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Por aí com os melhores

07.07.2012 | 03:00 | Fábio Cherubini • @FabioCherubini • fabioc@gazetadopovo.com.br
RAPPER ANDRE LAUDZ - GAZMAIS - 28/06/2012 - CURITIBA - PARANÁ

Conhecido pelos seus trabalhos com Projota e Emicida, o beatmaker curitibano André Laudz lança o seu primeiro disco solo

André Murilo da Silva, de 19 anos, nunca teve aulas de música e tampouco domina os conceitos básicos da teoria musical. Na família, a ligação mais próxima que tem com a técnica é através do tio, guitarrista, e do avô, que tocava música caipira. Mesmo assim, o que paga as contas de André Laudz, como é conhecido por aí, é o dinheiro que vem das batidas e bases criadas para o rap. Vendidos em todo o Brasil, os seus beats não chegam a qualquer um, não. Entre os compradores e parceiros estão alguns dos principais rappers do Brasil, como Projota, MV Bill, Emicida e Rashid, caras que se renderam ao trabalho do jovem que agora se aventura na carreira solo, com o disco Rollin With Da Best, lançado há duas semanas.

Todas as 17 faixas do álbum instrumental foram produzidas no estúdio caseiro de Laudz, que fica no seu quarto, perto da cama, armário, espelho de corpo inteiro e alguns pôsteres de shows. Para a composição e produção das músicas – que ocorreu de fevereiro a junho deste ano –, ele precisou de nada mais do que dois computadores, um software para criar as batidas, um teclado e um dj set. “Na hora de fazer as músicas eu vou me guiando pelo ouvido. Toco teclado e depois vou misturando os sons dos instrumentos, assim ó”, detalha Laudz, enquanto monta no computador uma faixa com a ajuda do mouse e de um teclado.

Na raça

Quando começou no rap, aos 15 anos, o beatmaker tinha pouquíssimos recursos: só um computador e uma versão do programa Fruity Loops, usado para criar as batidas. “Um amigo meu um dia disse: ‘você tem que aprender a fazer umas batidas’, e me passou o programa. Comecei a ler sobre, ver umas vídeo-aulas e perguntar para as pessoas que sabiam como funcionava”, lembra Laudz, que desde então não parou de estudar. “Continuo pesquisando o tempo todo. A busca por conhecimento é infinita”.

O rapper recorda que os primeiros trabalhos vendidos foram para um MC do Rio Grande do Sul chamado JL. Cada batida custou R$ 30. Desde então, Laudz passou a entrar em contato com todos os músicos que você puder imaginar, tanto pela internet quanto em shows feitos em Curitiba, para tornar o seu trabalho conhecido. “No começo eu procurava a galera. Agora são eles que me procuram”, conta.

O dia de Laudz começa por volta das 10 horas, quando ele liga o computador logo depois de acordar. Depois da pausa para o almoço, lá pelo meio dia, ele volta para o quarto onde fica até às 2 da manhã. Isso de segunda à sexta. Mas quando tem um tempo livre, o rapaz não deixa de dar uma volta ou curtir um som.

Desacredita, não

Para o beatmaker, poucos desconfiam que muitas das batidas que rodam as festas de rap pelo Brasil sejam feitas numa típica casa do subúrbio de Curitiba. “Tem gente que acha que eu sou playboy, mas na real eu comecei fazendo tudo na raça. Tudo o que eu fiz pra chegar até aqui qualquer um pode fazer”, decreta o rapaz tímido e de poucas palavras. “E ainda temquem desacredite que eu sou capaz pela minha idade. Mas acho que isso só vai passar quando eu fizer os meus 20”, brinca o garoto.

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