PUBLICIDADE

Por dentro do misterioso metrô da Coreia do Norte

Propaganda governamental, lustres e sancas de gesso em estilo clássico compõem o cenário do sistema de metrô mais profundo do mundo

Fotos: Elaine Li/Reprodução/CNN

por Stephanie D'Ornelas*

09/01/2018

A Coreia do Norte não é um destino turístico comum. Os visitantes que entram no país – mais de 90% provenientes da China – devem seguir um roteiro rígido e são acompanhados por guias do regime 24 horas por dia. Em outubro de 2017, a fotógrafa Elaine Li, de 25 anos, foi uma das viajantes que conheceu de perto a capital norte-coreana, Pyongyang. O metrô da cidade atraiu o olhar da jovem de Hong Kong, e seus cliques revelam o interior das misteriosas estações, repletas de lustres luxuosos, sancas em gesso, painéis decorativos e muita propaganda do governo.

Estandes com jornais ficam em exibição nas plataformas.

Estandes com jornais ficam em exibição nas plataformas. Fotos: Elaine Li / Reprodução.

Construído a 110 metros abaixo da superfície, o Metrô de Pyongyang é o mais profundo do mundo e tem seus corredores separados por grossas portas de aço. Assim, o local pode servir como abrigo em caso de conflito armado.

O percurso da superfície às plataformas do metrô tem duração de quatro minutos.

O percurso da superfície às plataformas do metrô tem duração de quatro minutos.

“A primeira coisa que notei foi que, embora as estações sejam muito mal iluminadas, os interiores são muito elegantes. Você vê lustres nos tetos, pilares de mármore e pinturas de Kim Jong-il”, contou Elaine em entrevista à CNN Style. “Isso foi muito interessante para mim, porque, em cidades cosmopolitas como Hong Kong, somos bombardeados com publicidade. Em Pyongyang, eles são bombardeados com propaganda”, destacou.

Mosaicos exibem propagandas do regime.

Mosaicos exibem propagandas do regime.

Grande parte do cotidiano dos norte-coreanos não é acessível aos turistas, que seguem um itinerário restrito. Mesmo assim, Elaine pôde fotografar as estações de metrô sem muitos impedimentos. “Os guias de turismo nos acompanharam durante a viagem toda, mas na plataforma estávamos livres para vagar por aí”.

Fotógrafa captou detalhes do metrô mais profundo - e misterioso - do mundo.

Fotógrafa captou detalhes do metrô mais profundo – e misterioso – do mundo.

“Quanto às viagens de metrô, só fomos autorizados a viajar por algumas paradas, e só conseguimos sair em determinadas estações. A única restrição foi que não tínhamos permissão para tirar fotografias do interior dos túneis, não sei por quê”, lembra a fotógrafa, que tem um largo portfólio de fotografias urbanas e é seguida por mais de 217 mil pessoas no Instagram.

Usuários do metrô são proibidos de conversar, mas podem usar celulares.

Usuários do metrô são proibidos de conversar, mas podem usar celulares.

Propaganda em cada detalhe

Ao contrário do que acontece na maioria dos sistemas de transporte dos países ocidentais, os nomes das estações do Metrô de Pyongyang não se referem ao local em que se encontram, mas a temas que glorificam expressões comunistas e o regime do país. O visual soberbo das estações, que começaram a ser construídas em 1968, tem inspiração no Metrô de Moscou estalinista, com seus grandes candelabros e monumentos.

Fotografias de Kim Il-Sung e Kim Jong-Il no trem.

Fotografias de Kim Il-Sung e Kim Jong-Il ornamentam os trens.

Os trens são ornamentados com fotografias de Kim Il-Sung (líder da Coreia do Norte desde a fundação do país, em 1948, até 1994) e de Kim Jong-il (o filho, que lhe sucedeu de 1994 a 2011) expostas sempre em sua parte superior, de forma que eles pareçam olhar para os viajantes. Quando os norte-coreanos embarcam, são proibidos de conversar. O clima ultranacionalista invade o som das estações, onde o hino nacional da Coreia do Norte e músicas patrióticas tocam de maneira constante.

*Especial para a Gazeta do Povo.

LEIA TAMBÉM

PUBLICIDADE