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Como o feminismo radical lançou as sementes de nosso momento transgênero

O movimento transgênero nasceu do projeto feminista radical lançado após a Segunda Guerra Mundial

  • Scott Yenor*
  • Daily Signal
O transgenerismo é um ramo que tem raízes feministas | Pixabay
O transgenerismo é um ramo que tem raízes feministas Pixabay
 
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O movimento transgênero atual é o esforço mais recente para derrubar premissas sobre a vida humana que, na realidade, correspondem à verdade. 

Meu ensaio recente “Sex, Gender, and the Origin of the Culture Wars” (Sexo, gênero e a origem das guerras culturais) lança luz sobre as raízes intelectuais do movimento transgênero moderno, para que os cidadãos possam defender o bom senso contra as corrupções geradas por esse movimento. 

O transgenerismo significa, literalmente, “para além do gênero”. O nome reflete a ideia de que a sociedade “estrutura” o gênero de maneira arbitrária e injusta, dividindo as pessoas arbitrariamente entre as categorias “homem” e “mulher” e apresentando a todos uma maneira aceitável de se comportarem. 

Os transgêneros resolveram superar as estruturas sociais, apontando a direção de uma nova sociedade em que os indivíduos possam fazer ou seguir seu próprio “gênero”. 

A sociedade, por sua vez, precisa tornar-se “pós-estrutural” e afirmar qualquer nova identidade que os indivíduos construam para si. 

As origens feministas do transgenerismo 

O movimento transgênero nasceu do projeto feminista radical lançado após a Segunda Guerra Mundial. A fundadora do feminismo radical foi a pensadora francesa Simone de Beauvoir, cujo livro “O Segundo Sexo” foi publicado nos EUA em 1953. 

Beauvoir abre seu livro indagando “o que é uma mulher?”. Sua resposta prepara o campo para o pensamento feminista subsequente: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. É a sociedade quem faz ou constrói a identidade da mulher, não a natureza ou Deus. 

Essa identidade socialmente construída acabaria por ser chamada “gênero”. Se a sociedade parasse de enquadrar as meninas em papéis femininos artificiais, argumentam as feministas de segunda onda, as mulheres deixariam de agir como se fossem “o segundo sexo” e de subordinar-se aos homens. 

De acordo com essas feministas, o sexo, a biologia da pessoa e as características psicológicas estreitamente vinculadas a ela não devem moldar nossa identidade. O sexo ou “a biologia não é destino”, elas afirmam. As mulheres precisam emancipar-se de todas as limitações impostas pela biologia ou a sociedade. 

O transgenerismo: o elemento mais recente na revolução contínua do feminismo 

O transgenerismo é um ramo que tem raízes feministas. Ele procura solapar a “socialização tradicional” de meninos em homens e meninas em mulheres, porque nega a base biológica da masculinidade e da feminilidade. 

Mas foi a feminista radical Judith Butler quem primeiro estabeleceu o vínculo formal entre transgenerismo e feminismo. 

Defensora de longa data da ideia de que devemos transgredir o que a sociedade vê como sendo a realidade, Butler começou a defender o travestismo e o uso de roupas do sexo oposto. Mais tarde ela voltou sua atenção às possibilidades diversas dos estilos de vida transgêneros, que, para ela, poderiam desfazer as ideias de gênero predominantes. 

Butler ficava impressionada com o modo como os queers “lutam para retrabalhar a normalidade” e postular “um futuro diferente para a própria normalidade”. 

A exposição a performances novas e estranhas “nos leva não apenas a questionar o que é real e o que é o ‘certo’”, ela disse, “como nos mostra que os modelos que regem as noções contemporâneas de realidade podem ser questionados e como novos modos de realidade podem ser instituídos”. 

Exatamente como as feministas esperavam. 

As pessoas que se identificam como transgênero não desejam apenas ser toleradas. Querem que o público afirme essas performances de gênero como sendo admiráveis, sadias e autênticas. 

Segundo essa visão, a identidade da pessoa nunca é inteiramente real enquanto não for endossada pelas autoridades públicas e reconhecida como tal por nossos concidadãos. 

Vem daí a necessidade de, como atestam muitos relatos recentes na mídia, as escolas adaptarem seus currículos ou seus banheiros de modo a afirmar as identidades transgênero. 

É claro que nenhuma feminista tinha o transgenerismo em mente quando o movimento feminista foi fundado. Mas é essa a ironia: a lógica feminista radical apresentada por Beauvoir encontra sua realização mais recente no movimento transgênero de 2017.

*Scott Yenor é professor de ciência política na universidade Boise State. Ele foi pesquisador visitante de Pensamento Político Americano no Centro Simon de Princípios e Política da Fundação Heritage (2015-2016).

Conteúdo originalmente publicado no Daily Signal

Tradução de Clara Allain

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