Segunda-feira, 21/05/2012
Competidores com deficiência física precisam de auxílio para a prática de seus esportes. Missão para os “superguias”
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
O guia nunca pode estar à frente ou ficar para trás do atletaCompetir como qualquer outro. Esforço e dedicação em busca da vitória, mas não para si. Assim é a rotina dos atletas-guias.
Nas provas de atletismo, eles são os olhos dos competidores com cegueira total. A preparação para as provas é sempre em conjunto, pois o paratleta tem de confiar totalmente em seu guia. “O entrosamento entre guia e paratleta deve ser absoluto”, afirma o medalhista do Parapanamericano da Venezuela, em 1985, Mario Sérgio Fontes. Dentre os guias que o auxiliaram está o campeão Robson Caetano.
O paratleta explica que o guia deve ter até 20% a mais de preparo físico do que o deficiente, para que, quando este estiver em seu desempenho máximo, o guia não precise chegar ao limite também. “O guia é aquele que se adapta ao atleta que ele está guiando; ele nunca pode estar à frente ou ficar para trás. E, nas curvas, ele tem de ter muita noção de espaço”, afirma Fontes. Ele é deficiente visual 100% e hoje dirige um projeto de formação de jovens paratletas, o Clube Escolar Paralímpico Rio 2016.
Deve ficar claro para o guia que a competição é do deficiente, como explica a atleta-guia Iolanda Michele Cezar. “Obviamente que é complicado colocar-se na situação, todos tem espírito de competidor, mas o que importa na prova é o deficiente” conta.Normalmente o atleta guia recebe a medalha de participação (não recebe o troféu), mas certamente a maior vitória do guia é a superação diária.
O local para os treinos deve ser seguro para os atletas; não deve oferecer riscos com buracos ou movimento constante de carros. “Essa é a maior dificuldade no treinamento dos deficientes visuais”, lamenta Iolanda. O ideal é mesmo a pista de atletismo.
Já a rotina de treinos é igual à de outros atletas: aquecimento de músculos e articulações, alongamento – a parte principal –, e o relaxamento. O guia deve estar atento a qualquer obstáculo que possa atrapalhar ou contundir o paratleta, informando-o por cinestesia (através do toque). Nas competições, se usa a corda guia.
A relação entre o guia e o paratleta deve sempre ser de muito respeito e paciência. O guia deve expressar as informações através do contato cinestésico e da fala com clareza (sem a necessidade de gritar ou falar lentamente, a menos que o paratleta também tenha deficiência auditiva). Iolanda revela que é preciso respeitar os limites do deficiente, mas também trabalhar para estendê-los. “Meu deficiente visual corre muito mais forte do que eu, e sempre chega ao treino uma hora antes. Ele é 100% cego e 1.000% capaz”, orgulha-se.
A atleta guia Tamy Rezende desde 2011 na Maratona Caixa de Curitiba 2011. “Foram 42.195 km de muito aprendizado e reorganização da minha escala de valores. Compartilhamos em cada quilômetro nossas conquistas e superações”, conta.
Ela lamenta a falta de ações de incentivo à inclusão dos deficientes. Contudo, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da Prefeitura de Curitiba (SMELJ), ela pôde concretizar a primeira etapa de seu projeto: correr a Maratona de Curitiba como atleta-guia. A segunda está por vir: preparar atletas-guias para promover a inclusão social de portadores de deficiência visual por meio do esporte.
Natação
Tappers: uma extensão do atleta fora da água
Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Os tappers avisam os nadadores da proximidade do término da provaA natação é outra modalidade paralímpica importante. Competem atletas com todos os tipos de deficiência física. Os nadadores com deficiência visual recebem um aviso do tapper, uma pessoa que por meio de um bastão (com o mesmo nome), avisa quando eles estão se aproximando das bordas. Rui Menslin é técnico de natação há 12 anos e tapper de nadadores com 100% de cegueira. “Não é só tocar o atleta, deve-se ter noção de tempo e espaço. Ele [o tapper] tem de saber que o nadador pode dar uma ou duas braçadas a mais. Então, se não tocar no momento certo, o paratleta pode fraturar o braço, a mão ou a cabeça. O tapper é uma extensão do atleta” esclarece. Em competições internacionais, é obrigatório que haja dois tappers.
Colaborou: João Carlos Olímpio Fadino
Maio
20 – Duathlon Bosque da Uva, em Colombo – 3 km de corrida, 20 km de ciclismo e 3 km de corrida (inscrições até hoje. Informações pelo site www.triativaeventos.com.br).
27 – IronMan Brasil, em Florianópolis. Triatlo de longa distância (inscrições encerradas).
