Rpc.com.br
Gazeta do Povo
RPC TV
Jornal de Londrina
Jornal de Maringá
98 FM
Mundo Livre FM
Classificados
Guias e Roteiros

Gazeta do Povo

Esportes

Terça-feira, 09/02/2010

Albari Rosa/Gazeta do Povo

Albari Rosa/Gazeta do Povo / O motorista que não quer se identificar já viu várias brigas na rota dos ônibus de Curitiba: tocaias à espera do “inimigo” O motorista que não quer se identificar já viu várias brigas na rota dos ônibus de Curitiba: tocaias à espera do “inimigo”
Violência

Dia de futebol é dia de briga em Curitiba

Confusões entre organizadas proliferam no rastro do Santa Cândida-Capão Raso, que rasga a cidade de Norte a Sul e é o principal meio de acesso aos estádios

Publicado em 28/06/2009 | Ana Luzia Mikos, Carlos Eduardo Vicelli e Marcos Xavier Vicente

O alerta é dado por cobradores, motoristas e torcedores organizados: cidadãos comuns devem evitar a linha de ônibus Santa Cândida-Capão Raso em dia de jogo. O principal eixo do transporte público de Curitiba, responsável por levar do Norte ao Sul da cidade (16,5 km) 174 mil curitibanos diariamente (78 mil nos fins de semana), se transformou no corredor do medo quando a bola rola. A violência afastou-se dos estádios e espalhou-se pelos bairros, tornando-se um problema da cidade.

Culpa de vândalos infiltrados nas organizadas de Atlético, Coritiba e Paraná apenas para brigar e depredar. Em 2008, o prejuízo da prefeitura com danos em ônibus foi de R$ 210 mil (1.217 veículos depredados). Até 30 de maio deste ano, chegou a R$ 100 mil (512 carros). Preocupante, embora ainda menor do que em 2001: 3.685 carros e R$ 535,6 mil de prejuízo. “Já vi cada coisa, rapaz”, diz Sérgio, cobrador com experiência de sete anos perto da Arena e que pediu para não ter o sobrenome revelado.

Depoimento

Meu filho não quer mais saber de futebol

Meu filho estava voltando do jogo do Atlético (contra o Palmeiras, no dia 20/6). Era por volta de 19h30. Quando estavam passando pela Rua Mauá, o pessoal da Império, 50 ou 60 torcedores, estava esperando o ônibus. Eles invadiram e foram batendo. Ele, que não pertence à Torcida Os Fanáticos, não conseguiu fugir. Apanhou muito. Só não mataram ele de tanto bater por causa da intervenção de um policial que estava de folga. O menino está muito traumatizado, não quer falar com a imprensa. Tomou três pontos na boca. Ele desobedeceu uma ordem minha. Não deixo ir a estádio sozinho, ainda mais de ônibus. Foi escondido, porque eu estava trabalhando. Agora, depois do susto, ele mesmo decidiu que não vai mais. Não quer tocar no assunto, não quer mais saber de futebol.

Pai do torcedor de 17 anos espancado no dia 20/6.

Polícia recorre a chefes de torcida para identificar e punir baderneiros

A PM tem usado o diálogo para conter os confrontos entre torcedores nos bairros. O convite para discutir soluções da violência no futebol foi estendido aos comandos. Na primeira reunião, sexta-feira, o comandante do Policiamento da Capital, coronel Jorge Costa Filho, pediu ajuda na identificação dos torcedores que causam tumultos.

Leia matéria completa

Ser de comando vira moda entre os jovens, maiores focos de confusão

A redução dos problemas envolvendo as torcidas organizadas esbarra na sua essência. A maior parte dos integrantes é formada por adolescentes, principais estopins de brigas e confusões. Fazer parte de torcida, integrar um comando virou moda entre jovens de 12 a 18 anos.

Leia matéria completa

A Gazeta do Povo passou a semana colhendo depoimentos de pessoas que convivem com o biarticulado, que passa próximo também à Vila Capanema e ao Couto Pereira. Ouviu histórias que se repetem a cada dia de futebol em Curitiba.

Um atleticano de 17 anos foi o último a sofrer com a violência dentro do bonde (termo usado pelas facções para se referir aos ônibus). O jovem voltava com amigos da Baixada após o empate entre Atlético e Palmeiras (2 a 2), dia 20 de junho. Quando passava pelo cruzamento da Avenida João Gualberto com a Rua Mauá, no Alto da Glória, o ônibus foi recepcionado por cerca de 50 integrantes da Império Alviverde. O grupo, que assistia a Náutico x Coritiba pela tevê, na sede da principal uniformizada ligada ao Coritiba, partiu para cima dos rubro-negros. O garoto acabou espancado, agressão contida por um policial militar do Serviço Reservado que estava de folga e passava casualmente pelo local.

À espera do inimigo

As tocaias são comuns na linha. Tanto de um lado quanto do outro. Nem precisa que os dois rivais estejam em campo no mesmo dia. No Água Verde, atleticanos à paisana são “plantados” em dias de jogos do Coxa na Estação Silva Jardim, a última antes da Praça do Japão. Os “olheiros” avisam os companheiros por celular quando o ônibus, repleto de integrantes da facção adversária, segue em direção à próxima parada. No tubo Bento Viana, são recebidos com paus e pedras.

“Nunca fui atingido porque o vidro do parabrisa é bem grosso”, conta o motorista Rodicler Aparecido Ribeiro. “Já vi eles tirarem dois coxas-brancas de dentro do ônibus e arrebentarem no pau. Um corintiano, só porque estava com a camisa do time, apanhou também”, revela Jocimar Soares Maciel, que trabalha como porteiro em um prédio em frente ao ponto.

