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Saiba o que é bioconstrução e como utilizá-la na sua obra

Termo é utilizado para descrever o conjunto de técnicas construtivas que tem a preocupação ambiental como um de seus pilares

Fotos: Raphael Autran/Arquivo pessoalFotos: Raphael Autran/Arquivo pessoal

por Sharon Abdalla

25/04/2017

Construir a casa com paredes de terra retiradas do próprio terreno. Ou com pedaços de madeira unidos por uma argamassa produzida com terra crua. A ideia, que pode soar estranha para muitas pessoas, ilustra o que propõe a bioconstrução, termo utilizado para descrever o conjunto de técnicas construtivas que tem a preocupação ambiental como um de seus pilares.

“Ela é uma construção natural, que se propõe a utilizar o máximo possível de recursos renováveis e disponíveis no local da construção ou nas suas proximidades”, resume o bioconstrutor Raphael Autran, da Baobá Construções Sustentáveis.

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A bioconstrução reúne técnicas construtivas que tem como foco a utilização de recursos renováveis

Entre estes recursos pode-se listar, por exemplo, a madeira, pedras, vidros e argila, que, sozinhos ou combinados, remetem aos primórdios da humanidade e que, apesar de pouco convencionais, encontram exemplares inclusive na arquitetura vernacular brasileira. “As construções de pau-a-pique [taipa de mão] e as ocas indígenas são exemplos de bioconstrução”, ilustra Autran.

Técnicas construtivas

A taipa de mão é uma das técnicas construtivas mais conhecidas relacionadas à bioconstrução. Comum no nordeste brasileiro, ela consiste nas obras realizadas a partir do entrelaçamento de varas de madeira que têm seus vãos preenchidos com barro.

Outras técnicas que utilizam a argila são a COB (mistura de palha, barro, areia e esterco que é empilhada e moldada à mão), a taipa de pilão (na qual formas são preenchidas com argila, que posteriormente é compactada formando as paredes) e a super ou hiperadobe, também conhecida como terra ensacada. Nela, sacos de polipropileno ou de raschel, similares aos utilizados no transporte de leguminosas e frutas, são preenchidos com uma mistura de argila e areia compactada.

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Obra em terra ensacada cria blocos maciços que são empilhados uns sobre os outros

“Este processo cria blocos maciços que são empilhados uns sobre os outros. Esta estrutura, assim como as de COB e de taipa de pilão, pode ser considerada autoportante, de acordo com a espessura da parede e o tipo de telhado que se pretenda utilizar”, explica Raphael Autran.

Madeira

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A bioconstrução permite a mistura de diferentes técnicas em uma mesma obra

Entre as técnicas bioconstrutivas que têm a madeira como matéria-prima principal destacam-se a cordwood e a log home. A primeira refere-se às obras erguidas a partir de tocos ou sobras de madeira unidos por uma argamassa feita com terra crua. Já na segunda são utilizadas toras inteiras, que são empilhadas para a elevação das paredes.

Na cobertura, o telhado verde é a grande estrela das bioconstruções. Cada vez mais presente em projetos urbanos, ele substituiu o telhamento convencional por uma cobertura vegetal capaz de absorver pelo menos 50% da água da chuva que cai sobre ele, segundo Autran.

Benefícios

A redução do impacto ambiental das obras é apenas um dos benefícios proporcionado pelas bioconstruções. Autran explica que por se tratarem de “casas vivas”, uma vez que utilizam diferentes elementos naturais, as construções promovem o conforto térmico e acústico dos ambientes e a redução dos custos da obra, que é potencializado de acordo com o grau de envolvimento do proprietário na construção.

“O ponto forte da bioconstrução é que ela trabalha a autoconstrução. Ou seja, ela permite que o morador ou as pessoas da comunidade se empoderem da técnica e participem ativamente do processo de construção de suas próprias casas”, acrescenta Autran.

Capacitação

Para quem deseja pôr a mão na massa ou saber mais e esclarecer dúvidas sobre as técnicas, o bioconstrutor Raphael Autran irá ministrar o curso “Bioconstruindo em Três Tempos”, no Sítio Pedacinho do Céu, em Colombo.

A formação é composta por três módulos distintos sobre as seguintes técnicas: cordwood, telhado verde (de 5 a 7 de maio) e hiperadobe (de 2 a 4 de junho). Mais informações podem ser obtidas pelo site ou pelo telefone (41) 3656-4268.

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