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Insegurança

Temor distorce percepção

  • Katia Brembatti
A comerciante Zanete Di Domenico: alerta constante depois de um assalto ao restaurante da família |
A comerciante Zanete Di Domenico: alerta constante depois de um assalto ao restaurante da família
 
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A comerciante Zanete Di Domenico sabe que o medo distorce a percepção. Depois de ter sido assaltada por um homem que usava boné, sentiu o corpo gelar quando um vendedor usando boné entrou no restaurante que administra com a família, no bairro Juvevê. Foram dois assaltos a mão armada, um há dez anos e outro há seis meses. A família também passou por várias tentativas de roubo do carro e por um roubo na rua. “Agora vivo em alerta”, diz Zanete, que buscou ajuda psicológica. “Os medos invadem até o sonho”, confessa.

A psicóloga Neuza Corassa, do Centro de Psicologia Especializado em Medos, relata que a sensação de insegurança apavora tanto que se transforma em medo coletivo. Ela explica que a pessoa que tem medo excessivo não sabe de onde vem o perigo, não tem controle sobre a fonte do temor (não é um objeto ou situação que possa simplesmente ser evitada ou encarada) e percebe que não há um grupo de risco. “Atinge a pessoa na mansão e a diarista no ponto de ônibus”, resume. E mesmo quem nunca passou por uma situação violenta acaba tendo receio de ser vítima. “É o medo aprendido com a história dos outros”, diz.

Mas a sensação de insegurança não é generalizada na população. Para a psicóloga, há grupos que ainda se sentem livres, grupos que simplesmente não estão sintonizados com os perigos, outros que estão presos dentro de si e os que externam que estão apavorados. “Se a pessoa deixa de viver ou passa a controlar outras pessoas, aí é preocupante”, pondera. Ela explica que o medo pode ser bom, como um sinalizador de perigo.

Durante a entrevista, a psicóloga saca uma revista de 2000, que mostra que os moradores de São Paulo vivenciavam há 11 anos a mesma sensação de insegurança que hoje aflige os paranaenses. Outro indicativo de mudança de comportamento a psicóloga percebeu no consultório. As pessoas que recorriam a Neuza porque queriam perder o medo de dirigir relatavam que desejavam a autonomia e a independência de sair sozinhas à noite. De uns tempos para cá, a vontade de dirigir à noite ficou em segundo plano diante do receio da exposição a perigos.

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