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Templo da Igreja Universal em Curitiba divide opiniões por estilo “clássico atrapalhado”

Escala monumental e elementos clássicos da fachada do novo empreendimento da Igreja Universal do Reino de Deus roubam toda a atenção do Rebouças

Novo templo da Igreja Universal do Reino de Deus em Curitiba divide opiniões. Fotos: Hugo Harada/Gazeta do Povo

Novo templo da Igreja Universal do Reino de Deus em Curitiba divide opiniões. Fotos: Hugo Harada/Gazeta do Povo

por Luan Galani

10/08/2017

A região do Rebouças-Água Verde tem uma nova (e maior) polêmica obra de engenharia. A Arena da Baixada, ainda envolvida em enrosco com o uso de dinheiro público, perdeu o reinado. As atenções se voltam agora para o templo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que se levanta como um gigante sobre a quadra inteira da antiga fábrica da Matte Leão, no perímetro da Avenida Presidente Getúlio Vargas, da Rua João Negrão, da Rua Engenheiro Rebouças e da Rua Piquiri.

Tudo sobre a obra é superlativo. Nem parece desse mundo. A compra do imóvel histórico que ficava no terreno de 16 mil m² saiu por R$ 32 milhões. A obra, que está sendo conduzida pela empreiteira portuguesa Teixeira Duarte, custou mais R$ 414 milhões (128 milhões de euros), como mostra um comunicado da empresa. O estádio padrão Fifa do Atlético, apenas para ilustrar, saiu algo em torno de R$ 60 milhões a menos.

O espaço vai comportar cerca de 5 mil pessoas, o equivalente a duas vezes a capacidade do Teatro Guaíra, que é de 2.167 lugares. A previsão é de que a nova catedral da Universal fique pronta até o final de outubro, como informa o site da instituição.


Quem dobra o pescoço para observar a construção, percebe de imediato um quebra-cabeça de referências clássicas: colunas jônicas, janelas em arcos plenos (arredondadas), cúpulas douradas e um frontão (frente triangular do topo do prédio). “É um clássico atrapalhado“, sentencia o historiador e arquiteto Irã Taborda Dudeque, que leciona na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). “O projeto simplesmente junta elementos clássicos, como um Frankenstein, mas não respeita as proporções e teorias clássicas.”

Dudeque dá como exemplo as cúpulas. “Na tradição clássica, a cúpula sinaliza que guarda algo importante, como na Basílica de São Pedro, que indica que ali está enterrado o primeiro Papa da história. Mas aqui não tem nada. É só uma coisa dourada”, frisa.

Oportunidade para região

Na opinião do arquiteto Luis Salvador Gnoato, que ensina no curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a roupagem clássica do templo encontra justificativa. “As pessoas estão acostumadas a ver templos ou igrejas em imóveis antigos. Há uma necessidade do público de ver identidade histórica na arquitetura religiosa”, explica. “Neste caso, como o prédio é novo, o arquiteto recorreu a algumas referências clássicas para dar esse efeito.”

E Gnoato lembra de um fato interessante: a região do Rebouças precisa ser revitalizada. “Tem pouca vida, pouco apartamento. E a inserção do templo naquele quarteirão pode ajudar a transformar a área”, destaca. “Mas o dado negativo é que ele é grande demais em relação ao resto da paisagem”, critica. “Precisava de um espaço externo ainda maior, ou as milhares de pessoas vão ficar apinhadas ali fora.”

Novo Templo da Igreja Universal do Reino de Deus em Curitiba.

Elementos clássicos da nova catedral da Iurd em Curitiba são combinados de forma incomum, mas respeitam a necessidade humana de ter o templo em imóvel ‘histórico’. Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

A reportagem contatou a assessoria de imprensa da Iurd por inúmeras vezes desde o dia 19 de julho, mas não obteve resposta até as 18 horas desta quinta-feira (10 de agosto), quase um mês depois.

Novo Templo da Igreja Universal do Reino de Deus em Curitiba.

Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

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