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Marcio Reinecken

Tricolor desnutrido pela ganância

Texto publicado na edição impressa de 20 de março de 2012

O drama que vivem os me­­ninos do Ninho da Gra­­lha, passando fome à noite, é o retrato fiel do que levou o Paraná à derrocada. Tudo de ruim que acontece com o clube desde antes da queda à Segunda Divisão está ligado à ganância de boa parte das pessoas que tomaram decisões por lá.

Não vou levar em conta a atual direção do clube, pois seria injusto enquadrá-la nesta mesma opinião com tão pouco tempo e sem dar chance para que possa realizar o trabalho para o qual foi eleita. Mas se partirmos do último pleito, olhando com calma para trás, veremos que o futebol, que deveria ser feito para o torcedor paranista, estava sendo feito para seus próprios dirigentes.

Com a desculpa de ajudar o clube, muitos colocaram seu quinhão no Paraná com o propósito escancarado de obter lucro. Hipnotiza­­dos pelo “milagre financeiro” que tomou conta do futebol nacional e mundial, uma espécie de bolha que está prestes a explodir, emprestaram dinheiro ao Tricolor não como um ato altruísta como alardeavam, mas como simples investimento.

O ato, repetido a exaustão, secou as fontes do clube, seus jogadores da base. Mesmo os atletas profissionais trazidos por empresários “parceiros” (de quem?), no primeiro sinal de sucesso foram vendidos sem quase nenhum retorno para o Paraná. Foi desde presidente envolvido em desvio por “contas não catalogadas” até presidente que colocou tudo no papel, com participação oficial em empresa que tinha participação em atletas do clube.

Se os “torcedores” empresários e os dirigentes que fazem futebol “por amor” que injetaram dinheiro no Paraná quisessem mesmo ajudar o clube, não cobrariam nada além do próprio valor investido corrigido pela inflação. É assim que se faz quando você empresta para um filho ou um irmão – isso quando não dá logo o dinheiro, pois não te faz falta.

Desculpe, mas não se pega da família garantias em porcentuais do salário de seus membros. Ou, no caso do Tricolor, de seus futuros craques como Kelvin – que nem virou presente e já é passado. E não é exatamente esses termos que se usam por aí para definir clubes de futebol: a “família”, a “nação”?

Pois dessa família ou nação, ultimamente, é sempre o torcedor, uma espécie de marido traído, que leva a culpa e serve como desculpa. É ele que é acusado de não dar atenção para o time, de não ir ao campo, de não apoiar ou não virar sócio.

É por tudo isso que, hoje, o Paraná tem exatamente a imagem descrita pelo professor dos garotos de base na matéria publicada pela Gazeta no domingo: a de uma criança desnutrida.

Concordo com o presidente Rubens Bohlen, de que a retomada integral do Ninho da Gralha é o primeiro passo para a reconstrução de um clube despedaçado. Mas isso tem de, realmente, virar prática e sair do papel.

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