Os “donos” do ônibus

Os “organizados” tomam conta do Santa Cândida-Capão Raso. Sujam, furam catracas, picham, amedrontam... e surfam em cima dos biarticulados (vídeos registrados no You Tube). “É incrível como não caem”, admira-se um morador do Alto da Glória, nas imediações do tubo Maria Clara (outro ponto crítico), que prefere o anonimato. Apenas para repor as 11.052 janelas pichadas da frota de 2.402 ônibus o município precisaria desembolsar R$ 2,5 milhões – número consolidado em abril. Devido ao alto valor, somente os quebrados são substituídos imediatamente.

“Esse pessoal se sente tão dono do ônibus que não deixa ninguém mais entrar. Quando para na estação, três ou quatro descem pela porta 3 e impedem o acesso de quem está no tubo. E ai de quem ousar reclamar. Apanha. Pode ser idoso, grávida...”, revolta-se Sérgio.

Os próprios torcedores reconhecem o perigo. “Eu falo para minha madrasta e irmãs pequenas não andarem de ônibus em dia de jogo”, revela Alan Ribeiro, funcionário da Império.

Membros das duas maiores facções da cidade admitem o problema. “Se houver encontro (das torcidas), há confronto. É quase inevitável”, revela Gustavo Dranczuk, chefe do Comando Oeste da Império.

Há linhas, tubos e terminais marcados pelos embates (veja gráfico acima). “A gente sabe, a polícia sabe e nunca acontece nada. Com mais policiamento isso iria diminuir muito, porque quando os grupos se encontram ninguém foge ou dá as costas, aí é que as brigas acontecem”, conta Fábio Marques, líder da Zona Oeste da Os Fanáticos.

Discurso inócuo

Comandos e zonas são subdivisões das organizadas que reúnem torcedores de determinada região da cidade. Alguns têm quase duas décadas de fundação e sugiram do encontro dos fãs que iam juntos aos jogos. Os grupos cresceram. Hoje, em uma partida importante ou final de campeonato, os maiores vão ao estádio com até 500 pessoas.

“90% dos problemas acontecem nesse deslocamento de ida e volta do campo”, detecta Vanessa Morais, do Comando Feminino alviverde.

Os “organizados” dizem existir um código de “ética” em relação ao torcedor comum. “Há alguns anos entramos no ônibus em umas 200 pessoas e havia dois atleticanos. Mandamos tirarem a camisa e irem lá para a frente e tudo bem”, exemplificou Osvaldo Dietrich, ex-presidente da Império e hoje no departamento de marketing do Coritiba. Se a dupla fosse da organizada rival? “Porrada”, afirmaram torcedores que acompanhavam a entrevista.

Com maior proximidade aos seus seguidores, os chefes de comando ecoam o discurso dos presidentes de torcida na tentativa de aliviar os transtorno à população e ao transporte público. A maior cobrança é pela punição dos vândalos. A sugestão esbarra, entretanto, na falta de identificação (ou delação) dos culpados.

“Não aceitamos esse negócio de furar fila. Mandamos pagar. Pô, domingão é R$ 1”, diz Marcelo Santos Brasil, à frente do Comando Norte da Império. “Tentamos controlar. Já pensou um trabalhador voltando para casa e tendo de aguentar aquela bagunça, aquele barulho? A gente pede para a galera não bater no bonde, segurar um pouco”, reforça Marques.

O recente histórico de confusões, contudo, demonstra o alcance reduzido do discurso entre os organizados.

Shopping RPC

Os melhores preços estão aqui, clique e compare!


Powered by: Buscapé

Ventilador Arge Classic Sta... 8 x R$ 8.63Gazin.com.br Ventilador Arge Classic Sta... 8 x R$ 8.63
Proview XPS-1000 6 x R$ 58.00LGAINFO Proview XPS-1000 6 x R$ 58.00
Filmadora Mirage CR 818 18 x R$ 26.78MUNDIAL EQUIPAMENTOS Filmadora Mirage CR 818 18 x R$ 26.78
Leadership Gotec Tiger 480 ... 3 x R$ 14.11Importecshop Leadership Gotec Tiger 480 ... 3 x R$ 14.11
Microondas Brastemp BMX35AR 10 x R$ 59.90Casas Bahia Microondas Brastemp BMX35AR 10 x R$ 59.90

Gazeta do Povo

SEÇÕES
Vida e Cidadania
Vida Pública
Mundo
Economia
Esportes
Caderno G
Educação
Últimas Notícias
Edição do Dia
Opinião
Charges
Colunistas
Cinema
Viver Bem
Caminhos do Campo
Saúde
Gente
Verão
Gazetinha
Animal
Tecnologia
Turismo
Automóveis
Imóveis
Bom Gourmet
Expediente
Edições Anteriores
Nova Ortografia
BLOGS
A Noite Toda
Arquibancada Virtual
Blog Animal
Buzz
Blog do Caderno G
Caixa Zero
Central de Cinema
Certas Palavras
Conexão Brasília
Conversa Temperada
Expedição Caminhos do Campo
Gazetinha
Blog do Guia
Hotel Terra
Los 3 Inimigos
Na Mira do Leitor
Populares
Relacionamentos
Sintonia Musical
Sobre Nada
Sobretudo
Tubo de Ensaio
Blog do Viver Bem
Blog Turismo
Vox Pop
ENTRETENIMENTO
Guia Gazeta do Povo
Cinema
Restaurantes
Bares
Cafés
Exposições
Passeios
Teatros
Shows
Guia Cultural
Compras
Quem é você?
Delivery
Garota Verão
SERVIÇOS
Classificados
Fale Conosco
Horóscopo
Tempo
Assinaturas
Clube do Assinante
Anuncie no Jornal
Agência de Notícias