27 – Circuito de Corrida pela Paz. Regional Portão – corrida de 10 km (informações pelo site www.curitiba.pr.gov.br).
Junho
3 – 2ª etapa do Campeonato Infantil de Corridas SMELJ – corrida para jovens de 10 a 17 anos (inscrições até 27/5. Informações pelo site www.curitiba.pr.gov.br).
17 – 2ª Etapa do Campeonato Adulto da SMELJ, em Curitiba – corrida de 10 km (inscrições até 13/6. Informações pelo site www.curitiba.pr.gov.br).
17 – Meia-maratona de Florianópolis, SC – corrida de 21 km (inscrições até 13/6. Informações pelo site www.meiadefloripa.com.br).
O maratonista Frank Caldeira abriu espaço na sua agenda de treinamentos na preparação para a Olimpíada de Londres para prestigiar o Desafio da Paz. O evento é uma corrida de 5 km com percurso que inclui o caminho por onde traficantes fugiram durante a ocupação da polícia no Morro do Alemão (Rio de Janeiro), em 2010. O objetivo principal da corrida é promover a integração da favela com o restante da cidade. Além de Caldeira, o saltador paranaense Jadel Gregório participará do evento. A prova será no dia 27 de maio. Frank venceu a primeira edição do Desafio da Paz, em 2011, mas afirma que, este ano, o foco é terminar bem a prova e priorizar o treinamento para Londres.
Uma das mais tradicionais meia-maratonas brasileiras será realizada amanhã, com a participação de 8 mil corredores. A Corrida da Ponte, com início no Caminho Niemeyer, em Niterói, tem 13 km do trajeto sobre a Ponte Rio-Niterói e chegada no Aterro do Flamengo. O tráfego para automóveis no sentido Rio estará bloqueado desde as 2 horas da madrugada de domingo e a liberação total do trecho será após as 14h.
O Ecomotion Pro, maior corrida de aventura das Américas, tem largada amanhã. Paranaenses na prova contam os meses de preparativos para encarar quase 600 km de trekking, moutain bike, canoagem e técnicas verticais
Ecomotion 2011
Em 2011, o Ecomotion Pro foi disputado na Costa do Descobrimento (BA). Este ano, o desafio será na Chapadas dos Veadeiros (GO)Sem parar. O Ecomotion Pro é uma prova de corrida de aventura que reúne 200 atletas em 37 equipes que terão de percorrer 585 quilômetros pela vegetação natural da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Serão dez dias em que trocarão o sono por competição em trilhas, estradas, cânions, rios, deslocando-se a pé, de bicicleta, pendurados em cordas e orientados por mapas.
A prova, disputada por quartetos, porém, começou, no papel, há cinco meses para os competidores. “O esporte leva ‘aventura’ no nome. Mas de aventura não tem nada. Temos de fazer de tudo para não cair no imprevisto, check list enorme para providenciar: comida, kits primeiros socorros, as bicicletas, equipamentos de segurança. Sem contar o longo tempo de preparo físico e experiência em outras provas para encarar o Ecomotion”, diz o bombeiro militar Gerson Luís Machado, 43 anos, estreante no evento.
Ele forma equipe com outra catarinense, Denise Macedo, 44 anos, e os paranaenses Jefferson José Ozogovski, 42, e Gerson Ernesto dos Santos, 42. Enquanto a primeira dupla treina em Florianópolis, a outra metade do time fez toda a preparação em Paranaguá. “Temos toda a estrutura de Mata Atlântica para fazer trekking”, diz Santos. Os treinos de caiaque são na baía da cidade portuária.
Há ainda os problemas burocráticos para passar dez dias longe do trabalho. O Gerson catarinense programou as férias para o mesmo período da prova; o paranaense, uma compensação de horas na rotina de oficial de justiça para viajar a Goiás. “Duas vezes não fui dispensado e tive de abrir mão do Ecomotion”, lembra.
Durante a prova, as equipes traçam diferentes estratégias para abrir vantagem sobre os concorrentes, que inclui noites em claro pedalando ou caminhando, com breves cochilos. Alimentação e equipamento têm de pesar o mínimo possível. Cansaço, esgotamento físico e psicológico são inevitáveis. “Mal dá para prestar atenção na paisagem. Tem de se manter o espírito de nunca desistir até chegar à linha final”, resume Santos. “Chega um ponto que só resta usar o instinto animal”, fala Machado.
As equipes de vários estados brasileiros e estrangeiras (vindas da Espanha, França, Uruguai, Argentina e Nova Zelândia) contam com times de apoio, que tentam oferecer um mínimo de conforto nos pontos permitidos pelos organizadores. “Até macarrão instantâneo aprendemos a preparar com o próprio calor do corpo”, conta a supervisora de mercado, Andrea Pasquini, 35 anos, que vai para seu segundo Ecomotion Pro. “É uma prova que exige muita logística e investimento”, conta.
