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Existe saída para a logística brasileira?

Infraestrutura logística impacta diretamente a competitividade brasileira no mercado

Custo de logística no Brasil alcança quase 13% do PIB  | Felipe Rosa
Custo de logística no Brasil alcança quase 13% do PIB  Felipe Rosa
 
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Vice-líder na exportação de alimentos, o Brasil ainda enfrenta dificuldades no setor de infraestrutura logística interna, que acarretam em problemas mercadológicos consideráveis. Segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), o país consumiu, em 2015, 12,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) com custos logísticos, equivalente a R$ 759 bilhões.

Os gastos elevados impactam na competitividade do produto brasileiro quando comparado com outros países. Para se ter uma ideia os custos logísticos dos Estados Unidos no mesmo período somaram 7,8% do PIB.

Para o engenheiro agrônomo e superintendente adjunto do Sistema Ocepar, Nelson Costa, o planejamento de projetos de engenharia no setor de logística pode alavancar o país. “Apesar de perdemos dinheiro com a situação logística, o nosso produto ainda consegue ser competitivo pela qualidade e produtividade das lavouras. Se engenheiros e governo se unirem para intervir nesse setor, ainda precário, temos tudo pra deslanchar no mercado internacional”, relata.

Para o engenheiro mecânico e consultor do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), João Arthur Mohr, a escolha da matriz logística brasileira poderia ter sido mais assertiva. “No passado o Brasil optou por investir no modal rodoviário e deixar de lado o ferroviário, escolha que, pelo tamanho do país, não é correta. Se tivéssemos profissionais de engenharia envolvidos nessa tomada de decisão, a situação seria outra”, explica.

Os caminhos do Brasil

Em 2015, segundo o IBGE, 61,1% da carga transportada pelo país utiliza o modal rodoviário, ao passo que somente 21% utiliza a ferroviária. Em comparação com o primeiro, o modal ferroviário chega a ser 20% mais barato, principalmente em distâncias acima de 600 quilômetros.

Para Mohr, o Brasil precisa, pelo menos, dobrar sua malha ferroviária, mas de uma forma planejada. “Existem rotas essenciais para evacuar cargas até o porto. O país possui profissionais que são referência em todo o globo, porém precisam trabalhar em conjunto com o governo pensando a longo prazo. Realizando estudos preliminares, viabilidade técnica, econômica e ambiental, projeto básico e executivo, enfim, dentro do padrão das melhores práticas da engenharia”, conclui.

Pedágio

De acordo com Mohr, o brasileiro com mais de 40 anos de idade vê que o modelo de concessões de todos os modais é interessante diante da escassez de recursos do Governo, porque já presenciou as estradas antes da adoção desse sistema.

No entanto, na opinião dele, se comparado a outros estados, o pedágio no Paraná poderia cair pela metade: “Para isso, no entanto, é preciso um novo contrato, uma nova licitação daqui quatro anos, quando encerra o contrato vigente. Para os padrões atuais da economia, paga-se o dobro no Paraná e seria necessária uma redução”.

Costa concorda que não é justo pagar o dobro do que em outra rodovia, muitas vezes em condições melhores. No entanto, reforça que é necessário aguardar essa nova licitação e novos contratos a partir de novembro de 2021. “Enquanto isso, a expectativa é buscar nesses quatro anos um equilíbrio nas contas e a conclusão das obras previstas”, relata.

Acompanhe o debate

Nelson Costa e Arthur Mohr discutiram esses e outros assuntos relacionados à infraestrutura logística brasileira na companhia de Nelson Costa, durante o oitavo episódio do projeto de web séries “Uma Nova Engenharia para um Novo Brasil”. Você pode assistir à conversa no início desta matéria ou no Facebook da Gazeta do Povo. Para conferir a programação completa das próximas webséries, clique aqui.

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