre o acompanhei e hoje sinto que posso deixar o estudo por conta dele.”
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Interatividade
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