Todo o equipamento de um atleta pode pesar até 120 quilos. “O investimento é de cerca de R$ 20 mil”, estima Andrea. “A gente meio que paga para sofrer. Mas sempre quer voltar”, conta Gerson Machado.
O desafio
Entenda como funciona a disputa do Ecomotion:
• As equipes são formadas por quartetos, com pelo menos uma mulher. “Somos poucas com preparo para provas desse porte. Isso faz com que sejamos bastante disputadas pelos times”, diz Andrea Pasquini.
• A Chapada dos Veadeiros é uma região de privilegiada diversidade natural, nascentes fundamentais para a formação do Rio Tocantins, trilhas, cânions, rios, córregos, riachos, montanhas, cavernas.
• O local de largada é mantido em sigilo e o mapa do percurso é divulgado horas antes da largada.
• O mountain bike será a modalidade com maior distância a ser percorrida pelos quartetos, com 321 km. Em seguida, o trekking (155 km), a canoagem (108 km) e técnicas verticais, como rapel (1 km), totalizando 585 km.
• A premiação para a equipe campeã é de 12 mil dólares (cerca de R$ 23,2 mil).
• Esta é a nona edição do Ecomotion Pro. Os brasileiros venceram três vezes. Times espanhóis, duas; um título foi para a Nova Zelândia e outro, para os Estados Unidos.
Maio
20 – Duathlon Bosque da Uva, em Colombo – 3 km de corrida, 20 km de ciclismo e 3 km de corrida (inscrições até 15/5. Informações pelo site www.triativaeventos.com.br).
20 – Corrida da Ponte, em Niterói (RJ). Corrida de 21 km – (informações pelo site www.corridadaponte.com.br).
27 – IronMan Brasil, em Florianópolis. Triatlo de longa distância (inscrições encerradas).
27 – Circuito de Corrida pela Paz. Regional Portão – corrida de 10 km (informações pelo site www.curitiba.pr.gov.br).
Junho
3 – 10ª Corrida do Artilheiro, em Curitiba – corridas de 5 km e 10 km (inscrições até 28/5. informações pelo site www.assessocor.com.br).
3 – 9ª Etapa do Circuito Sesc Caminhada e Corrida, em Mal. Rondon – corrida de 10 km (inscrições até 30/5. Informações pelo site www.sescpr.com.br).
3 – 2ª etapa do Campeonato Infantil de Corridas SMELJ – corrida para jovens de 10 a 17 anos (inscrições até 27/5. Informações pelo site www.curitiba.pr.gov.br).
17 – 2ª Etapa do Campeonato Adulto da SMELJ, em Curitiba – corrida de 10 (inscrições até 13/6. Infomações pelo site www.curitiba.pr.gov.br).
17 – Meia-Maratona de Florianópolis, SC – corrida de 21 km (inscrições até 13/6. Informações pelo site www.meiadefloripa.com.br).
24 – Meia-Maratona de Curitiba – corrida de 21 km (inscrições até 17/6. Informações pelo site www.assessocor.com.br).
Em maior ou menor quantidade, alguns alimentos não podem faltar na dieta de quem pratica atividade física. Carboidratos, por exemplo, são essenciais para quem faz exercícios de alto gasto energético, enquanto as proteínas são indispensáveis na recuperação muscular e colaboram para a hipertrofia. Durante esta semana, a reportagem do Fôlego pediu para que os leitores-atletas contassem no blog quais alimentos estão sempre em seus pratos e, com base nas respostas, duas nutricionistas esportivas – Melissa dos Santos e Denise Entrudo – explicam os benefícios de cada iguaria para o organismo.
Grupo 1
Fotos: Antônio More/ Gazeta do Povo e Hugo Harada/ Gazeta do Povo
Laranjas e pão• Carboidratos – pães, massas, frutas
Alimentos que dão energia para o corpo executar com qualidade o treinamento, sem que seja necessário buscar as reservas do organismo, explica Melissa Santos. Mesmo quem visa a perda de peso tem de ingerir produtos desse grupo. Recomendados para as refeições pré atividade física.
• Açaí
Rico em proteínas, gordura vegetal, vitaminas B1, C e E, ferro, fósforo e cálcio e potássio e alto teor dos pigmentos antocianinas. Estes são antioxidantes. “Isso impede a liberação de radicais livres”, conta Melissa dos Santos.
• Banana
Alimento energético de rápida absorção; com bastante potássio, que previne cãibras e magnésio, fundamental para o bom funcionamento dos músculos.
• Pão branco, macarrão, geleia, mel, frutas
Carboidratos simples, pobres em fibras e com maior índice de glicose.
