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Luke aprendeu do modo mais difícil o que Lord Acton nos ensinou: o poder corrompe | John Wilson/Divulgação
Luke aprendeu do modo mais difícil o que Lord Acton nos ensinou: o poder corrompe| Foto: John Wilson/Divulgação

[O artigo a seguir contém alguns elementos do enredo de “O Último Jedi”, que algumas pessoas podem considerar spoilers.]

Deixando de lado o valor criativo e de entretenimento do novo filme da franquia “Star Wars”, um elemento importante permanece forte na saga: seus alertas sobre os perigos do poder. Aliás, eles vão além dos filmes anteriores. 

O título pode ser incompreensível para alguns fãs, assim como a fala que escutamos no trailer, falada pelo herói Jedi, Luke Skywalker, que deseja que “os Jedis acabem”. Algumas pessoas estavam se perguntando que mensagem secreta poderia estar escondida naquelas palavras, mas não as pessoas que prestaram atenção às mensagens já presentes nos episódios anteriores, principalmente na trilogia prequel (por mais imperfeita que tenha sido). O protagonista principal idealista quer que os Jedis acabem porque a escola se tornou um legado de fracasso, hipocrisia e autodestruição. 

O papel do Jedi 

Eles eram parte de um sistema de República Velha e serviram como um serviço especial com privilégios superiores garantidos pelo governo. Além das ordens legais, eles têm o seu próprio sistema educacional, que formou novas gerações de seguidores. Eventualmente, eles falharam miseravelmente no treinamento dos pupilos. Um deles até se tornou o principal responsável por construir o maligno Império. Uma observação atenciosa levaria o espectador a tais conclusões – agora que o herói principal declara isso tão abertamente e com méritos (também é uma boa ferramenta artística para o personagem na tela repetir as visões dos fãs conforme elas acontecem no filme). 

O que Luke oferece na sua reinterpretação dos eventos (quando comparados aos seus predecessores pessoais) é uma compreensão mais cuidadosa do modo como o mundo funciona. Ele percebe que o conhecimento e o funcionamento de tudo no universo (a “força”) não são coisas que pertencem a um grupo de pessoas chamado Jedi. Alegar isso é presunção, pois essas coisas não podem, e não devem, ser monopolizadas por uma única operação – talvez um retrato que professores Jedi anteriores não enxergaram no panorama geral. 

Ademais, isso levou a arrogância e cegueira aos perigos óbvios dos sistemas políticos dos quais eles faziam parte. Nós pudemos vê-los treinando muitos dos Jedis mais novos, mas geralmente em aspectos físicos e espirituais. Ninguém estava ensinando-os sobre ciências sociais, relações humanas e o funcionamento da política – pelo menos não nos momentos que pudemos ver. A minimização das políticas econômicas é o que eventualmente os matou e destruiu a República, enfim substituída pelo governo hobbesiano maligno do Império. 

A lição de Lord Acton 

Luke aprendeu do modo mais difícil o que Lord Acton nos ensinou: o poder corrompe. O controle sobre as pessoas pode facilmente colocar foco em apenas um objetivo específico à custa da liberdade dos outros. Parte da reflexão feita por Luke pode ser inferida historicamente ao estudar o que aconteceu com os Jedis nos episódios anteriores. Luke depois aprende o seguinte na sua experiência pessoal: como até mesmo um professor experiente pode ser facilmente tentado a fazer julgamentos errados e autoritários sobre as pessoas, levando-as a consequências desastrosas. 

Nenhuma força humana ou pessoa real deveria ter poder supremo sobre o destino dos demais. Tais temas sempre foram as mensagens principais dos filmes “Star Wars”, que começaram em 1977. O novo filme faz uma conclusão brilhante e quase Tolkeniana alcançada simplesmente seguindo inferências lógicas. A regra do poder não se aplica somente às pessoas que consideramos “ruins”, “malignas” ou “corruptas” porque nenhum ser humano está completamente perdido ou totalmente livre de tentações ou livre de estar propenso ao fracasso.

Tanto a redenção quanto a tentação não estão muito longe de ninguém. Qualquer um pode cometer erros. Nós deveríamos desconfiar de quaisquer regras que oferecem muito poder a qualquer pessoa ou grupo de pessoas, não apenas aquelas reconhecidas como “vilãs”. 

A trilogia original mostrou que pessoas ruins também são seres humanos que ainda podem ser convertidos do mal para o bem. A trilogia prequel mostra que pessoas boas também podem fazer coisas ruins, querendo ou não. Como aprendemos em “O Último Jedi”, o potencial de corrupção escondido nos meandros do poder na verdade não é nada pessoal. 

É por isso que as soluções para reduzir de forma eficiente o poder expansionista devem ser universais e impessoais.

Mateusz Machaj é assistente de ensino de economia na Universidade de Wroclaw (Polônia). É autor do livro “Money, Interest, and the Structure of Production. Resolving Some Puzzles in the Theory of Capital” (“Dinheiro, Interesse e a Estrutura de Produção. Resolvendo alguns enigmas na Teoria do Capital”, em tradução livre).

Texto publicado originalmente no site da Foundation for Economic Education

Tradução de Andressa Muniz
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