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Insegurança

Por trás das blindagens e dos muros altos

 
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O advogado criminalista Carlos Al­­berto Martins da Silva sabe bem qual é a diferença de alternar a sensação de insegurança e de liberdade. Em Curitiba, mora em uma ca­­sa em condomínio fechado no Ba­­tel, com guarita e vigilância, e só cir­­cula em carro blindado. Nos Es­­-tados Unidos, onde passa alguns pe­­­­ríodos por ano, fica em uma ca­­sa sem muros e não usa blindagem nos veículos. “Em Curitiba, tenho pos­­­turas defensivas que não tenho fora”, diz ele, que deixa o carro sempre em estacionamento e faz compras pelo telefone.

O advogado não vê mais em Curitiba o motivo principal que o fez escolher a cidade para morar, há dez anos. Preocupado com a violência de São Paulo, ele procurou um lugar que considerava mais seguro. “Antes era muito menos violento do que hoje. Mas agora acho que Curitiba é mais violenta que São Paulo”, afirma. Para Martins da Silva, houve uma migração de criminalidade para Curitiba. “A cidade enriqueceu e ficou atrativa para marginais”, pondera. Ele conta que três vezes bateram, com arma, no vidro do seu carro e que fugiu porque estava em um veículo blindado. Mas o filho do advogado, que andava na rua, acabou sendo assaltado. “Não é só uma questão de sensação de insegurança. É empírico”, avalia.

Alvo escolhido

Nem mesmo muros altos, alarme e cercas elétricas impediram que a empresária Norma Helena Furlan e a família fossem rendidos em ca­­sa, pela manhã. Homens bem vestidos e armados, que observaram a rotina na casa durante vá­­rios dias, foram os responsáveis pe­­lo cri­­me, planejado e organizado, que deixou a família amedrontada por muitos meses depois do assalto.

A pressão psicológica – por pa­­lavras e armas – deixou Norma im­­pressionada. Passados três anos, ela já convive melhor com a experiência que teve de enfrentar. “Só tenho medo de chegar em casa à noi­­te”, diz. Por isso, tenta voltar sem­­pre o mais cedo possível e to­­mou mais medidas para proteger a casa. Instalou câmeras, contratou um serviço de segurança monitorada e um vigilante cuida de todas as casas da rua em que mora, no bairro Ahú. Ela conta que de cinco anos para cá são vários os vizinhos que entraram para a lista dos que tiveram a casa invadida.

Alternativas

Nilcemara Huida Sá dos Santos, que administra de dentro de casa uma empresa de informática, não viveu nenhuma experiência violenta enquanto morou em uma pe­­quena cidade no Norte do estado nem no período em que esteve em São Paulo. Conheceu a sensação real de insegurança logo que pas­­sou a morar em Curitiba, há 15 anos. Na primeira vez, teve a casa ar­­rombada. Até então, não tinha ne­­nhum sistema de segurança no sobrado em que morava, no Xa­­xim. Pouco tempo depois vieram as tentativas de roubo do carro, uma abordagem no semáforo e um assalto na rua. Acabou criando uma rotina de vigilância e adotando medidas que ela imagina suficientes para garantir a segurança da família. “Usamos roupas simples na rua para não chamar a aten­­ção. Quando chego em casa eu tento ver se não tem ninguém rondando. Procuro supermercados com guarita no estacionamento. Não ando mais com os vidros abertos”, enumera.

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