• Pão integral, granola, cereais
Têm alto teor de fibras, menor índice de glicose e maior concentração de vitaminas e sais minerais. São carboidratos complexos, que levam mais tempo para serem digeridos e devem estar presentes nas principais refeições do dia a dia.
Grupo 2
Fotos: Rogerio Machado/ Arquivo/ Gazeta do Povo e Johannes Eisele/ AFP
Leite e ovos• Proteínas – carnes, leite e derivados
Elas têm como função principal a recuperação muscular, que sofre microlesões durante o exercício físico. Ideais para serem consumidos após os treinamentos.
• Ovos
“Uma boa receita é o omelete, na proporção de duas claras para uma gema, já que é na parte branca do ovo que está toda a proteína”, diz Melissa. A restrição é para quem precisa controlar o colesterol.
• Salmão
Rica em ômega 3, esta carne branca evita a diminuição da produção de colágeno.
• Ricota
É um queijo feito do soro de leite rico em aminoácidos BCAA (de cadeia ramificada, que são três: valina, leucina e isoleucina), que auxiliam na recuperação muscular, evitando lesões e dão energia. Constituem cerca de 35% da massa muscular corpórea e são indispensáveis para o crescimento dos músculos.
Grupo 3
Fotos: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo e Antônio More/ Gazeta do Povo
Castanha do Pará, chia, água e linhaça• Gorduras essenciais – castanhas e nozes, sementes, óleos de peixe e vegetais não processados
Deve-se priorizar as gorduras monossaturadas (presentes no azeite, abacate, amendoim) ou poli-insaturados (produtos ricos em ômega 3, um tipo de lipídio necessário ao organismo).
• Castanha do Pará
Rica em selênio, previne a formação dos radicais livres (responsáveis pelo envelhecimento celular). Comer uma unidade por dia ajuda a prevenir lesões.
• Linhaça e Chia
Podem ser inclusas na alimentação diária pelo alto teor de ômega 3. “São antioxidantes, evitam lesões nas articulações, desde que com uso frequente”, diz Denise. Duas colheres de sopa de chia contêm 3 g de ômega 3 (a necessidade diária varia de 500 mg a 4 g).
• Água
“Mesmo quem vai apenas dar só uma volta no parque tem de se habituar a beber líquidos durante e depois dos treinos”, diz Melissa. A medida de 2 l diários é bem-vinda; para quem tem consumo calórico acima da média a proporção é de 1 ml de água para cada 1 kcal ingerido.
A partir das 6h30 de domingo começam as provas do Grande Prêmio Internacional do Pará de Atletismo, uma das provas que a saltadora brasileira Maurren Maggi disputará antes dos Jogos Olímpicos de Londres. Além da campeã olímpica, outros atletas classificados para os Jogos estarão na competição em Belém, como o campeão mundial de salto em distância, Mauro Vinícius da Silva, o Duda, os velocistas Bruno Lins, Ana Cláudia Lemos e Sandro Viana. Keila Costa disputará o salto em distância em busca do índice olímpico.
Neste domingo será realizada a segunda etapa do Campeonato Paranaense de Orientação, em Rio Negro. Cerca de 200 atletas vão participar da prova, que desafia os participantes a cumprirem um percurso desconhecido com áreas de mata fechada, estradas de terra com apenas um mapa e uma bússola como referenciais. A competição também servirá para testar a estrutura necessária para promover uma etapa do Sul-Americano, em novembro, que receberá 700 competidores. A largada será às 10 horas, em frente à Capela São Francisco de Assis, em Rio Negro.
Maio
13 – Meia-Maratona Balneário Camboriú (SC) : corridas de 5 km e 21 km (inscrições até 8/5. Informações no site www.correbrasil.com.br).
20 – Duathlon Bosque da Uva, em Colombo : 3 km de corrida, 20 km de ciclismo e 3 km de corrida (inscrições até 15/5. Informações no site www.triativaeventos.com.br).
20 – Corrida da Ponte, em Niterói (RJ): Corrida de 21 km – (informações no site www.corridadaponte.com.br).
27 – IronMan Brasil, em Florianópolis: Triatlo de longa distância (inscrição encerrada).
27 – Circuito de Corrida pela Paz: Regional Portão – corrida de 10 km (informações pelo site www.curitiba.pr.gov.br).
Junho
3 – 10ª Corrida do Artilheiro, em Curitiba: corridas de 5 km e 10 km (inscrições até 28/5. informações no site www.assessocor.com.br).
3 – 9ª Etapa do Circuito Sesc Caminhada e Corrida, em Mal. Rondon: corrida de 10 km (inscrições até 30/5. Informações no site www.sescpr.com.br).
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