PUBLICIDADE

Praça Central de Guaratuba será reformada, mas já divide opiniões

Projeto catarinense vence concurso público nacional para revitalizar a praça e propõe espaço que valoriza a permanência das pessoas, a vegetação original e os edifícios tombados do entorno

Imagem: Divulgação

Imagem: Divulgação

por Luan Galani

28/08/2017

A revitalização da Praça Coronel Alexandre Mafra, popularmente conhecida como Praça Central de Guaratuba, vai ficar a cargo de três escritórios de arquitetura catarinenses, como anunciou a prefeitura da cidade ao revelar os vencedores do concurso público nacional, que foi criado em junho. O certame foi organizado pela regional paranaense do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PR) e conta com apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR).

DCIM100MEDIADJI_0037.JPG

Concepção de como ficaria a nova Praça Central de Guaratuba, segundo anteprojeto dos três escritórios catarinenses vencedores do concurso. Imagem: Divulgação

O anteprojeto vencedor apresentado pelos sete arquitetos e urbanistas do Desterro Arquitetos, Bloco B Arquitetura e Giz de terra paisagismo procurou valorizar os elementos históricos e naturais do entorno. “Por meio de traços marcantes e linhas simples, criamos espaços aconchegantes que possibilitam o convívio, com a manutenção de quase toda a vegetação original e com linhas que direcionam o olhar para a edificação histórica da igreja”, explica o arquiteto Arthur Eduardo Becker Lins, que também assina o anteprojeto.

Agora os arquitetos têm até o final do ano para apresentar o projeto final, que começará a ser executado logo após a temporada de verão, de acordo com a Prefeitura de Guaratuba. Ao todo serão investidos R$ 750 mil nas obras, com repasse do Ministério do Turismo.

Porém, nas redes sociais a nova ideia para a praça gerou polêmica entre os moradores da cidade por não prever  banheiro ou academia ao ar livre.

guaratuba-praca

Os arquitetos que assinam o projeto lembram que os dois itens da controvérsia não foram requisitados pelo concurso, como consta no programa de necessidades da praça.

De acordo com o secretário municipal de Urbanismo e Habitação de Guaratuba, Fausto André da Mota, o concurso público aliado às duas audiências públicas consultando a população foi a forma mais democrática de pensarmos a revitalização da praça. “A unanimidade é difícil, mas os comerciantes do entorno e muitos guaratubanos aplaudiram o projeto escolhido pela comissão julgadora do concurso”, conta.

Nas respostas às críticas nas redes sociais, a prefeitura confirma que haverá área de recreação infantil, um dos requisitos do concurso.

Para o historiador e arquiteto Irã Taborda Dudeque, que leciona na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e que participou da comissão julgadora do concurso para a praça, os pedidos expostos nas redes sociais podem até ser atendidos em uma adaptação posterior do projeto, se os autores ou a prefeitura acharem necessário. “Mas o compromisso maior foi de atualizar questões da cidade, de aprimorar os espaços de permanência, de valorizar a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, um dos maiores patrimônios históricos do Paraná, que quase nunca é lembrada, e que hoje fica escondida “, explica.

IMAGEM 03

Imagem: Divulgação

Projeto com soluções contemporâneas

A proposta dos escritórios de Florianópolis, segundo a comissão julgadora, mantém a história da praça fundada por espanhóis e portugueses, ao mesmo tempo em que traz soluções contemporâneas e criativas, com equipamento urbano “dotado de formas puras e discretas que distinguem as soluções do momento presente em relação ao legado histórico”.

A linguagem é minimalista, valoriza a perspectiva dos bens tombados e naturais, e apresenta diversos equipamentos que podem dar fôlego novo à praça, como pergolados iluminados e até iluminação embutida no piso. “A iluminação pública é um elemento importante para a segurança e o conforto da população”, destacam os arquitetos envolvidos no projeto.

“A premissa de integração entre mar, cidade, praça e a Baía de Guaratuba, resulta em um desenho que prioriza o pedestre, a acessibilidade universal e restrição ao automóvel, estimulando o uso da bicicleta através de ciclofaixas e vias compartilhadas. Todo o entorno da praça está no nível do pedestre”, explicam os arquitetos catarinense no resumo do projeto.

LEIA TAMBÉM

 

PUBLICIDADE