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Vida selvagem

Eles não pagam passagem

Entenda as estratégias e as razões dos “fura-catraca” de Curitiba

  • Rafael Neves
Flagrante na estação tubo: é preciso ter pernas e sangue frio |
Flagrante na estação tubo: é preciso ter pernas e sangue frio
 
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A técnica é simples: ficar do lado de fora do tubo, na rua, e esperar. Quando o ônibus chega e baixa aquela portinhola na plataforma, é só dar um pulo rápido e se misturar à massa. Quem ensina é Andremon da Silva, 16 anos, aluno de um colégio estadual em Curitiba. É moreno ágil, de corpo magro, silhueta ideal para entrar de fininho pela porta de trás. Formado na arte de “furar catraca” há seis anos, quando a tarifa ainda era R$ 1,90, ele conhece outros dois truques infalíveis. Perigosos, mas infalíveis. Cerca de mil “Andremons”, segundo estimativa da prefeitura, praticam a mesma contravenção a cada dia. Pode parecer que a economia de dinheiro é o único motivo para isso. Mas nem sempre. Às vezes é por praticidade mesmo.

“Cara, pensa no seguinte. O tubo tá lotado com um monte de gente do colégio e mais todo mundo que sai do trabalho ao mesmo tempo. Tipo ontem: tava chovendo forte e tinha um fila enorme lá fora. A gente pula aqui direto pra não se molhar e ir pra casa mais cedo, nem é pela grana”, conta Bruno Henrique, colega de Andremon.

Para provar o que Bruno dizia, Andremon mostrou seu cartão transporte. “Eu poderia pagar. Meu velho ganha passagens da empresa dele e me repassa tudo. Aí de vez em quando eu dou o cartão pra Daniele [ele aponta a amiga encostada na porta 3], e ela paga lá na catraca, normal. E com o dinheiro que ela ia usar, a gente compra lanche no intervalo”. Baixinha de cabelos negros e olhos brilhantes da mesma tonalidade, Daniele corou. Mas não negou a cumplicidade.

Urbs promete fechar o cerco

“Danificar ônibus, terminais e estações tubo, ou não pagar a passagem, encarece a tarifa”, ecoa a suave voz feminina dos biarticulados. A Urbs lamenta: a “inadimplência” pode ser tão cara quanto o vandalismo. Com o cálculo de mil furadores por dia, o prejuízo mensal é de cerca de 70 mil reais, sem contar os domingos.

A prefeitura quer estar de olhos abertos. 622 olhos, mais precisamente. É o número de câmeras que devem estar instaladas nos tubos até o final do ano. Todas ligadas ao Centro de Controle Operacional, braço forte do Sistema Integrado de Monitoramento (SIM) da cidade, que no total vai custar mais de R$ 61 milhões.

De maneira que fica difícil explicar para um estudante porque deve pagar passagem enquanto se gasta uma fortuna dessas só com vigilância. Como questiona Daniele: “Com essa grana toda pra botar câmeras, será que não dava pra encompridarem os tubos um pouquinho? A gente sofre por aqui”.

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