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Pesquisa de torcidas revela Paraná forasteiro

Levantamento com 113.962 pessoas em 70 cidades reforça a preferência do estado por times de fora. Corinthians amplia liderança

Publicado em 23/12/2012 |
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Retorno à Série A, contratação de Ronaldo, títulos bra­­silei­ro, da Libertadores e mundial, contagem regressiva para a inau­­guração do estádio próprio. Os últimos quatro anos foram de sonhos para os corin­tianos. E acentuaram o pesadelo dos clubes paranaenses. O Corinthians reforçou sua con­­dição de maior torcida no Paraná, agora com o dobro da preferência do segundo colocado. Mais do que isso, puxou um crescimento da preferência do paranaense por times de outras regiões. Na contramão, as principais equipes locais perderam adeptos.

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“O Paraná tem o menor índice de preferência pelos clubes da casa”

Fernando Ferreira, economista e proprietário da Pluri Consultoria, em depoimento a Leonardo Mendes Júnior

A supremacia de times de fora não é um problema exclusivo do Paraná. É um fenômeno nacional. Em apenas quatro estados os times locais são hegemônicos: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Entre os principais estados do futebol brasileiro, o Paraná é aquele em que se tem o menor índice de preferência pelos clubes da casa.

O Atlético teve altos e baixos nos últimos anos. O Coritiba viveu uma fase boa, mas sem conquistas nacionais. O Corinthians tem o domínio da mídia. Então o crescimento da torcida alvinegra aqui era previsto, mas é muito preocupante um avanço desses em um prazo tão curto. Movimentos de torcida costumam ser mais lentos.

Os clubes partem do princípio de que torcida é subproduto de conquistas e da visibilidade que elas trazem. Além disso, o modelo político, de mandatos de três, quatro anos com grande alternância de poder, leva os dirigentes a negligenciar projetos a longo prazo de manutenção de torcida. É sempre o campeonato da vez, o patrocínio da vez e ninguém se preocupa em ampliar a base de clientes ao longo do tempo. Então o clube fica sempre dependendo de resultados.

Os únicos a fugir dessa lógica são Corinthians e Grêmio. O Corinthians passou 23 anos sem ganhar título e isso não afetou a sua torcida, pelo contrário. O time perdeu para o Tolima em 2011 e lançou uma campanha dizendo que corintiano vive de Corinthians, não de título. A torcida do Grêmio não parou de crescer nem nos últimos anos, com o Inter ganhando tudo. É um clube que vive muito em torno de si mesmo, da fama de imortal, de feitos heroicos.

A curto prazo, os clubes paranaenses não sentem a consequência dessa redução de torcida. Focam as ações no torcedor engajado, obtêm receita e está tudo certo. Mas é preciso ver que 20 anos atrás as torcidas de Coritiba e Atlético eram maiores, e foram caindo.

A mudança desse cenário passa, necessariamente, por articulação conjunta que envolva os clubes e a mídia. Sem mídia não funciona. Ela está nas mãos dos paulistas, que são naturalmente muito expostos. Antes, os clubes do Rio cresceram pela força do rádio e, mais tarde, da televisão. E não adianta evocar o bairrismo. Isso funciona melhor para os gaúchos. É necessário uma ação de longo prazo, que valorize os aspectos positivos dos times locais.

Esse cenário é revelado em um levantamento exclusivo da Paraná Pesquisas para a Ga­­ze­­ta do Povo. O maior estudo do gênero feito no estado ouviu 113.962 pessoas em 70 municípios, entre janeiro e novembro deste ano. A margem de erro é de 0,5%.

O bando de loucos corresponde a 15,77% dos morado­res do estado, índice inferior apenas ao dos que dizem não torcer para ninguém (32,44%). O Atlético vem em segundo, com 7,72%, abrindo um bloco que tem, dentro da margem de erro, Palmei­ras (7,34%), São Paulo (7,12%) e Coritiba (6,97%). Logo atrás vêm Flamengo (6,69%) e Santos (5,28%), para, somente então, aparecer o Paraná (2,08%). É como se em cada dez paranaenses, cinco torcessem por times de fora, três por nenhum e apenas dois por equipes do estado.

O cenário fica mais dramático quando comparado a outro levantamento da Pa­­raná Pesquisas, de 2008. Os quatro grandes de São Paulo, a dupla Grenal, Flamengo e Vasco tiveram, juntos, um crescimento de torcida de 14% – só o Palmeiras perdeu fãs. O Corinthians cresceu 26,7% e viu sua liderança ficar mais folgada. Se em 2008 a vantagem para o Atlético era de três pontos porcentuais, agora o Timão tem o dobro de seguidores do Furacão.

Diferença que reflete o encolhimento da torcida do trio de ferro, uma redução de 17%. Tricolores (34%) e rubro-negros (19%) tiveram as maiores quedas. Os alviverdes caíram menos (7%), mas perderam o posto de quarta maior torcida do estado para o São Paulo, e viram o Fla­­mengo encostar.

Entre os clubes locais, a reação é responsabilizar a formação política e social do estado. O Norte coloni­zado por paulistas, o Oeste por gaúchos e os 40 anos como co­­marca de São Paulo deixaram uma herança cultural que limita o alcance dos principais clubes do estado às imediações de Curitiba. “Passou de Campo Largo, ninguém mais torce para os times do estado”, diz Rubens Bohlen, presidente do Paraná.

A pesquisa respalda, em partes, a avaliação. Antonina é a cidade mais distante da ca­­pital em que o trio de ferro domina. No interior, Ponta Grossa, Londrina e Paranavaí têm os times da cidade como os paranaenses mais populares – atrás dos paulistas.

A influência sanguínea, porém, não explica tudo. O Oeste gaúcho já tem o Corinthians como maior torcida em Cascavel e Foz do Igua­­çu. Dados do Censo-2010 mostram que 550 mil pessoas nascidas em São Paulo moram no Paraná. É menos do que a torcida do Santos no estado. O número de gaúchos (279 mil) não comporta os fãs da dupla de Grenal. Sinal claro de que há paranaenses de nascimento – filhos de migrantes ou não – torcendo por times de fora.

“O momento é corintiano”, aponta Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas. “Fora se cultiva o sentimento de a criança, o jovem torcer pelo time da cidade. Aqui é bonito torcer pelo campeão”, acrescenta Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba.
Mesmo a difícil reversão desse quadro parece exigir uma postura diferente. “Os adversários não são mais os paranaenses, mas sim os paulistas. Curitiba é um mercado esgotado. Precisa crescer no interior, mas como?”, questiona Hidalgo.

    • FACIL EXPLICAR, A RPC afialiada da GLOBO passa varios jogos do CORINTHIANS no estado todo, e inclusive os CLASSICOS regionais deixa de transmitir, enfim a MIDIA faz o terocedor, antes era o FLAMENGO, que deixou de ser pela RAZAO que nao gana nada, porque continua com preferencias tambem nas transmissoes. - EUGENIO COSTA - 31/12/1969 21:00:00
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