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Um gringo em Curitiba

Perdido, pero no tanto

Jornalista italiano faz o “teste da Copa” e conta com a ajuda da turma do ônibus para chegar ao Jardim Botânico e ao MON

  • Andrea Torrente
Jornalista Andrea Torrente consulta mapa da cidade diante de estação tubo |
Jornalista Andrea Torrente consulta mapa da cidade diante de estação tubo
 
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Qual é a reação dos cobradores e dos passageiros do ônibus quando um estrangeiro pede informações? Fingi ser um gringo em Curitiba para descobri-lo. Na verdade, tendo nascido na Itália e morando no Brasil há quatro anos, nem precisei fingir. Só precisei arrumar um mapa da cidade e “esquecer” de saber falar português. Primeiro tentei descobrir as linhas dos ônibus no Google Maps, mas o serviço, em Curitiba, assim como na maioria das cidades brasileiras, ainda está indisponível. No centro de informação turística da Rua 24 horas consigo um mapa turístico da cidade. Converso em inglês com duas simpáticas atendentes: com a Copa do Mundo em vista, me dizem, estão estudando para melhorar o inglês e o espanhol. Escolho visitar o Jardim Botânico. Mas como chegar lá, sem conhecer a cidade e sem saber falar português? Será que os curitibanos vão se esforçar para ajudar um gringo perdido?

Na Praça Carlos Gomes tento consultar o totem com os horário de ônibus, sem sucesso. “É pra tá funcionando (sic) – me informa um fiscal – mas às vezes sai do ar. É normal". É uma pena, pois seria de grande ajuda. Não posso fazer outra coisa se não abordar em inglês a cobradora no tubo. Entende apenas "Jardim Botânico" e me mostra a direção com a mão: da Praça Rui Barbosa tenho que pegar o ônibus Petrópolis ou Santa Bárbara.

Depois de 15 minutos no ônibus, estou perto da meta. "Do you speak english?" pergunto à cobradora que acena um não com a cabeça. Mais uma vez repito: "Jardim Botânico". Ela bate o peito com a mão: “Vou te avisar”. Me tranquilizo e fico esperando. De repente, me olha: "É o próximo ponto", e acena para eu apertar o botão da parada. O motorista, no entanto, me olha pelo espelho e pergunta: "Vai descer aqui ou prefere no próximo ponto?". Finjo não entender e fico calado. Ele repete a pergunta, impaciente. "Ele não entende, pode deixá-lo aqui", intervém a cobradora. Desço e na entrada do Jardim Botânico avisto mais um totem.

Preciso encontrar um ônibus que me leve até o Museu Oscar Niemeyer, o MON. Mas essa tela também está desligada. Uma mulher que espera no ponto não fala inglês e não consegue me ajudar. Mas um jovem casal não tem dúvidas: "Go to Terminal Cabral".

No ônibus gostaria de conversar com a minha vizinha, uma mulher de cerca 60 anos, cansada do trabalho, que está beatamente dormindo. Chegando ao Terminal do Cabral, converso “so and so” em inglês com uma moça. Ela na verdade fala só português. De qualquer forma entendo que o MON é distante e que é melhor eu pegar o Inter 2. Ignoro a dica e resolvo caminhar. Na frente do museu abordo a cobradora em inglês. Não surte efeito nenhum. Italiano? Tampouco. Espanhol? “Entendo um poquito”. Me manda pegar o ônibus Los Angeles para voltar ao meu ponto de partida, na Praça Rui Barbosa. Respondo com a única palavra que, só por hoje, conheço em português, “obrigado”. “Está falando bem português”, me diz, mandando um sorriso. Finjo mais uma vez não entender e entro no ônibus. Mas dentro de mim agradeço a gentileza. E hoje o faço publicamente.

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