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Obras de arte raras correm risco de demolição na região de Curitiba

Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve

Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/ReproduçãoFotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

por Luan Galani

03/05/2017

Obras raras do muralista italiano Franco Giglio (1937-1982), que fez carreira no Brasil e se tornou figura importante para a arte e arquitetura do Paraná, correm risco de serem demolidas em uma casa antiga de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A notícia veio à tona por meio do blog Circulando por Curitiba, do fotógrafo Washington Takeuchi.

A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern, alto executivo da Coca-Cola para a América do Sul, e foi vendida a uma construtora que irá demolir o imóvel para construir um edifício na região.

Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

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Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

Procurado pela reportagem, o ex-proprietário, o engenheiro civil Augusto Batschauer, diz que está à procura de profissionais que possam ajudá-lo a retirar a obra do local antes da demolição. “Há pelo menos três anos corro atrás de pessoas para me ajudar a transferir a obra, mas nunca ninguém se interessou”, confidencia.

E completa: “A construtora vai esperar pelo tempo que for necessário para retirarmos a obra”. Ele lembra que a incorporadora já iniciou o loteamento e a terraplanagem do terreno, mas garante que ela não irá tocar na residência até sua família retirar tudo de lá.

Interessados em entrar em contato com Batschauer podem enviar um e-mail para haus@gazetadopovo.com.br. Todas as mensagens serão diretamente repassadas ao empresário.

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Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

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Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

Importância das obras

Ao todo são quatro painéis, dois grandes e dois pequenos, totalizando cerca de 18 m². Um fica na entrada da casa, contornado a escada, e os outros três na antiga sauna da residência. O primeiro mostra um gaiteiro tocando música para três mulheres, e o restante explora a temática do mar. O que torna os murais uma raridade é a técnica utilizada em sua montagem.

De acordo com o arquiteto Guilherme de Macedo, do escritório LONA Arquitetos, que está familiarizado com o trabalho de Giglio por conduzir o restauro de um mural do artista em um edifício da Rua Visconde de Nácar, esses painéis recém descobertos foram montados a partir de peças inteiras de cerâmica queimada, uma técnica bem complexa e pouco utilizada pelo artista italiano, que se destacou principalmente por obras com pastilhas de vidro.

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Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

O que levanta dúvida dos especialistas em restauro e conservação é a ausência de assinatura nas obras. Mas todos ouvidos pela reportagem são unânimes em afirmar que os murais têm traços em comum com outras obras de Giglio.

Na avaliação de Luiz Ricardo Esmanhoto, amigo do artista italiano e filho do renomado escultor Lycio Esmanhoto, que assinou, executou e recuperou diversos murais em Curitiba, inclusive o painel de Franco Giglio do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) e o mural de Rogério Dias no Centro Cívico, as obras de Pinhais têm grande chance de pertencer ao artista.

“As saliências, os volumes seguem a mesma linha do painel do TJ. As formas humanas, principalmente as femininas, são iguaizinhas”, compara. “A falta de assinatura não me preocupa porque o Giglio produzia muito e nem sempre costumava assinar. Lembro de alguns azulejos que ele fez para a Construtora Independência que não tinham sua assinatura”, destaca Esmanhoto.

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Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

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Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

Os arquitetos Roberto Martins e Jussara Valentini, do escritório ArquiBrasil Arquitetura e Restauração, e a restauradora e mosaicista Angela Damiani, que já cuidaram do restauro de dois painéis de Franco Giglio, a saber, do Cemitério Municipal de Curitiba e do Museu Municipal de Arte (MuMA), também apostam na autoria do italiano, apesar de ressaltar que estudos técnicos precisos se fazem necessários para bater o martelo.

“As formas humanas delgadas e o esquema dos volumes são muito semelhantes ao próprio painel do cemitério”, enfatizam.

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Fotos: Washington Takeuchi/Blog Circulando por Curitiba/Reprodução

Veja o painel de Franco Giglio do TJ-PR que lembra os murais de Pinhais

Painel do artista Franco Giglio no Tribunal de Justiça do Paraná. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Painel do artista Franco Giglio no Tribunal de Justiça do Paraná. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Painel do artista Franco Giglio no Tribunal de Justiça do Paraná. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

*Após a publicação desta matéria em 03/05, a HAUS obteve acesso à casa e encontrou a assinatura de Franco Giglio em um dos painéis, com a data de 1974. Veja fotos nossas logo abaixo.

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Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto para matéria da Haus. Murais raros do italiano Franco Giglio, figura importante da arte e arquitetura do PR, foram encontrados em casa antiga de Pinhais que pode vir a baixo em breve. A casa de 1972, projetada pelo arquiteto gaúcho Leo Grossman, um dos fundadores do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, recebe o nome de seu primeiro dono, o norte-americano George W. Kern. Local: Casa Kern em Pinhais.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

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