Sábado, 04/02/2012
Fotos: Ivonaldo Alexandre e Felipe Rosa / Arte sobre foto: Edilson de Freitas/ Gazeta do Povo
A marcha atlética serve como uma boa alternativa para quem é resistente e busca competitividade. Mas modalidade ainda é malvista por parte do públicoEsse caráter marginal da marcha atlética é o que leva um grupo – seleto – de atletas a abrir mão dos ritmos acima dos 15 km/h pelas passadas curtas e o rebolado. Uma competição nacional, classificatória para Sul-Americano, Mundial e até Olimpíada não costuma ter mais de 20 competidores. A baixa concorrência estimula corredores com boa resistência física a trocarem outras provas de fundo pela marcha.
O número pequeno de competidores em grandes provas é inversamente proporcional ao trabalho que dá se preparar para uma disputa dessas. “Ao contrário de outros esportes, até mesmo a corrida, que quando se cansa é possível diminuir a concentração e a qualidade técnica, na marcha, ela precisa ser constante até a linha de chegada, sem falhas”, explica o ex-marchador e especialista em treinamento desportivo Claudio Luis Bertolino.
Claudinho, como é conhecido, tem uma assessoria de corrida em Londrina e destaca que, no Brasil, a modalidade é subaproveitada. Um estudo acadêmico publicado por ele em 2002 mostrou que investimento em estrutura e recursos humanos a curto prazo – dois anos – fizeram com que os atletas mexicanos subissem consideráveis posições nas principais competições mundiais. Para ele, o mesmo poderia acontecer no Brasil, se o esporte fosse melhor tratado.
“Segue tudo muito parecido. Tanto com os mexicanos sendo os latino-americanos com melhores resultados, como o quadro brasileiro, em que o esporte é relegado a segundo plano”, diz Claudinho, 48 anos. No Mundial de 1997, ele fez sua melhor marca, 1h22min31s nos 20 km da marcha. Um ano antes, representou o país na Olimpíada de Atlanta, na qual terminou no 49.º lugar.
Preconceito e pedras
Uma das razões que impedem a marcha atlética de ganhar mais praticantes, espaço na mídia e atenção de investidores passa por uma questão que extrapola as pistas: o preconceito. A requebrada exigida pela técnica do esporte – única forma de cumprir a obrigação de não tirar os dois pés do chão (ponta do pé de trás não pode perder contato com o solo antes de o calcanhar do pé da frente tocar o chão) – ainda é malvista por uma parcela do público. A ponto de já ter causado situações constrangedoras, algumas de risco aos atletas.
“Há quem xingue, quem provoque na rua. Uma vez, me atiraram uma pedra enquanto eu treinava. Há, sim, ainda muito preconceito, falta de entendimento sobre o esporte. Mas há também quem tenha curiosidade”, diz o técnico em corrida de rua da Trainer Assessoria Esportiva, Samir César Sabadin.“Ainda assim, os benefícios são maiores que os dissabores”, garante.
Samir conta que escolheu a marcha atlética como oportunidade de aproveitar a resistência física para se destacar no atletismo. Foi a modalidade que lhe garantiu a bolsa de estudos na universidade.
A marcha atlética exige musculatura distinta da corrida, como a anterior da coxa, requisitada pela perna de ataque, para que fique totalmente esticada, evitando a flutuação do atleta.
Com o requebrado, o quadril e a lombar precisam de fortalecimento, para evitar dores. “Tem-se de fazer trabalho de base para o abdome, atividades de isometria e fortalecimento muscular. A musculatura da canela também ‘queima’ durante as competições”, diz Sabadin. “O impacto é muito menor na marcha que na corrida. Então, em termos de lesão, o índice é muito menor”, completa Claudinho.
Para inglês ver
A marcha é uma criação inglesa, com os soldados da infantaria, os footmen, cobrindo longas distâncias. Como esporte, surgiu no final do século 19. Entrou para a lista de modalidades olímpicas em 1908, na primeira vez que Londres sediou os Jogos, na prova masculina. Só 84 anos depois foi realizada a primeira disputa olímpica entre mulheres (em Barcelona-1992). Atualmente é disputada entre homens nas provas de 50 e 20 km e, no feminino, 20 km. O atual recorde mundial dos 20 km é do equatoriano Jefferson Perez, 1h17min21s. O menor tempo feito nos 50 km é de 3h35min29s, feito do russo Denis Nizhegorodov.
