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Neymar, 7 a 1 e Copa da Rússia: Tite fala sobre o que espera da seleção em 2018

Confira a entrevista com o técnico da seleção brasileira

  • MOSCOU, Rússia
  • Tiago Arantes, especial para a Gazeta do Povo
 | Pedro Martins/MoWA Press
Pedro Martins/MoWA Press
 
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Após o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2018, Tite, técnico da seleção, falou sobre o grupo do Brasil, a respeito do desempenho do time, de Neymar, do 7 a 1, e do que espera para o Mundial. Confira a entrevista completa:

Leia também: Palpites: Veja o caminho mais otimista e o mais pessimista do Brasil na Copa

- Suíça, Costa Rica e Sérvia. Nas simulações que você fez nesses últimos dias, esse grupo seria fácil, médio ou difícil?

TITE: Eu fiz umas três ou quatro simulações naquele aplicativo, depois eu apaguei, porque é algo que não podia prever, nem controlar. O sorteio é aleatório, é circunstancial. Ainda quero me aprofundar, mas a distribuição dos grupos me pareceu equilibrada em termos técnicos. É claro que tem alguns grupos em que os dois classificados já ficam evidentes, pela disparidade técnica... E tem outros em que há um equilíbrio maior. No grupo do Brasil, há esse equilíbrio. O Brasil é tecnicamente o favorito, e as outras três equipes não tem nenhuma que você possa dizer ‘ah, aqui vai ter facilidade’. A Costa Rica é um bom exemplo: na última Copa eles fizeram cinco jogos, contra Inglaterra, Holanda, Itália, Uruguai e Grécia, e não perderam nenhum.

- Dois europeus no grupo, nenhum deles muito forte. É bom para testar o time contra equipes europeias na primeira fase?

O grupo ideal talvez fosse com uma outra equipe forte, de um nível parecido com o nosso, e outras duas bem fracas, para a gente poder se classificar. Mas entre o ideal e o real tem uma distância enorme. O que temos que fazer agora? Preparar para situações com características como a desses jogos. Esses amistosos que vamos fazer é projetando sistemas táticos, características físicas e técnicas dos adversários, para que a gente possa sentir as dificuldades que elas possam nos impor, para que a gente possa ter um desempenho de alto nível.

- Hoje, a seleção brasileira está em um nível muito alto. Talvez mais alto que qualquer outra no mundo. Você não tem medo de esse time chegar ao topo de desempenho antes da hora?

Não. Absolutamente não. E sabe por quê? Porque eu não sei até onde esse time pode chegar. Se eu ficar com medo e frear essa equipe, eu não vou saber até onde ela pode evoluir. Eu só tenho 16 jogos com a seleção, eu posso desafiá-la a ser melhor. Eu quero que o Fernandinho seja melhor, que o Casemiro seja melhor, que o Paulinho seja melhor, que o Gabriel Jesus, o Danilo, o Fagner sejam melhores... Eu quero fomentar, desafiar o desempenho, para que a seleção possa crescer. Porque eu não tenho como definir, falar ‘esse é o melhor momento, essa é a melhor situação’. E se esse time pode crescer mais? E se ele tem um potencial maior que isso? Prometer resultados, prometer vitória... Isso é uma discussão muito rasa, muito pequena. Todo mundo quer vencer. Todo mundo quer ter audiência melhor. Todo mundo quer ser o melhor técnico. Todo mundo quer ser um comentarista melhor. Todos nós queremos. Agora, qual o processo? O que eu faço para ser melhor? Qual o preço que se paga para ser melhor? É isso que nós queremos: fomentar essa evolução.

- A Copa do Mundo não costuma ter muita surpresa nas primeiras posições. Mas tem algum país fora dos grandes que você acha que pode entrar na briga pelo título?

Projetando em cima do nível técnico individual: Bélgica. Tem muita qualidade técnica individual. Tem Witsel, tem Lukaku, De Bruyne... Tem o Hazard... Courtois... Tem jogadores muito fortes.

- Você fala em fazer os jogadores serem melhores, em fomentar desempenho. Mas ao mesmo tempo, o grupo que vai à Copa está praticamente fechado. Que mensagem você manda para os jogadores que não têm sido convocados?

