Terça-feira, 09/02/2010
Gilberto Abelha/Jornal de Londrina
Adir Leme (primeiro plano) e Peter Silva formalizam o acordo de parceria que garantirá investimentos no clube pelos próximos três anos
Investimento a longo prazo, aposta na base, apoio da torcida e calendário fazem o LEC sonhar com o retorno ao tempo em que era um dos grandes do estado
Publicado em 27/07/2008 | Felipe Lessa, especial para a Gazeta do Povo“Conseguir calendário para o ano todo”, resume o presidente do clube, Peter Silva.
Aqueles que imaginam que as últimas boas transferências do Londrina realizaram-se nos tempos de Elber, Agnaldo e Fabinho erraram. O último grande acerto veio com Alan, que hoje está no Fluminense e que a cada jogo vem ganhando destaque na imprensa carioca. Um excelente negócio, segundo o presidente Peter Silva.
“Vendi o Alan ao (Carlos Massa) Ratinho por R$ 1 milhão, o que ajudou a investir mais no trabalho com a base. Veja outro bom que saiu daqui. O Rafinha, do Schalke 04, da Alemanha. Ele foi revelado no Londrina, não no Coxa”, afirma.
A principal queixa do presidente Peter Silva foi ter entrado na presidência sem poder contar com os times de base do Londrina, o Tubarãozinho. “Não sei o que houve. Só sei que não tinha time”, conta, com um tom de queixa que estende à torcida.
“Temos um carinho especial pela base e sentíamos saudades dela. Precisamos manter as categorias menores, pois os nossos meninos são a vida do clube. No profissional, os nossos melhores sempre vieram da base. Hoje não vai ser diferente e por isso vamos vencer a Copa Paraná. Temos bandeira para isso”, diz Fernando César Pereira, presidente da Falange Azul.
Quem também implora para que seja mantido todo respaldo ao departamento de base do Londrina é um antigo ídolo. Alexandre Bianchi, que jogou com Elber, foi campeão paranaense em 92 e virou o herói do PEC ao marcar um golaço contra o Flamengo, no empate por 1 a 1 pela Copa do Brasil de 93, no Estádio do Café.
Londrinense, revelado nas categorias de base, Bianchi chegou a fazer parte da seleção brasileira pré-olímpica no final dos anos 80. Quando fala sobre o LEC, se emociona. “Teve uma época em que éramos apenas os garotos da casa. Depois, com o tempo, fomos uma equipe mais amadurecida. Jogávamos com amor. Éramos torcedores do clube. Essa era a base da equipe de 92”, declara Alexandre, um dos jogadores que por mais tempo atuou no Londrina. Desde 1980, na base, até 1996. (FL)
Parceiro ficará com 80% da receita do clube
Foi assinado na quinta-feira o contrato de parceria entre o Londrina e grupo de Adir Leme. Está previsto no acordo, como indica o presidente Peter Silva, “a responsabilidade do Adir de pagar todas pendências do clube. E do valor que o time receber em patrocínios, cotas, entre outros, Adir fica com 80% e o Londrina com 20%”. O contrato da parceria vai ter validade de três anos, com os valores revistos apenas depois de seu cumprimento.
Peter indica que a parceria foi importante para ajudar também no pagamento das dívidas do clube. “Para você ver. O Adir é o nosso avalista no acordo com a Justiça do Trabalho. Quando comecei, a dívida do clube estava em quase R$ 7 milhões. Eu diminuí R$ 2,4 milhões.” (FL)
Triunfar na Copa Paraná dá ao Londrina a chance de ampliar seu calendário. O investimento para cumprir essa meta é o valor de custo de toda estrutura do clube por mês, R$ 220 mil. Uma das medidas para economizar foi realizando uma parceria com o vizinho, Arapongas, que inicia hoje a disputa da Terceira Divisão estadual.
O principal dirigente é torcedor nato, dos tempos em que o Londrina ganhava títulos e dos que não ganhou nada. Foi parar no LEC quando propôs um projeto de ajuda ao clube. “Acompanhei boa parte das glórias do time. Desde os tempos em que surgiu o apelido de Tubarão (por causa do filme homônino, lançado no fim dos anos 70) até o declínio. Em 2000, resolvi ajudar apresentando um projeto de marketing para o Londrina. Logo em seguida fui para a diretoria. Sempre fui um torcedor de arquibancada, nunca imaginei que um dia eu estaria à frente do meu time”, conta, eufórico.
No comando do LEC desde a gestão 2006/2007, quando o clube enfrentou um de seus piores momentos estruturais, Peter foi reeleito para 2008/2009 pretendendo avançar na missão: cumprir a promessa de em quatro anos fazer do Londrina um clube viável.
“Na minha visão, o viável é ter um time com planejamento, estrutura, bom nome na praça, bons jogadores, boa base, bons jogos, calendário e assim vai. Quando cheguei não tinha nada disso”, conta.
Para cumprir as metas de reestruturação do clube, fechou acordo com a Justiça do trabalho, retomou contatos políticos, entre eles com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Paranaense e remontou a base.
Nesta semana, formalizou a parceria estabelecida com o grupo do investidor Adir Leme e, em breve, pretende construir o Centro de Treinamento.
“Coloquei toda a amizade de bastidores que tenho a favor do LEC. Fazendo o clube sonhar com um futuro, pois isso nunca existiu. Muitos dos que estavam antes no Londrina fizeram o que não fariam em suas próprias casas, ou empresas”, finaliza.
Loteria alviceleste
Se a confiança do presidente em um futuro melhor está na tranqüilidade e no planejamento, os torcedores que proporcionaram uma média de quase 7 mil pessoas por jogo no Paranaense-2008 esperam mesmo os resultados imediatos. Sem ter jogo do profissional para assistir, os alvicelestes mantiveram o vínculo físico com o clube comparecendo nas partidas dos times de base ou apostando na Timemania.
Nos jogos das equipes menores do clube, o público não chegou a ganhar destaque. No entanto, na loteria da Caixa os números são expressivos. O concurso 21, realizado no dia 20 deste mês, foi exemplo. Com 12.764 apostas, o Londrina foi o 21º colocado na rodada.
Entre os que sempre deixam suas contribuições para o LEC está o presidente da torcida Falange Azul, Fernando César Pereira. “Toda semana eu jogo e peço aos meus amigos que joguem. Tudo bem que se eu ganhar, vai ser um dinheiro muito bem-vindo. Mas a intenção é ajudar o Londrina a fazer bonito, pelo menos nas apostas”, brinca o torcedor.
Em rodadas como essa, em que o LEC ficou na frente de clubes da Primeira Divisão como Náutico, Portuguesa, Figueirense e Ipatinga, além do Paraná, o valor médio que atualmente o Londrina recebe por mês em seus cofres é de R$8 mil, segundo dados do próprio clube. Uma boa participação garantida apenas no boca-a-boca, sem nenhuma promoção especial.
“Cheguei a fazer um pedido aos torcedores pelo site oficial. Pedia que participassem. No entanto, fora isso, não foi feito mais nada. Nunca imaginei que chegaríamos nem à metade da metade da metade de apostas que temos. Isso mostra que o torcedor do Londrina quer ajudar”, afirma.
Ainda assim, com a participação da torcida, de acordo com os cálculos de Peter, o LEC deve passar a receber considerável quantia a partir de 2010, quando será feita uma nova divisão dos clubes que aderiram à Timemania. “Em cerca de dois anos, seguindo a projeção de apostas e dos reajustes, vamos receber cerca de R$ 250 mil mensais. Isso prova que temos uma marca forte. Uma torcida solidária”.
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