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Alunos da UFPR são os únicos brasileiros em competição internacional de arquitetura

Estudantes de graduação e pós vão levar o projeto de casas geminadas à Race to Zero, competição organizada por uma agência federal dos EUA

ufpr-alunos-competicao-internacional-arquitetura-race-to-zero-casas-geminadas-1Heloise Cezario, Larissa Shinohara, Vítor Fernandes, Aloísio Schmid, Karoline Richter e Louisy Spak são alguns dos integrantes do time da UFPR. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

por Mariana Domakoski*

30/03/2017

Alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão com as malas prontas para os Estados Unidos para apresentar projeto na Race to Zero, promovida pelo Escritório de Eficiência Energética e Energia Renovável, uma agência federal daquele país. Esta é a primeira vez que o Brasil participa da competição anual, realizada desde 2014, aberta a universidades de todo o mundo, que visa inspirar estudantes a se tornarem profissionais que buscam a construção de casas verdadeiramente sustentáveis.

Única brasileira na lista de 40 selecionadas deste ano – que também conta com instituições do Canadá, Índia e dos próprios Estados Unidos -, a UFPR vai competir na categoria Casas Geminadas, com projeto criado por uma equipe formada por alunos de graduação e pós-graduação.

Fazem parte do time os estudantes do 4º ano do curso de Arquitetura e Urbanismo Alessandra da Veiga, Juliana de Macedo, Juliana Hirayama, Larissa Tami Shinohara, Louisy Spak e Vítor Fernandes, a aluna do 5º ano de Engenharia Civil Heloise Cristine Cezario, o doutorando em Engenharia Elétrica Daniel Ussuna, a doutoranda em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental Karoline Richter e o mestrando em Engenharia Elétrica Renatto Carvalho, sob a orientação do engenheiro civil e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo Aloísio Schmid, com apoio da Fundação Araucária e da Agência UFPR Internacional.

Eles devem embarcar no próximo dia 20 de abril para a cidade de Golden, no estado do Colorado. As apresentações acontecem nos dias 22 e 23 do mesmo mês.

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Karoline Richter, Heloise Cezario, Vítor Fernandes, Aloísio Schmid, Larissa Shinohara e Louisy Spak vão levar o nome da UFPR aos Estados Unidos. Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

O projeto

Os 10 estudantes e o orientador criaram um conjunto de três casas geminadas net-zero, ou seja, que produzem a energia que consomem, propostas para serem instaladas em uma esquina das ruas XV de Novembro e José de Alencar, em Curitiba. A localização também foi levada em conta para gerar o menor impacto possível dos moradores no meio ambiente. “Elas ficam próximas ao Centro, a diversos pontos de ônibus, ciclovias, hospitais, restaurantes. Assim, é possível fazer várias coisas a pé, com transporte público ou alternativo”, afirmam.

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O projeto da UFPR propõe três casas geminadas feitas em wood frame. Imagem: Divulgação

Entre os destaques, a equipe aponta os materiais usados – wood frame na estrutura e painéis fotovoltaicos na totalidade da cobertura. “São técnicas construtivas pouco difundidas por aqui. Ainda há muito preconceito contra casas de madeira e os painéis fotovoltaicos geralmente estão apenas em pedaços da cobertura, e não formando a sua totalidade”, explicam. “Não é nada ‘super high tech’ que a gente não consiga reproduzir. É algo totalmente possível”, afirmam apontando que falta apenas incentivo para que essas ideias sejam disseminadas. “Aqui não há um questionamento dos materiais usados, do modo de fazer. Simplesmente se repete a mesma fórmula de construção em alvenaria”, completam.

Preocupação com a emissão de radônio (gás liberado com mais força quando a terra é revirada), constante nas obras dos Estados Unidos e que aqui não é difundida, esteve presente na projeção das casas e ajudou na escolha da localização. O sistema de aquecimento e resfriamento com cisterna também e um ponto alto do projeto. Ela é enterrada, permitindo que a água armazenada troque calor com a terra e vá para as serpentinas que ficam dentro da estrutura das casas, promovendo o conforto térmico. Para promover a coletividade, não há separação dos terrenos das três casas. Assim, foi previsto o uso do jardim nos fundos como uma horta comunitária dos moradores.

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Não há divisórias dos terrenos, para promover a coletividade, e a cobertura é totalmente feita com painéis fotovoltaicos. Imagem: Divulgação

Trabalho conjunto com NREL

Como finalista na Race to Zero, a UFPR conseguiu uma aproximação com o National Renewable Energy Laboratory (NREL), um dos mais importantes laboratórios de energias renováveis no mundo. Depois das apresentações, uma comitiva da instituição brasileira, formada por professores, técnicos e alunos, vai se reunir com a norte-americana para discutir um possível acordo de cooperação entre as duas.

*Especial para a HAUS.

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