Copa Brasil
Marcha abre o calendário
A prova que abre o calendário de competições oficiais em 2012 é justamente a marcha atlética. Será realizada em Barueri (SP), amanhã, a Copa Brasil de Marcha Atlética e contará com os principais marchadores brasileiros em busca de índice para a disputa da Copa do Mundo e o índice olímpico nos 50 km, que é de 3h49min32s.
Um dos destaques é o potiguar Cláudio Richardson dos Santos, heptacampeão da Copa Brasil, com presença confirmada, assim como o vice-campeão do ano passado, Luiz Felipe dos Santos, e o curitibano Samir César Sabadin, bronze em 2011.
“No ano passado, a prova foi extremamente desgastante. No final, cheguei chorando, mas já não tinha nem lágrimas. Foi muito desgastante não só fisicamente, mas também psicologicamente. Tomei duas das três faltas possíveis antes do décimo quilômetro. Passei 40 km pressionado para não ser desclassificado”, lembra Sabadin.
O recordista nacional da prova é Mário José dos Santos Júnior (com o tempo de 3h58min30s), que também vai competir em Barueri. “Torço por um clima ameno, já que isso é fator determinante. Eu diria que as condições climáticas têm 60% de influência numa disputa. Mas a previsão diz que vai esquentar. Espero que os meteorologistas errem”, diz o atleta.
O índice olímpico estabelecido pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) exige o término da prova dez minutos antes do que a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), de 3h59min cravados, o que tem gerado preocupação entre os competidores.
Fevereiro
12 – Corrida de Revezamento Entre Parques
Março
4 – Corrida e Caminhada da Medula Óssea
18 – 1ª etapa do Campeonato SMELJ
Abril
1 – Circuito de Corrida pela Paz
Maio
6 – 1ª etapa do Campeonato Infantil
Junho
3 – 2ª etapa do Campeonato Infantil
17 – 2ª etapa do Campeonato SMELJ
24 – Meia-Maratona de Inverno
Julho
1 – Circuito de Corrida pela Paz
22 – Circuito de Corrida pela Paz
Agosto
5 – Circuito de Corrida pela Paz
19 – 3ª etapa do Campeonato SMELJ
26 – Circuito de Corrida pela Paz
Setembro
2 – 3ª etapa do Campeonato Infantil
2 – Circuito de Corrida pela Paz
Outubro
1 – Meia-Maratona Noturna de Curitiba
14 – 4ª etapa do Campeonato SMELJ
Novembro
25 – Circuito de Corrida pela Paz
Dezembro
2 – Circuito de Corrida pela Paz
No último final de semana, cerca de 15 paranaenses participaram do Mountain do Deserto do Atacama, corrida de 23 km no meio do deserto mais seco do mundo, no Chile. A campeã foi a acreana radicada em Curitiba Letícia Saltori, que também chegou no terceiro lugar geral. No masculino, o campeão foi o gaúcho Márcio Scotti, que ultrapassou o curitibano Marco Aurélio Piazza, coordenador de corridas da Academia Gustavo Borges, no último quilômetro. “É uma prova bonita. Em um ambiente muito seco. Largamos às 7h10 com 10º C e, na chegada, já estava 35ºC. Passamos vales e cânions, em alguns momentos ladeados por paredões de até 50 metros”, conta Piazza.
No último domingo foram realizadas a Maratona e a Meia-Maratona de Miami. O campeão foi o norte-americano James Boitt. Em 18.º lugar, o curitibano Henrique Ártico, 22 anos, foi o primeiro entre os brasileiros. “É uma das principais meias dos EUA. Tem uma infraestrutura gigante, com torcida durante todo o percurso”, conta o atleta. A prova teve19 mil competidores de 70 países.
Esse post já deveria estar aqui há alguns dias, mas enfim, antes tarde do que nunca, não é assim?
Muita gente reclamou - e com razão - da transferência da Corrida de Revezamento Entre Parques para o do dia 5 de fevereiro para o dia 12/2.
Assim, o calendário paranaense de corridas de rua já começa com datas conflitantes - o que vai se repetir várias vezes durante o ano, é verdade, mas que poderia ter sido evitado no início da temporada, dando a chance de o estado ter dois belos eventos, em vez de um concorrendo com o outro.
