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Não existe “Imprensa Golpista”. Existe a imprensa que cumpre seu papel 

A ideia de que existe um Partido da Imprensa Golpista sempre foi ridícula. Após ontem, andará apenas na boca de radicais, que não odeiam apenas a imprensa, e sim qualquer forma de liberdade de expressão

  • Jones Rossi
Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (PMDB): protegidos pela imprensa? Essa não cola mais | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (PMDB): protegidos pela imprensa? Essa não cola mais Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
 
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A imprensa é golpista. Age como um partido. Persegue determinados políticos e nunca fala de outros. Conspira abertamente contra o governo. 

Esta narrativa prosperou durante os últimos anos com muita força tanto à esquerda como à direita do espectro político brasileiro. Jornalistas sofreram ataques pessoais e muitos tiveram a vida devassada e a privacidade invadida após publicar matérias que desagradaram políticos de esquerda ou direita. 

Durante toda a Operação Lava Jato, houve uma intensa guerra de narrativas. A cada nova revelação, dependendo do político ou partido atingido, seus filiados e apoiadores criavam uma nova versão que se adequava melhor ao momento. Quando não bastavam os ataques à operação em si, a imprensa servia como bode expiatório de um sistema político que se provou corrompido até o núcleo. 

Não cabe aqui citar de onde vieram e ainda vêm esses ataques. É de interesse de muitos enfraquecer a imprensa e desacreditar o que ela publica. Em momentos como o desta quarta-feira (17) fica claro o motivo. O trabalho do experiente colunista Lauro Jardim em ‘O Globo’ jogou luzes em um esquema que, se for comprovado, tem tudo para colocar fim ao mandato presidencial de Michel Temer. 

Com as reportagens publicadas no jornal carioca, é destruída, espera-se que definitivamente, a narrativa da imprensa que busca atingir apenas um partido, que mira suas forças apenas em políticos de uma cor ideológica. 

É bom ressaltar que a maioria avassaladora — e aqui cabe a redundância — das denúncias e reportagens que revelaram os malfeitos dos políticos ao longo da Operação Lava Jato é fruto do trabalho diligente de membros da “grande imprensa”. Não veio de “mídias ninjas”, “jornalistas livres” ou quetais. A existência da mídia alternativa é muito bem-vinda e desejável. Seria igualmente necessário que ela entendesse que a coexistência é algo bom para a livre circulação de informação, logo, para a sociedade. 

Antes mesmo da revelação bomba de ‘O Globo’, a Folha de S. Paulo trouxe ano passado a delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, na qual ele revelou ter repassado recursos ilícitos sem distinção de siglas. Nomes do PT, PP, DEM, PSDB, PMDB e PSB foram citados, inclusive o presidente Michel Temer (PMDB-SP) e o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, além do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Nesta segunda-feira (15), os respeitados New York Times e o Washington Post colocaram o governo Trump na berlinda, ao divulgarem, respectivamente, a tentativa de obstrução da justiça e o vazamento de informações sigilosas para os russos feita pelo presidente americano.

Por fim, a ideia de que existe um Partido da Imprensa Golpista sempre foi ridícula. Após ontem, andará apenas na boca de radicais, que não odeiam apenas a imprensa, e sim qualquer forma de liberdade de expressão.

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