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Comportamento

Medidas simples garantem mais segurança no trânsito

Respeito às normas e bom senso são essenciais para os motoristas que desejam fugir das confusões

  • Ari Silveira
Lição a 170 km/hora:  Tiago Schon Ribas aprendeu a tomar mais cuidado no volante, após sofrer um acidente em alta velocidade |
Lição a 170 km/hora: Tiago Schon Ribas aprendeu a tomar mais cuidado no volante, após sofrer um acidente em alta velocidade
 
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Ao assumir a direção de um carro, o pacato e humilde senhor An­­dan­­te se transforma no terrível senhor Volante, modelo de arrogância e violência. Protagonizada pelo personagem Pateta, a cena do desenho clássico da Disney Motormania – Mr. Walker or Mr. Wheeler (1950) ilustra uma situação comum até hoje no trânsito, onde os motoristas descarregam toda sorte de frustrações. São condutores que não usam as luzes indicadoras de direção (conhecidas como piscas ou setas) nas conversões – e apontam o dedo médio para os pedestres que lhes chamam a atenção por isso –, ultrapassam pela direita – inclusive pelo acostamento das rodovias –, ignoram as faixas de pedestres e dirigem veículos com pneus carecas ou amortecedores vencidos.

Não por acaso, o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes. Dirigir defensivamente é essencial para prevenir os desastres ou pelo menos minimizar suas consequências. De acordo com o professor Adilson Lombardo, especialista em segurança no trânsito e coordenador do curso de Gestão Comercial da Faculdade Internacional de Curitiba (Facinter), a direção defensiva passa por uma série de comportamentos, ligados à inteligência emocional e ao raciocínio lógico. “É preciso avaliar o risco, analisar as possibilidades, reduzir a velocidade perto de escolas ou em dias de chuva, não fazer ultrapassagens perigosas”, ensina. Na prática, são medidas simples, que podem ser resumidas em duas: respeito às normas e bom senso.

Para o especialista, um trânsito mais seguro depende do comportamento mais inteligente não apenas do condutor de veículo automotor, mas também do pedestre e do ciclista. Assim como o motorista tem de respeitar a preferência do pedestre na faixa de segurança nos casos em que não há semáforo, o pedestre precisa atravessar na faixa e respeitar a sinalização luminosa, quando houver. Bicicletas, por sua vez, não devem trafegar em pistas exclusivas de ônibus, e cabe ao ciclista usar os equipamentos de segurança obrigatórios, como o capacete.

Lombardo lembra que as pessoas costumam transferir muitos de seus comportamentos para o trânsito. “O carro não é uma extensão do corpo”, adverte. “O motorista deve seguir as regras e respeitar o próximo, demonstrando gentileza e educação.”

Na formação de condutores defensivos, os bons exemplos devem começar em casa. Crianças costumam copiar o que os pais fazem. Quem cresce vendo os adultos cometendo imprudências ou excedendo os limites de velocidades tende a repetir esse comportamento quando chega à fase adulta. “A escola também deve educar para o trânsito, desde a base até o ensino médio”, diz o professor. “Os centros de formação de condutores [CFCs, mais conhecidos como autoescolas] têm de formar as pessoas para a condução.”

Fábrica de infrações

O especialista destaca ainda a função educativa da multa. “É uma forma coercitiva de educação”, define. Para ele, não existe uma indústria da multa, mas apenas uma “fábrica de infrações” por parte dos condutores. “A cultura da impunidade é perigosa”, afirma.

A pressa também é responsável por boa parte das infrações e do comportamento imprudente dos motoristas, por isso uma das recomendações de Lombardo é a de que se faça um planejamento de horário. Passar no fim do sinal amarelo, quando o semáforo está mudando para o sinal vermelho, é um erro a ser evitado. “A grande tragédia no trânsito é não respeitar a regulamentação”, ressalta o professor.

Ele destaca ainda a importância de usar o cinto, reduzir a velocidade em 30% sob chuva ou neblina, cuidar da manutenção e manter uma distância segura do veículo da frente – pelo menos três segundos, tomando-se um ponto de referência na estrada, mas esse tempo pode variar conforme as condições da via, dos pneus e do tempo. Em Curitiba, as pessoas não têm o hábito de sinalizar as conversões ou mudanças de faixa, conforme exige o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “Em São Paulo, se o motorista sinalizar, muda de faixa – e faz isso quantas vezes forem necessárias”, lembra o especialista.

O professor prega ainda a paz no trânsito. “Não se deve criar situações de confronto”, acrescenta. Portanto é fundamental manifestar tolerância diante de eventuais barbeiragens cometidas por outros motoristas.

Lombardo frisa que não se deve confundir direção defensiva com técnicas de pilotagem, que também podem ajudar a prevenir acidentes. “Os cursos de pilotagem ensinam a sair da aquaplanagem, a fazer uma frenagem segura e a desviar de obstáculos”, explica. “As autoescolas não dão essa formação, que é essencial, por exemplo, para funcionários de empresas que trabalham com frotas.”

Equilíbrio físico e mental

A coordenadora de Educação para o Trânsito do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), Maria Helena Gusso Mattos, ressalta a importância dos cuidados que o condutor deve ter consigo mesmo. “Não se deve dirigir com problemas de saúde, estado emocional abalado, fadiga ou sono, nem sob o efeito de álcool ou outras drogas”, alerta.

Ela também defende o respeito às normas de trânsito e aos outros motoristas, em atitudes como não atirar ou depositar objetos na via e ultrapassar sempre pela esquerda. “É uma questão de cidadania”, ressalta.

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