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Decore você mesmo o seu lar

Conhecer o próprio gosto e respeitar o estilo de vida é essencial para quem vai montar a casa por conta. Dá trabalho, demanda tempo, mas o resultado é uma relação única com o lar

Para Eleuterio Netto, decorar é poder brincar com  os estilos e mudar quando quiser. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do PovoPara Eleuterio Netto, decorar é poder brincar com os estilos e mudar quando quiser. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

por Daliane Nogueira

26/08/2015

O que inspira uma pessoa na hora de decorar a casa? A resposta para isso é pessoal e intransferível. Pode ser o gosto pelo cinema, a vontade de montar um cantinho com todas as coisas preferidas, o estilo meio hipster ou refinado e por aí vai. O fato é que casa vazia é um desafio e tanto para qualquer um. Principalmente para quem tem jeito para garimpar, decorar e arrumar tudo.

Neste mês, a Haus embarcou em quatro histórias de pessoas que resolveram assumir a missão de montar o próprio lar sem ajuda de um profissional de arquitetura ou decoração, aos poucos e com projetos que primeiro nasceram nos sonhos para só depois tomar forma. São casas e apartamentos personalizados e onde tudo tem um porquê.

É claro que eles mexeram na estética, sem se aventurar em questões estruturais, de reforma ou ampliação. Essas mudanças só podem ser comandadas por profissionais de arquitetura e engenharia, que têm a responsabilidade técnica por qualquer obra.

Coleções e misturas

Quando se mudou para a cobertura de um prédio setentista e todo reformado pelo arquiteto Julio Pechman, nos anos 1990, o artista plástico Eleuterio Netto, 44 anos, decidiu que iria arrumar a própria casa. “Não houve necessidade de nenhuma mudança estrutural, nem de revestimentos. Mas optei por não ter um projeto de interiores. Primeiro fiz a mudança, para sentir como seria morar aqui e a decoração vem acontecendo pouco a pouco, sempre com a intenção de evidenciar o acervo de obras de arte”, diz.

Cantinho decorado por Eleuterio Netto  na entrada do quarto: referências clássicas, rústicas e pop se misturam em um visual personalizado.   Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Cantinho decorado por Eleuterio Netto na entrada do quarto: referências clássicas, rústicas e pop se misturam em um visual personalizado. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Móveis rústicos, clássicos, modernos e contemporâneos misturam-se nos ambientes de forma irreverente. “Nada é estático. Gosto de poder mudar a decoração de tempos em tempos. Imagino a casa como uma composição para pintar”, declara.

Para quem está no processo de decoração, Netto dá um conselho: “Brinque sem o compromisso de acertar. Se achou que está exagerado, volte atrás. Mas não leve tão a sério”.

Piso superior do apartamento recebeu toques contemporâneos e tropicais. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Piso superior do apartamento recebeu toques contemporâneos e tropicais. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Para Eleuterio Netto, decorar é poder brincar com  os estilos e mudar quando quiser. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Para Eleuterio Netto, decorar é poder brincar com os estilos e mudar quando quiser. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Imaginação como guia

Antes de realizar qualquer “ajuste” no apartamento, a psicóloga Rose Marie Grando da Silva, 69 anos, procura imaginar, sonhar com o espaço. “Os detalhes são muito importantes para mim. É na sutileza que se encontra a diferença, a personalidade”, reflete. A casa para Rose é um porto seguro, não é um espaço para exibir, mas para sentir. “Adoro ficar em casa, tudo aqui faz sentido para mim. Casa tem de ser próxima, não pode estar permeada de peças sem significado”, defende.

Rose Marie no ateliê recheado de detalhes feitos por ela: do tapete bordado às  plantas bem cuidadas.  Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Rose Marie no ateliê recheado de detalhes feitos por ela: do tapete bordado às plantas bem cuidadas. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Muitos elementos que estão na decoração do apartamento foram feitos pela própria moradora, na máquina de costura ou no ateliê de pintura; outros foram encontrados em antiquários e trazidos de viagens.

O carinho pelo espaço é tanto, que nenhum reparo, por menor que seja, fica para amanhã. Basta perguntar para Rose uma indicação de um eletricista, pintor ou marceneiro. Ela saca uma coleção de fichas organizadas em um arquivo e indica o melhor para cada situação. Mesmo tendo esse time à disposição, ela solicitou ajuda de uma arquiteta na hora de fazer uma reforma no teto. “Com certeza a arquiteta teve um papel essencial de orientação na questão estrutural. Mas a decoração é emocional.”

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O gosto pelo clássico aparece no conjunto da decoração feita por Rose. Mas cada peça foi colocada ali para trazer sentido para os ambientes. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O gosto pelo clássico aparece no conjunto da decoração feita por Rose. Mas cada peça foi colocada ali para trazer sentido para os ambientes. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Maximalismo cool

O médico pontagrossense Ricardo Sirigatti, 38 anos, é um cidadão do mundo. Estudou na Argentina, morou na França, ficou um tempo trabalhando no Rio de Janeiro, andou por Nova York, mas resolveu voltar para o Paraná. Em Curitiba, encontrou em uma vila de casas antigas, na Rua Vicente Machado, o lugar ideal, pelo menos por enquanto.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Há sete meses ele dedica parte de seu tempo na reforma e decoração do sobrado. “Gosto de muitos elementos na decoração, mas nada entra na minha casa sem que tenha um sentido, uma história. Não compro nada para preencher paredes, compro peças pelas quais me apaixono e depois encontro um lugar para elas”, relata.

