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O homem que ajudou a formar mais de 10 mil médicos negros durante o apartheid

Herbert Kaiser, quando aposentado, levantou US$ 27 milhões em doações para treinar profissionais da saúde na África do Sul. Ele morreu no dia 30 de março em sua casa em Palo Alto, na Califórnia, aos 94 anos

  • Bart Barnes
  • Washington Post
Herbet Kaiser (E) e sua esposa, Joy, em visita à Nelson Mandela em Soweto, na África do Sul | Reprodução/Twitter
Herbet Kaiser (E) e sua esposa, Joy, em visita à Nelson Mandela em Soweto, na África do Sul Reprodução/Twitter
 
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Herbert Kaiser, que, quando aposentado, levantou US$ 27 milhões em doações para formar mais de 10 mil profissionais da área da saúde na África do Sul, morreu no dia 30 de março em sua casa em Palo Alto, na Califórnia. Ele tinha 94 anos. 

A causa da morte: uma doença de coração, segundo um de seus filhos, Tim Kaiser. 

Herbert Kaiser trabalhou em um setor do Departamento de Estado que cuida da política externa dos EUA e dos cidadãos norte-americanos no exterior durante 33 anos. Entre suas tarefas, trabalhou no leste europeu e na África do Sul, antes de se aposentar em 1983. Logo depois, ele e sua mulher, Joy, criaram a ONG Educação Médica para Negros Sul-africanos, cujo objetivo era retificar o que Kaiser via como um desequilíbrio chocante na infraestrutura médica disponível para cidadãos negros na África do Sul durante o apartheid. 

Em um país com mais de 20 milhões de negros, segundo ele mesmo disse, havia 350 médicos negros, menos de 120 farmacêuticos negros e menos de 20 dentistas negros em 1984. Durante os anos de operação, entre 1985 e 2007, a ONG treinou mais de 11 mil sul-africanos como profissionais da área da saúde, incluindo médicos, enfermeiros, parteiros e assistentes hospitalares. 

O ímpeto do grupo, disse Kaiser em 2004 em um discurso na Universidade Swarthmore, era o "cuidado médico excelente fornecido para brancos e negado para os negros na África do Sul”. “Em Pretória, em 1971, recebi tratamento para melanoma, uma forma perversa de câncer. Alguns anos depois, o cirurgião branco que salvou minha vida me escreveu que estava abrindo mão de seu escritório particular para treinar médicos negros". 

Tim Kaiser lembra que, depois disso, seus pais se debruçaram sobre a mesa na cozinha da casa deles em Washington, olhando mapas e listas de fundações, ONGs, grupos de advogados e possíveis doadores individuais e corporativos. Eles fizeram algumas ligações (e maioria foi rejeitada), mas sempre aceitaram sugestões de outras fontes para buscar financiamento.

Principalmente nos primeiros anos de ONG, Kaiser teve oposição de dois lados: de um lado um governo branco e pouco simpático numa África do Sul majoritariamente negra, e do outro os grupos americanos que eram contra ajudar a África do Sul enquanto o país estivesse submetido ao apartheid. 

Em 1989, a doação de US$ 100 mil do Instituto Marjorie Kovler para Relações Negro-Judaicas – um grupo judeu que trabalhava para apoiar as relações entre negros e judeus norte-americanos – representou um momento importante para a instituição, porque incentivou outras doações corporativas. 

"Eu recentemente visitei Soweto [cidade próxima de Joanesburgo] e outras cidades na África do Sul e vi em primeira mão as condições desesperadores de lá", disse o senador Paul Simon, líder de um subcomitê de assuntos africanos, em um pronunciamento na época. "Essa doação vai criar uma luz na escuridão". 

Vida

Herbert Kaiser nasceu no Brooklyn em oito de junho de 1923. Ele tinha sete anos quando seu pai, um pintor de casas, abandonou a família. Sua mãe criou quatro crianças trabalhando como cuidadora de idosos, e a família frequentemente precisou de ajuda da previdência social. 

Kaiser foi da Marinha, onde serviu em submarinos no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, e depois foi aluno da Universidade Swarthmore, na Pensilvânia. Ele se formou em 1949 e foi aceito no curso de Direito de Yale mas, recém casado, entrou para o Departamento de Estado norte-americano em busca de uma fonte estável de renda. 

Suas tarefas incluíram o posto de subchefia na embaixada de Bucareste, na Romênia, e o consulado geral em Zagreb, na Croácia. A fluência de Kaiser em várias línguas – incluindo o alemão, o polonês, o romeno, o servo-croata, o africâner e o iídiche – o ajudou a lidar com as populações locais em suas paradas pelo mundo. Por fim, ele se mudou da Califórnia para Washington em 1992. 

Ele deixa sua esposa, Joy Sundgaard, em Palo Alto, três filhos (Tim Kaiser em Toronto, Paul Kaiser em Nova York e Gail Kaiser em Palo Alto) e seis netos. Kaiser e sua esposa escreveram um livro sobre o trabalho deles com a ONG, intitulado "Contra as expectativas: Saúde e Esperança na África do Sul" (“Against the Odds: Health & Hope in South Africa”), que publicaram com recursos próprios em 2013.

Traduzido por Gisele Eberspächer.

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