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DAVID GRAY/REUTERS

DAVID GRAY/REUTERS / Pira Olímpica acesa ao lado de uma explosão de fogos Pira Olímpica acesa ao lado de uma explosão de fogos
Abertura dos Jogos de Pequim

Oito da sorte abençoa abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim

Presente no dia e horário da cerimônia, número da prosperidade para os chineses evita chuva e abre espaço para um show de alegria, luzes e cores no Ninho do Pássaro

08/08/2008 | 13:08 |
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Dinheiro e sorte propiciaram nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2008, a mais bela cerimônia de abertura da história dos Jogos Olímpicos da era Moderna. Com um investimento recorde de US$ 43 bilhões, a China recebeu a 26ª edição das Olimpíadas de Verão, regida sob o número oito, o da prosperidade, segundo a milenar tradição chinesa. Não é a toa que a cerimônia de abertura começou pontualmente às 8h da noite (horário de Pequim; 9h de Brasília).

A tão temida chuva que poderia estragar a festa no Estádio Olímpico de Pequim, o Ninho do Pássaro, não deu as caras. Com tudo a favor, a história da China ilustrada de forma muito peculiar pelo renomado cineasta Zhang Yimou foi a protagonista.

ALFRED CHENG JIN/REUTERS

ALFRED CHENG JIN/REUTERS / A Pira Olímpica vista do teto do Ninho de Pássaro Ampliar imagem

A Pira Olímpica vista do teto do Ninho de Pássaro

Fatos que evidenciam a evolução cultural e econômica do país em um passado distante foram trazidos à tona dentro de 1h10 de sons, cores e fogos. Já fatos mais atuais, relacionados ao século 20 – como a guerra civil, a invasão japonesa e o regime maoísta –, além da atual polêmica envolvendo o Tibete, foram sumariamente ignorados. Até mesmo o meio-ambiente, tão castigado pela poluição em Pequim, foi lembrado.

Por três anos, a organização dos Jogos de Pequim trabalhou arduamente para compor a maior e melhor abertura da história das Olimpíadas. Alguns podem se queixar de que faltou naturalidade, em detrimento à mecânica de todas as passagens montadas durante a cerimônia, porém não há como se negar a beleza do evento. Que venham as competições e a briga pelas 302 medalhas de ouro em 28 modalidades. Os Jogos prosseguem até o dia 24 de agosto.

5 mil anos de história passados a limpo

O cineasta Zhang Yimou ficou com a responsabilidade de reunir a rica e vasta história da China, de 5 mil anos, na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim. Pontualmente às 8h desta sexta-feira, 8 de agosto de 2008, o ensaio de 10 meses valeu a pena para 2008 percussionistas, que deram um show ao tocarem os seculares tambores Fu, todos iluminados.

A performance musical logo abriu espaço para a projeção dos anéis olímpicos e fadas sobrevoaram o Ninho do Pássaro. Quase que simultaneamente, 56 crianças representando todas as etnias que vivem na China entraram carregando a bandeira nacional. Repassada aos guardas do Exército chinês, a bandeira foi hasteada e o hino nacional foi executado.

Após o hasteamento, um filme retratando o período antigo das grandes dinastias chinesas foi exibido e o que se seguiu foi a representação de como o papel, uma das principais contribuições da China ao mundo ocidental, foi criado. Enquanto quatro homens representavam pinturas antigas, os demais resgatavam a história dos 3 mil Discípulos de Confúcio, um dos grandes pensadores da história chinesa.

A cerimônia mostrou como os ideogramas foram representados ao longo do tempo sob diversas formas de impressão, como as tiras de bambu, usadas nos primórdios da civilização. No total, 897 chineses ficaram responsáveis pela performance dos blocos de impressão que se movimentavam no palco.

Ao som do provérbio "Amigos vieram de longe, como estamos felizes", os 3 mil Discípulos de Confúcio, aqueles que tinham a responsabilidade de escrever sob tiras de bambu e constituir assim os livros mais antigos do planeta, não ficaram de fora. Em seguida, a ópera da China também ganhou vida no palco do Ninho do Pássaro, com destaque aos guerreiros de Terracota, criados pelo imperador Qin Shi Huangd, aquele que conseguiu unificar pela primeira vez o grande império chinês.

A Grande Muralha e a seda

O principal cartão postal da China, a Grande Muralha, foi representada em um período de prosperidade do país, vivido principalmente na dinastia Ming. A Rota da Seda foi um dos elementos que desencadeou a construção dos 6700 quilômetros, divididos em seis trechos, e não deixou de aparecer na cerimônia.

Acrobatas e dançarinos coloriam o estádio, e remadores representaram os marinheiros que criaram a primeira rota marítima para a seda chinesa, em alusão ao almirante Zheng He.

