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Conheça Adoaldo Lenzi, o braço direito de Poty

Anônimo para boa parte dos curitibanos, Adoaldo Lenzi é as mãos por trás do trabalho do grande artista curitibano e tem obras espalhadas por toda a cidade

Com traço delicado e preciso, Lenzi assina a execução dos painéis de Poty Lazzarotto. Fotos: André Rodrigues/Gazeta do PovoCom traço delicado e preciso, Lenzi assina a execução dos painéis de Poty Lazzarotto. Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

por Sharon Abdalla

28/03/2017

Cerâmica, vidro, tinta e muito talento. Essas são as matérias-primas do trabalho primoroso realizado pelo artista plástico Adoaldo Lenzi. Anônimo para boa parte dos curitibanos, Lenzi tem obras espalhadas por todos os cantos da cidade, o que torna difícil para qualquer morador ou turista a tarefa de nunca ter cruzado com pelo menos um de seus trabalhos.

Braço direito e amigo fiel de Poty Lazzarotto, Lenzi executava e assina com o mestre os painéis cerâmicos que colorem a capital e ajudam a manter viva a história da cidade. Então, da próxima vez que passar em frente a um deles, olhe com atenção: verá o “A. Lenzi” ao lado do nome de Poty.

Sua obra, porém, vai muito além dos painéis cerâmicos. Artista completo, o homem de 72 anos de figura serena executa trabalhos em pedra natural, mosaicos e vitrais, em especial os sacros. É de Lenzi, por exemplo, o vitral confeccionado em homenagem à visita do Papa João Paulo II a Curitiba, na década de 1980. A obra está exposta na Igreja de Santo Estanislau e reproduz a figura do pontífice em uma peça de 1,30 m x 4,75 m, que utilizou 2,8 mil cacos de vidro em 45 tonalidades de cor.

ESTANISLAU9JC/CURITIBA/03/04/05/PARANA/ FIEIS REZAM PELA ALMA DO PAPA NA PAROQUIA SANTO ESTANISLAU EM CURITIBA/FOTO:JONATHAN CAMPOS/GAZETA DO POVO.

Figura do Papa João Paulo II na Igreja Santo Estanislau. Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

“Quando o Papa veio a Curitiba, eu estive com ele no Palácio Iguaçu. Ele não chegou a visitar a igreja, mas a comunidade fez uma foto ampliada do vitral e o presenteou. Foi muito gratificante”, lembra.
A atenção aos detalhes e o refinamento do trabalho fizeram com que suas obras cruzassem divisas e fronteiras e chegassem a outros estados e países. A igreja de Santa Maria Magdalena, na Argentina, e a Basílica Nacional de Caacupé, no Paraguai, contam com vitrais do artista.

“Fiz os 70 vitrais desta obra, que também conta com uma imagem do Papa João Paulo II. O vitral da fachada da basílica (com 350 m² e assinado em parceria com Osmar Horstmann) é um dos maiores da América Latina”, conta Lenzi.

Painel cerâmico assinado por Lenzi destaca-se na fachada da sede da prefeitura de Curitiba.

Painel cerâmico assinado por Lenzi destaca-se na fachada da sede da prefeitura de Curitiba. Foto: Andre Rodrigues/Gazeta do Povo

Nasce um artista

Natural de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, Adoaldo Lenzi chegou a Curitiba aos 12 anos acompanhado dos pais e dos sete irmãos mais velhos. Um deles começou a trabalhar com o artista João Frederico Genehr, que confeccionava vitrais e mosaicos. Em pouco tempo conseguiu emprego para o caçula.

No início, Lenzi era um faz-tudo do estúdio, mas não demorou para que “pegasse gosto” pelo trabalho do mestre. Este, então, incentivou-o a começar a “rabiscar” e orientou os primeiros traços do discípulo.
Aos 18 anos, Lenzi foi servir o exército no Rio de Janeiro e, ao se oferecer para restaurar um mosaico do quartel, teve a oportunidade de frequentar o curso de mosaicos da Escola Nacional de Belas Artes. Foi nesta época que conheceu figuras como Oscar Niemeyer e Poty Lazzarotto, com quem trabalharia anos depois.

Seu mais recente trabalho são quatro painéis cerâmicos instalados no campus Rebouças da UFPR.

Seu mais recente trabalho são quatro painéis cerâmicos instalados no campus Rebouças da UFPR. Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Estúdio

De volta a Curitiba, Lenzi abriu seu estúdio, que funcionou de 1970 até há pouco mais de um ano na Rua Raposo Tavares, no Pilarzinho. Nessas mais de quatro décadas dedicadas à arte, ele produziu cerca de 1,5 mil obras, entre instalações públicas e particulares.

“Prefiro ter uma obra na rua, para o povo ver, do que dezenas de obras penduradas no escritório de um executivo. Isso o Poty sempre falava e eu concordo com ele”, ressalta Lenzi.

Além das obras realizadas em parceria com Poty, estão no portfólio do artista o painel em pedra natural em comemoração aos 50 anos da PUC-PR e o restauro dos vitrais da Catedral de Curitiba, entre outras.
Hoje, Lenzi trabalha em meio à natureza em um estúdio de 220 m² localizado em Almirante Tamandaré.

Lenzi em seu estúdio, localizado em Almirante Tamandaré.

Lenzi em seu estúdio, localizado em Almirante Tamandaré.

Seu mais recente trabalho são os quatro painéis cerâmicos instalados no campus Rebouças da UFPR. As obras remetem à história da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), ao centenário e aos cursos da universidade.

Sobre a relação com a capital paranaense, Lenzi se diz um curitibano de coração. “Curitiba representa tudo, tanto que tive chance de ficar no Rio [de Janeiro], mas voltei. A cidade me acolheu e eu levei seu nome para todo o país e o exterior, pois, debaixo da minha assinatura, as obras sempre tinham o nome de Curitiba”, destaca.

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