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Romance

Amores expressos

A rotina, a quantidade de gente e a cara amanhecida podem até não ajudar, mas nada impede viver uma paixão ao rodar das roletas

  • Rodrigo Pinto
Lucas e Ana dentro do ônibus – ainda existe amor no coletivo |
Lucas e Ana dentro do ônibus – ainda existe amor no coletivo
 
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Quando se pega a mesma linha de ônibus todos os dias, é comum que as pessoas comecem a se identificar, reconhecendo os colegas da condução. Um fenômeno que acontece naturalmente, as pessoas são marcadas umas pelas outras. Também é um ótimo jeito de saber se você está saindo de casa para o trabalho no horário certo. Mas foi no sentido inverso, voltando para casa, que duas pessoas se encontraram.

A massoterapeuta Josi pegava o Interbairros 4 no terminal do Fazendinha, sentido Campo Comprido, todos os dias. Ela também observava os passageiros do ônibus e reconheceu umas cinco pessoas que via com frequência, dentre elas, um cara com uma jaqueta militar que lembrava a que o irmão dela também usava. Isso despertou a sua atenção em Rodrigo.

Como qualquer paquera, eles começaram trocando olhares. Na primeira vez que se viram, Josi havia brigado com uma amiga e estava com a cara de choro. Mas isso não impediu que ela enxergasse Rodrigo saindo no ponto onde descia sempre. Ele sorriu para ela, que correspondeu com um sorriso meio sem graça. Depois disso, começaram a se ver no ônibus quase sempre até o dia em que ele finalmente tomou coragem pra ir falar com ela. Trocaram telefones e passaram a se comunicar por torpedo, uma conta absurda de R$ 60 em mensagens de texto. Começaram a namorar pouco tempo depois do primeiro contato. Logo se casaram e recentemente tiveram uma filha, que está agora com quatro meses.

Ainda assim, o ônibus é aquele lugar onde todo tipo de pessoa passa e também onde se alerta para os perigos de furtos no interior do veículo. Muitos afirmam que é um lugar frio, no qual as pessoas ficam com seus fones de ouvido, ignorando o mundo, com suas carrancas de manhã cedo. Os olhares se evitam. Dentro do ônibus, um lugar um tanto desconfortável, é normal que os cidadãos estejam com a cabeça no seu destino final: chegar ao trabalho, à escola ou em casa. Há um desprendimento da realidade para se prevenir do tédio e para que a viagem seja curta. É igual quando tomamos nossas primeiras vacinas na infância, fechamos nossos olhos e pensamos em coisas boas, tudo para desviar a atenção da dor do momento.

Para o casal de estudantes Lucas e Ana, recentemente aprovados no vestibular da Universidade Federal do Paraná, é muito improvável a paquera dentro do ônibus. Todos parecem estar de mau humor e com pressa. Normalmente quem puxa papo com os outros são os idosos, em busca de informações, comentando sobre o tempo. Apesar disso, eles estavam num passeio de sábado à tarde, sentados juntos nos fundos do biarticulado da linha Centenário-Campo Comprido.

O coletivo pode não ser o melhor ambiente para despertar o amor. É um lugar em que as horas são contadas, no qual todos são passageiros. No meio de tanta gente, é possível que as coisas mudem e o ônibus se torne não apenas um intervalo de um ponto a outro. Talvez entre duas estações tubo haja tempo de retribuir um olhar e dizer um “oi”.

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