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Rodrigo França

Sete corridas, sete vencedores e um papo de bar

Texto publicado na edição impressa de 11 de junho de 2012

Para ilustrar o momento mágico que a F1 vive em 2012, vou contar um rápido papo de bar: encerrado nosso trabalho no GP de Mônaco, fomos a um restaurante perto da sala de imprensa para que nós, jornalistas brasileiros, conseguíssemos assistir às 500 Milhas de Indianápolis. O “Stars’n Bars” é um local temático, voltado ao esporte e cuja decoração impressiona os fãs de F1. Com a Indy 500 ainda “morna”, deixamos um pouco a tevê de lado e começamos a falar sobre o GP de Mônaco. Citamos os seis vencedores diferentes e Reginaldo Leme até brincou sobre a entrevista de Bernie Ecclestone na TV Globo, minutos antes da largada: “Ele foi enfático: teremos sim um sexto vencedor diferente aqui em Mônaco”, disse.

Obviamente, começamos a criar nossa própria teoria da conspiração, dizendo que a cada corrida o “todo-poderoso” da categoria escolhia um piloto para receber pneus especiais, cravando assim sempre um vencedor diferente. Demos boas risadas e, claro, nenhum de nós de fato pensaria numa teoria assim. Mas uma coisa é certa: nem se fosse planejado o ano sairia tão incrível!

Ontem, Lewis Hamilton confirmou seu favoritismo como candidato a ampliar este recorde histórico. O piloto da McLaren começou a sexta-feira sendo o mais rápido e, mesmo perdendo a pole para Vettel no sábado, soube fazer a leitura perfeita da corrida. Hamilton atacou no momento certo e soube conter sua conhecida agressividade (que o colocou em tantas encrencas no ano passado), mas sendo rápido o suficiente para descontar na pista a desvantagem da parada extra e passar Vettel e Alonso. O final da prova foi eletrizante, bem como a intensa disputa destes três pilotos, que, na minha opinião, são os melhores da geração atual.

A imagem dos três entrando na reta separados por poucos segundos é daquelas emblemáticas, que será usada daqui a décadas para ilustrar estes três grandes pilotos da F1. Não por acaso, em meio a tanto equilíbrio, após sete GPs, são eles os três primeiros, praticamente empatados em pontos (88, 86 e 85).

Como já escrevi aqui, não há dúvidas de que estamos assistindo uma temporada histórica. Além do equilíbrio entre estes três grandes pilotos (correndo por três grandes equipes), a presença no pódio de Perez, da Sauber, e de Grosjean, da Lotus Renault, mostra que os times “médios” (que cresceram neste ano e estão incomodando as mais tradicionais) continuam muito competitivos.Mesmo acumulando pódios, as duas equipes ainda não venceram nesta temporada tão equilibrada. Será que ainda há espaço para ampliar este recorde? Se você é daqueles que gosta de uma boa teoria da conspiração (ou de uma boa conversa de bar), estão aí bons candidatos a receber os pneus especiais do “todo-poderoso”.

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