Joguem muito. Coloquem pressão na cabeça do técnico. É um processo claro, limpo, transparente: botem pressão no técnico da seleção. E eles estão fazendo isso.

- Então vamos falar de alguns desses jogadores: Arthur. Jogador jovem, que você já convocou e que já está na mira do Barcelona; o que ele pode dar pra seleção brasileira?

Na época da convocação do Arthur, eu falei com o Renato sobre as qualidades técnicas e pessoais dele. Falei também com o Roger, que já tinha trabalhado com ele antes... Ele tem uma capacidade de absorver bem os jogos importantes, uma maturidade muito grande. O Roger falou uma coisa interessante: na primeira transição na saída dele bola, o Arthur sempre encontra uma saída melhor, pela qualidade do passe que ele tem. É um atleta em franca evolução, tomara que ele recupere logo, que volte a jogar, e que coloque pressão no técnico para ser convocado para a seleção.

- Malcom e Richarlison. Dois jogadores também jovens, que estão bem na Europa... Eles também colocam pressão na cabeça do treinador?

Colocam! Como o Luan coloca, o Geromel, o Jô... Eu tenho que saber trabalhar em cima dessas pressões e dizer que são só 23 convocados. Eu gostaria que fossem mais, e gostaria de ter mais tempo na seleção para dar mais oportunidades a esses jogadores. Mas a realidade não é assim, e eu também preciso dar oportunidades para a nossa base se fortalecer.

- Na última Copa do Mundo, a seleção era muito dependente do Neymar. Você tem um “plano B”, para o caso de perder o Neymar em algum jogo da Copa, seja por lesões ou por suspensão?

O 7 a 1 não serve como parâmetro porque não estava o Neymar, nem o Thiago (Silva), e havia um rival muito inspirado. Mas nós vamos nos preparar, sim. Todos esses atletas de alto nível colocam pressão no técnico. Se você pensar no meio-campo do Brasil: Casemiro, Paulinho, Renato, Fernandinho, Coutinho... você fecha o olho e escolhe três para jogar, pela qualidade que eles têm. No ataque, você pega Willian, Douglas Costa, Gabriel Jesus, Firmino, Neymar... pô! Você tem opções de alto nível, tem o Taison, você tem um leque maior de opções.

- Além de ser o grande craque dessa seleção, o Neymar também é um jogador que se envolve em polêmicas, está sempre na mídia, seja por coisas boas ou não. O aspecto psicológico dele é algo que precisa ser trabalhado?

Tem que ser trabalhado como o de qualquer garoto de 25 anos. Nós dois já tivemos 25 anos, eu há mais tempo que você. Ele é um garoto de 25 anos, que não sabe de tudo, que tem muita vida pela frente, que é um ídolo... Ele é notícia sempre, porque ele está entre os 3 melhores do mundo, tem uma visibilidade muito grande, muitas pessoas vão amá-lo, outras vão invejá-lo. Muitas vezes vão falar mal... Quando a gente chega a ter mais visibilidade, aparecem muitos amigos, mas também muita inveja, muita discórdia, também.

- O Luan, que acaba de ganhar a Libertadores como destaque do Grêmio, pode ser uma opção para reserva do Neymar?

Não, porque são posições diferentes. O Luan joga centralizado, o Neymar joga à esquerda caindo pelo meio. É um função um pouquinho diferente, até pelas características físicas: o Luan não é um jogador de velocidade, é mais de toque, de articulação. Ele tem uma função mais parecida com a do Coutinho, isso sim poderia ser.

- Você já disse que prometer resultados é algo raso. Então, o que você espera da seleção na Copa?

Espero que a equipe possa jogar o futebol que ela apresentou nos últimos meses. Espero que os jogadores sentam o que é ser atleta da seleção brasileira e consigam produzir em alto nível, ser competitivos, mas ao mesmo tempo ter alegria de jogar. Se isso acontecer, eu já vou ficar extremamente feliz. Se vai ganhar ou não, eu não sei. Mas essa busca, essa exigência eu faço comigo e com os atletas também.

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