Sábado, 31/07/2010
Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Gerônimo, 20 anos, passou pelo desconhecido futebol da Geórgia, antes de ganhar uma oportunidade para defender a camisa rubro-negra
“Tenho 22 anos, sou armador de origem, mas, se precisarem, posso jogar no ataque e até na ala-esquerda. Volto de empréstimo do Cerezo Osaka, do Japão. Cheguei no Atlético em 2005”.
Reforços
O Atlético anunciou ontem a contratação do meia Tartá, de 20 anos. O jogador vem do Fluminense por empréstimo. “Ele é um pedido expresso do (Antônio) Lopes”, afirma Ocimar Bolicenho, diretor de futebol do Rubro-Negro. O atacante Bruno Mineiro, 26, do América-MG, também confirmou à Gazeta do Povo o acerto com o Furacão. Ele chega entre hoje e amanhã a Curitiba.
Escalação
O Atlético terá um time alternativo na estreia no regional, domingo, contra o Toledo, no interior do estado. Não está descartada a possibilidade de Lopes permanecer em Curitiba treinando parte do grupo.
Os atleticanos provavelmente ainda não descobriram quem são os personagens que abrem esta reportagem. Não é fácil mesmo. Por isso a apresentação. Trata-se de Gerônimo e Kaio, dois “desconhecidos” que reforçam o Rubro-Negro em 2010. Em comum, o longo período nas categorias de base, o ostracismo no time principal e a busca por espaço longe da Baixada.
A dupla volta a pedido de Antônio Lopes. E por necessidade do clube, sem dinheiro em caixa para grandes investimentos. “O Gerônimo, por exemplo, eu vi treinando no ano passado aqui, na época do Waldemar (Lemos, ex-treinador). Gostei e conversei com o Lopes”, afirma Ocimar Bolicenho, diretor de futebol do Furacão. “Fui eu quem trouxe o Kaio dos juniores, em 2007. Estamos ansiosos para vê-los”, emenda o treinador.
Ansiedade que deve aumentar, pelo menos em relação a Kaio. O jogador ainda se recupera de uma tendinite (inflamação de tendão) no joelho esquerdo, resquício da passagem de 1 ano e meio pelo futebol japonês. “Mas segunda-feira já volto a fazer os trabalhos físicos”, apressa-se em dizer, ansioso para entrar logo na briga por um lugar na linha de frente rubro-negra. Gerônimo, por sua vez, deve ser titular já na largada do Estadual.
Kaio aprendeu no Oriente a fazer gols. Atuando mais avançado, como atacante de movimentação, balançou as redes 15 vezes em 32 partidas no ano passado. “Fui o segundo artilheiro do time. Isso que fiquei 18 jogos fora, tratando de uma lesão no tornozelo”, diz ele, que além da proposta de renovação do Cerezo Osaka, era cobiçado por Nagoya Grampus e Shimizu S-Pulse. “Mas o Atlético pediu para que retornasse. Essa é a minha chance”.
Gerônimo, 20 anos, foi ao Japão apenas com a seleção brasileira de base (serviu as equipes sub-16 e sub-17). Estava em um futebol menos badalado, escondido na Geórgia – país do Leste Europeu, antiga república da extinta União Soviética – com outros quatro ex-atleticanos desde o meio de 2009. “A experiência foi muito boa, só sofri com a comida. Era só macarrão e arroz, macarrão e arroz... Todo dia rapaz. E na hora do jogo fazia, às 9 horas da manhã, a única refeição. Só que a partida era às 4 da tarde. Tinha de jogar com fome mesmo”, recorda. “Sonhava com o feijãozinho, viu. E com a carninha, uma alcatra também”, conta, rindo, o bom baiano de Riachão do Jacuípe.
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