No mesmo dia 12 será realizada a Meia-Maratona RioMarfra. Serão 21 km entre as cidades de Rio Negro (PR) e Mafra (SC) e atletas de vários estados já confirmaram sua participação.
Um ônibus vai sair de Curitiba, da Praça Santos Andrade, no domingo, às 05h00, para levar os atletas até Rio Negro, onde será a largada e chegada. O ônibus retorna logo após a premiação.
Cada inscrição custa R$ 40,00, até o dia 07/02. São mais de R$ 30 mil em premiações.
O número máximo permitido é de 1.000 participantes. Mais informações sobre a meia-maratona pelo site www.eliteeventos.com
Walter Alves/ Gazeta do Povo
Calçado que parece um patins com mola ajuda a trabalhar os músculos dos membros inferioresO hopping propõe o uso de um calçado suíço – que mais parece uma bota de patins roller adaptada com uma espécie de mola, o chamado IPS (sistema de proteção do impacto) – na rotina de treinos.
A atividade seria mais uma forma de usar outras modalidades que contribuem para a melhora da performance na corrida de rua – chamado de cross training.
O calçado é mais conhecido pelo nome de um de seus fabricantes, a empresa suíça Kangoo Jumps, e chegou às academias brasileiras em 2009 com a promessa de favorecer a perda rápida de calorias e torneamento de pernas e bumbum, com a vantagem do baixo impacto.
Fora das salas de ginástica, tem dado bons resultados para quem corre. “Sinto mais facilidade para correr, levo mais tempo para cansar, depois que combinei o hopping à corrida. Acho que a carga das botas faz com que eu me esforce mais”, diz a engenheira civil, 46 anos, Ana Maria Dilay.
“Ninguém corre com caneleiras de peso porque tem alto risco de lesão. Mas as botas, que pesam 1,8 kg, têm o sistema de amortecimento que absorve 80% do impacto do corpo com o chão, o que minimiza esse risco”, explica o professor da modalidade e gerente de marketing da Cia. Athletica, Igor Andrade.
Com o IPS do calçado, toda a musculatura dos membros inferiores é mais exigida na corrida, desde as panturrilhas até os anteriores das coxas. “E é eficiente como atividade funcional [que estimula outros músculos, secundariamente, mais profundos e mais difíceis de trabalhar], o que é ótimo para quem corre”, segue Andrade. Entre as regiões beneficiadas estão, principalmente, abdome e coluna.
Os pulos como atividade física anaeróbia (de fortalecimento muscular, especialmente) não são novidade: basta lembrar o “ancestral” pular corda, que tem também grande função aeróbica (de melhora da capacidade cardiorrespiratória). A atividade foi ganhando complexidade: as aulas de jump – em cima do minitrampolim – viraram febre justamente por ter menos impacto, mais exigência muscular e alto gasto calórico do que os saltos no piso.
Depois, com a kangoo jump, aliou-se à redução do impacto a possibilidade de se deslocar e um consumo de energia ainda maior (cerca de 700 kcal por hora, contra 600 kcal do Jump).
Com o maior esforço muscular e gasto energético, as seções com o calçado não chegam a uma hora (são de 45 minutos), divididas em momentos de movimentos coreografados e corridas indoor. “É uma boa opção para ver resultados rápidos, para quem não tem muito tempo para a academia”, diz a supervisora de vendas Sandra Souza Santos, 35 anos, que começou a prática da atividade há dez meses para perder o peso ganho na gravidez.
Sessões de corrida no asfalto com as botas podem ser inclusas nas planilhas semanais dos atletas, mas com moderação: não devem ultrapassar duas vezes na semana, para não fadigar a musculatura, e com tempo de duração inferior do que treinos com tênis.
“A pisada é diferente no uso dos dois tipos de calçados, mas o atleta se adapta rapidamente às duas formas, sem prejuízo no movimento da corrida”, explica Igor.
Postura
Para usar as botas, é preciso ajustar a postura e a pisada. Coluna reta e barriga para dentro, com a sensação de “empurrar” as costelas para dentro fortalecem o abdome, evitam excesso de carga na coluna e facilitam o equilíbrio sobre o equipamento. A pisada é feita com toda a sola do pé contra o chão, de uma só vez, diferentemente da corrida com tênis – em que se inicia com um leve toque do calcanhar no solo, seguido do restante da sola do pé – ou das aulas sobre o minitrampolim, em que o centro da pisada é no calcanhar.