A bússola, outra criação dos chineses, também foi mostrada durante a encenação.

Lang Lang traz a música clássica para os Jogos

Maior expressão da música clássica chinesa, o pianista Lang Lang, de 26 anos, tomou o centro do palco. Enquanto ele tocava ao lado de uma menina chinesa, figurantes davam um tom mágico à apresentação, com uma coreografia que parecia apresentar um verdadeiro "placar eletrônico humano" ao público.

Ao mesmo tempo, uma grande pomba era representada no centro do estádio, pregando a tradicional paz mundial e o espírito olímpico entre todas as nações. No centro do palco, mas no ar, uma menina empinava uma pipa, outra criação da China. Ainda sob o som de Lang Lang, bailarinos formaram um grande bloco colorido, encerrando a apresentação musical.

No ato seguinte, o Tai Chi Chuan trouxe a representação da conjunção do homem com a natureza. Além disto, esta arte chinesa também trouxe ao público de todo o mundo um espetáculo de movimentos de artes marciais, complementando à qualidade de vida dos chineses, com raízes no passado.

“Um mundo, um sonho”

A China já avança além das fronteiras do planeta Terra. O país já enviou três astronautas ao espaço, e eles deram o ar da graça ao sobrevoarem o Estádio Olímpico. Abaixo deles formou-se um grande globo alegórico, no qual o planeta foi representado. Em sua superfície, bailarinos corriam, presos a cabos quase invisíveis a quem acompanhada in loco ou pela televisão. Durante toda a apresentação, o tema central foi o slogan olímpico “Um mundo, um sonho”.

Ainda sobre o globo, a cantora lírica Sarah Brightman e o cantor chinês Liu Huan encontraram-se para interpretar a canção-tema da cerimônia de abertura, “Você e eu”, em uma clara representação de encontro e reunião comum entre Oriente e Ocidente. Enquanto os dois cantavam, imagens de sorrisos infantis captados por todo o mundo foram ilustradas em guarda-chuvas.

A festa de 1h10 terminou com a celebração da água, com imagens projetadas no topo do estádio, e com mais uma grande queima de fogos no Ninho do Pássaro.

Criadores da pólvora, chineses dão um show de fogos

Descoberta na China no século 9 d.C, a pólvora é o principal elemento dos fogos de artifício. E os criadores do elemento químico mostraram que o criador domina a criatura, mostrando ao mundo um verdadeiro show de cores no Ninho do Pássaro.

Gregos abrem desfile das delegações

O protocolo ordena que a delegação da Grécia seja a primeira a adentram o Estádio Olímpico, como forma de homenagear os criadores dos Jogos Olímpicos da Antigüidade. Com muita animação, os gregos entraram no Ninho do Pássaro e abriram o desfile das delegações. Outras 204 nações seguiram-se, tendo Brunei como a única baixa entre os 205 países previstos no desfile. O comitê do país não inscreveu os atletas e eles não puderam participar.

A entrada das delegações não seguiu a ordem alfabética tradicional, mas sim a denominação de cada país por intermédio dos ideogramas chineses. Seguindo este critério, o Brasil foi o 38º país a desfilar na cerimônia de abertura. O velejador Robert Scheidt foi o porta-bandeira brasileiro e 181 dos 277 atletas desfilaram. A seleção feminina de vôlei foi uma das que teve de assistir da Vila Olímpica ao desfile.

A delegação da China encerrou a cerimônia com a sua enorme legião de atletas, levando ao delírio todos os presentes ao Ninho do Pássaro.

Formalidades fecham a cerimônia

A reta final da cerimônia de abertura dos Jogos foi cercada de protocolos e formalidades. A começar pelo hasteamento da bandeira olímpica e a execução do hino olímpico, cantado em grego por muitas crianças. O presidente do Comitê Organizador dos Jogos, Liu Qi, e o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, discursaram antes do presidente chinês Hu Jintao declarar a abertura oficial das Olimpíadas.

Após o juramento dos árbitros, de praxe desde os Jogos de 1972, em Munique, a tocha olímpica adentrou o Estádio Olímpico e foi passada de mão em mão, até chegar a Li Ning, ex-ginasta ganhador de seis medalhas em Los Angeles-1984, que ficou responsável pelo acendimento da pira olímpica.

Içado ao ar, Li Ning correu por todo o topo do Ninho do Pássaro, onde imagens do revezamento da tocha olímpica foram mostradas. Ao fim do percurso, o chinês chegou à pira, antes oculta, e que foi acesa oficialmente às 13h04 desta sexta-feira. Uma chuva de fogos de artifício pôs fim à cerimônia de 4h06 minutos de duração.

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