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Casa “flutuante” do Alto da XV é tombada pelo patrimônio municipal

Casa Mário de Mari, no Alto da XV, será o primeiro imóvel tombado dentro da nova fase do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba

Casa Mário de Mari. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

por Sharon Abdalla

02/04/2018

Na esquina da Avenida Nossa Senhora da Luz com a Rua Professor Brandão, no Alto da XV, uma casa se destaca ao parecer flutuar sobre o terreno onde foi construída. Trata-se da Casa Mário de Mari, uma das construções símbolo da arquitetura moderna curitibana que responderá, também, por um novo título: a de primeiro imóvel tombado dentro da nova fase do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba (CMPC).

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A decisão pelo tombamento foi tomada pelos cerca de 30 representantes do CMPC na primeira reunião do grupo em 2018, realizada no último mês de fevereiro. Na ocasião, a arquiteta Maria da Graça Rodrigues Santos, doutora em Estruturas Ambientais Urbanas pela Universidade de São Paulo (USP) e relatora do processo, apresentou parecer favorável ao tombamento, voto que foi acompanhado pelos demais conselheiros.

“Este imóvel tem uma qualidade plástica, construtiva, ambiental e paisagística que é o registro de um período em que se produziu muita arquitetura de qualidade em Curitiba”, destaca a relatora. “É um tombamento muito interessante, pois é o primeiro de uma casa da década de 1960 – normalmente o tombamento é associado às edificações mais antigas, como as do início do século 20”, acrescenta Elizabeth Amorim de Castro, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro do conselho.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Para Hugo Moura Tavares, secretário executivo do CMPC, a decisão pelo tombamento a nível municipal da Casa Mário de Mari representa também um marco ao chancelar esta fase do conselho, que teve início com a publicação da nova Lei do Patrimônio Cultural de Curitiba (nº 14.794/2016), no último ano da gestão do então prefeito Gustavo Fruet.

Exemplar moderno

Datada de meados da década de 1960, a casa foi construída para servir de residência do engenheiro Mário de Mari, responsável pelo seu projeto e execução. Após incontáveis viagens aos Estados Unidos, quando se encantou pela Casa da Cascata (obra desenhada pelo mestre modernista Frank Lloyd Wright), ele decidiu que queria uma residência que seguisse o mesmo conceito, a partir de linhas simples e uso de materiais naturais, como contou em entrevista a HAUS, em 2015.

Assim, ao contrário de outros exemplares modernos que abusam do concreto, a Casa Mário de Mari traz a madeira, pedra, vidro e tijolos como suas grandes estrelas, e tem na implantação da construção, que aproveita o desnível natural do terreno, outra de suas características singulares. “A laje suspensa do piso faz com que a casa pareça repousar sobre o terreno, principalmente do ponto de vista de quem a observa pela rua Professor Brandão”, lembra Maria da Graça.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

A planta em forma de U, que faz com que os ambientes estejam voltados para um grande pátio central (o que garante privacidade à área da piscina e permeabilidade visual a partir de grandes panos de vidro), e os beirais avantajados (de 2 m, quando o comum são 90 cm), são outros elementos que merecem atenção na construção.

“As soluções desta casa criam uma relação interessante entre o interior e o exterior do imóvel. O cuidado, agora, é com a manutenção e fiscalização dela para que se consiga, efetivamente, preservá-la em boas condições de uso”, reforça a arquiteta.

Atualmente, a Casa Mário de Mari abriga a sede do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR). Aprovado pelos conselheiros, o processo de tombamento ainda está em trâmite dentro do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, o que já coloca a construção sob proteção contra demolição, restauração ou qualquer outro tipo de intervenção.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

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