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Fernando Rudnick

Memória apagada

Texto publicado na edição impressa de 05 de junho de 2012

Alguns anos atrás, se me perguntassem qual era a primeira imagem de Ronaldinho Gaúcho que me vinha à cabeça, responderia sem titubear: o gol de placa marcado contra a Venezuela na Copa América, em 30 de junho de 1999. Então com 19 anos, o jogador era magrinho, tinha cabelo curto, ostentava um largo sorriso dentuço e vestia a camisa número 21 da seleção (por dentro do calção!), além de calçar chuteiras discretamente pretas. Naquele jogo, o carismático gauchinho de Porto Alegre deu mostras de que seria, em pouco tempo, uma referência de futebol bonito para o mundo inteiro.

Em pouco tempo Ronaldinho confirmou seu talento. Foi pentacampeão em 2002, venceu duas vezes o Campeonato Espanhol e uma vez a Liga dos Campeões da Europa. Por duas temporadas consecutivas (2004 e 2005), foi eleito o melhor jogador do mundo. Sua genialidade, aliada a uma técnica apurada e físico privilegiado, foi capaz de fazer o Santiago Bernabéu, estádio do rival Real Madrid, aplaudir de pé um jogador do Barcelona. O mundo estava a seus pés.

Treze anos depois de marcar seu primeiro gol com a amarelinha, o meia-atacante manteve a dentição avantajada, mas mudou completamente, interna e externamente. O cabelo comprido virou marca registrada, assim como as chuteiras coloridas e o estilo despojado, com a camisa por fora do calção. Virou estrela de comerciais. Da genialidade latente, porém, sobrou apenas uma sombra.

O Ronaldinho de hoje, com 32 anos, acumula mais problemas extracampo do que gols e jogadas bonitas. Mal assessorado, o jogador deixou o Flamengo colecionando crises e está conseguindo, pelo menos na minha memória, apagar o garoto genial do Grêmio. O tempo cobrou sua parcela, o físico não é mais o mesmo, os reflexos não acompanham mais a velocidade do cérebro. Nessa equação, Ronaldinho deixou de ser sinônimo de futebol-arte e passou a ser um problema.

As frequentes noitadas foram fundamentais para a derrocada, mas a questão central chama-se vontade, ou melhor, a falta dela. Por que um jovem milionário, realizado profissionalmente, e conhecido em todo o planeta precisaria acordar cedo todos os dias, se dedicar nos treinamentos e manter uma rotina regrada quando ele pode simplesmente aproveitar tudo o que, merecidamente, conquistou durante a carreira? Humano, Ronaldinho perdeu a briga para ele mesmo.

Mas como ainda existem clubes que gostam de problemas, surgiu o Atlético-MG. Ignorou o histórico recente e contratou uma bomba-relógio, um livro cujo desfecho está escancarado na primeira página. Infelizmente para o futebol, Gaúcho nunca mais será o mesmo. No máximo, viverá de lampejos. Se o curso da história continuar no mesmo trilho, não acabará a carreira no Galo, mas nos petrodólares do Oriente Médio ou nos holofotes dos EUA. Novos escândalos virão. Tomara que não apaguem ainda mais a minha memória.

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