A reforma de uma casa antiga foi o caminho de Ricardo Sirigatti para encontrar um lugar só para ele. Na decoração: uma mesa estilizada, cadeiras de Aristeu Pires e muitas obras de arte. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

A reforma de uma casa antiga foi o caminho de Ricardo Sirigatti para encontrar um lugar só para ele. Na decoração: uma mesa estilizada, cadeiras de Aristeu Pires e muitas obras de arte. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Raridades arrematadas em leilões mundo afora convivem harmonicamente com fotos antigas garimpadas nos porões das casas de parentes. Os móveis são basicamente soltos, apenas a cozinha é de marcenaria, mas foi desenhada por ele e executada pelo tio marceneiro.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O projeto de reforma teve orientação do pai de Ricardo, que é engenheiro civil. “Tinha uma parede que eu queria muito tirar para fazer uma adega, mas descobri que é um pilar e desisti”, conta.

Para Sirigatti, o ato de decorar é contínuo e permeado de tentativas e erros. “Não é sempre que acerto. Comprei uma poltrona Mole (do designer brasileiro Sergio Rodrigues), que não coube na minha sala. Virou um presente, sem traumas. O que mais importa é que sou feliz aqui e quem me conhece garante que minha casa tem a minha cara.”

A casa de Ricardo Sirigatti foi montada para receber os amigos e expor todas as  referências dos muitos lugares por onde andou e morou. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

A casa de Ricardo Sirigatti foi montada para receber os amigos e expor todas as referências dos muitos lugares por onde andou e morou. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Universo clássico

A música clássica é o cotidiano da família Amorim, que dedica a vida para a luteria. Luiz, 51 anos, é dos mais respeitados construtores de violinos e violoncelos do país e transportou essa paixão na construção e decoração da casa-ateliê. “Foram cinco anos de construção. Idealizei a casa com um estilo barroco e fiz questão de participar da construção, que tem pilares de madeira.”

Luiz Amorim uniu o ofício de lutiê à vontade de construir uma casa única, repleta de referências  ao universo da música clássica. Foto: Fernado Zequinão /Gazeta do Povo

Luiz Amorim uniu o ofício de lutiê à vontade de construir uma casa única, repleta de referências ao universo da música clássica. Foto: Fernado Zequinão /Gazeta do Povo

Foto: Fernado Zequinão /Gazeta do Povo

Foto: Fernado Zequinão /Gazeta do Povo

Piso, portas, janelas e outros itens são de construções antigas que foram demolidas. Parte foi comprada, parte veio de doação. “A pintura foi feita com cal tingido, como antigamente. E na decoração, fazemos questão de expor peças antigas e os instrumentos que construímos”, completa Betina Schreiner, 47, esposa de Luiz.

Cozinha da casa dos Amorim tem portas de janelas de demolição e um fogão a lenha antigo. Acima, parede com os violinos construídos por Luiz e a parede com pintura de cal. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Cozinha da casa dos Amorim tem portas de janelas de demolição e um fogão a lenha antigo. Acima, parede com os violinos construídos por Luiz e a parede com pintura de cal. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Cozinha da casa dos Amorim tem portas de janelas de demolição e um fogão a lenha antigo. Acima, parede com os violinos construídos por Luiz e a parede com pintura de cal. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Cozinha da casa dos Amorim tem portas de janelas de demolição e um fogão a lenha antigo. Acima, parede com os violinos construídos por Luiz e a parede com pintura de cal. Foto: Fernando Zequinão/Gazeta do Povo

Sem dor de cabeça

Siga alguns passos para não errar na hora da contratação:

Peça referências. Este é um dos bons e velhos jeitos de conduzir a obra: perguntar para pessoas próximas quem foi o pedreiro, empreiteiro, eletricista, pintor ou marceneiro que trabalhou em uma obra que você considera bem sucedida. Verifique se o profissional cumpre prazos, deixa o lugar limpo, economiza material e por aí vai. Outro perigo comum é ter um “faz-tudo” que não executa o trabalho corretamente. É melhor contratar um especialista para cada área.

Coloque tudo no papel. Faça um contrato simples, mas que contenha informações como prazos, forma de pagamento, descrição das atividades a serem realizadas e forma de pagamento. É importante deixar ao menos uma parcela para ser paga após a entrega da obra.

Relação de material. Se o encarregado da obra não for comprar os materiais, monte com ele uma lista do que tem de ser encomendado. Procure comprar tudo de uma só vez, para barganhar preços e parcelamento mais vantajoso nas lojas.

Planejamento

Alguns cuidados na escolha de produtos e dimensionamento do espaço são importantes para a decoração:

Estude a planta. Desenhe o formato do seu espaço como se o estivesse vendo de cima. Seja detalhista, anote colunas, portas, janelas, tomadas. Depois tire as medidas das paredes e anote junto delas. Das janelas e portas, marque a largura, altura e distância do piso. Tire fotos de todos os ângulos possíveis do ambiente.

Eleja as cores. Defina uma paleta de cores, que será o seu mapa para comprar tintas, tecidos e objetos. O objetivo é ter um esquema de cores equilibrado e harmonioso. Uma boa dica é fazer uma colagem com imagens que reflitam a atmosfera que se quer para decoração e depois analisar o conjunto buscando uma cor predominante, que poderá estar presente em uma parede maior ou até em um móvel de destaque; e as cores secundárias, para outros objetos.

Passeie pelas lojas. Pode incluir as de móveis usados na sua lista, onde há peças interessantes. Procure conhecer produtos, anote preços e medidas. Lembre-se que em muitas empresas há profissionais de arquitetura e design que ajudam no dimensionamento do espaço, definição dos revestimentos e cálculo da quantidade de pontos de luz, por exemplo. Esses profissionais não fazem projetos, mas auxiliam na escolha.

Evite comprar por impulso. Ainda que seja uma liquidação. É provável que você economize mais fazendo compras planejadas do que adquirindo peças que você não sabe se caberão no seu ambiente

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