Para baixo
Nem todos podem utilizar as botas com amortecimento:
- Pessoas obesas não devem usar o equipamento se estiverem sedentárias. É necessário um período de condicionamento físico.
- Diabéticos precisam de atenção redobrada com os pés: as botas podem gerar bolhas nos pés e pequenos cortes. A indicação – que vale para todos – é usar meias grossas e de canos altos antes de calçar o equipamento.
- Hipertensos e pessoas recuperadas de lesões nos tornozelos, joelhos e coluna precisam de acompanhamento profissional para estabelecer os limites da intensidade das sessões de hopping. Dor ou mal-estar são sinais para interromper a atividade e investigar suas causas.
Para cima
Conheça cinco vantagens de incluir treinos com a kangoo jumps:
1) Alto gasto calórico: em uma hora de atividade, são gastas até 700 kcal.
2) Alta exigência da musculatura dos membros inferiores, fortalecidos mais rapidamente do que na corrida tradicional.
3) Ativação e fortalecimento de musculatura profunda dos membros inferiores e região do core (coluna e abdome).
4) Baixo impacto. O fabricante promete uma redução de 80% da força de reação no choque da sola do pé com o chão nas passadas.
5) Pode ser usado para atividades indoor, no hopping, ou nas corridas no asfalto.
Em sua 11.ª edição, a Corrida e Caminhada da Mulher, em Curitiba, será realizada no dia 11 de março e tem inscrições abertas até o dia 29 de fevereiro. A prova é exclusiva para o público feminino, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (8/3). A competição é para corredoras e caminhantes com idade entre 12 e 80 anos, numa distância de 6 km. O limite de 1,1 mil atletas. Mais informações e inscrições pelo site www.procorrer.org.br
A Maratona de Dubai foi dominada pelos etíopes. Realizada ontem – a sexta-feira é considerada dia de folga nos Emirados Árabes –, foi vencida por Ayele Abshero, após 2h4m23s. Foi o novo recorde da prova, o quarto melhor tempo do mundo e lhe rendeu o prêmio de U$$ 250 mil. Seus compatriotas Dino Sefir (2h04m50s) e Markos Geneti (2h4m54s) completaram o pódio. Entre as mulheres, as três primeiras terminaram, pela primeira vez no evento, abaixo de 2h20. A etíope Aselefech Kabuu Lucy Kabuu foi a campeã, com 2h19m31s, seguida pela queniana Lucy Kabuu e pela etíope Mare Dibaba (2h19m52s).
Uma das poucas chances de participar de uma das 5 WMM (World Majors Marathon – as cinco grandes maratonas do mundo) em 2012, acontece nesta quarta-feira, 1.º de fevereiro. As inscrições para a Maratona de Chicago, em 7 de outubro, será aberta a partir das 16 horas pelo site www.chicagomarathon.com. O limite é de 45 mil corredores e as vagas se esgotam A inscrição custa U$ 175 para estrangeiros. Das cinco Majors, além de Chicago, apenas a de Nova York (em 4/11) ainda tem vagas. Berlim, Boston e Londres já fecharam as inscrições.
Fevereiro
5 – Triathlon de Guaratuba, (PR) – ciclismo e corrida. Informações e inscrições pelo site www.triativaeventos.com.br.
5 – 21º Triathlon Internacional de Santos (SP) – triatlo olímpico. Inscrições até 22/1. Informações pelo site www.internacionaldesantos.com.br.
11 – 35ª Prova pedestre 15 de fevereiro, Cornélio Procópio (PR) – corrida de 5 e 10 km. Inscrições até 8/2. Informações pelo site www.sescpr.com.br.
12 – Corrida Rústica e Caminhada de Aniversário de Araucária – 122 anos. Corrida de 5 km e 10 km. Informações pelo site www.araucaria.pr.gov.br.
25 – 4ª Travessia de Natação Noturna Bombinhas (SC) – natação de 880 m e 1,5 km. Inscrições até 25/2. Informações pelo site www.bombinhasesportes.com.br.
ATUALIZADOhá 6h
Música do dia - "Smoke gets in your eyes"
ATUALIZADOhá 18h
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